Capítulo 23 - O Jogo dos Fantasmas

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A manhã desabava devagar sobre a cidade. Bowie sentia o peso da noite que acabara de passar, mas, mais do que o cansaço, a mente latejava com o que descobrira nos documentos da "Operação Eterno Espectro". A verdade que começava a se revelar era um jogo muito mais perigoso do que ele, Daphne e seus aliados poderiam imaginar.

Daphne caminhava ao seu lado, os olhos atentos, como se tentasse enxergar além do horizonte, em busca de respostas que nem ela sabia como formular.

— Tudo isso... — ela começou, a voz baixa — parece um pesadelo de ficção científica.

— Pesadelos são para quem dorme — respondeu Bowie, com aquele sorriso irônico de quem já viu o inferno e voltou para contar a história. — E a gente? A gente não tem tempo para dormir.

Eles estavam num velho armazém abandonado, transformado em quartel-general improvisado pelos desertores. O cheiro de mofo misturava-se com o café frio que Kevin tentava desesperadamente esquentar num fogareiro improvisado.

Valeska estava no computador, digitando rápido e furiosa, enquanto Raul e os irmãos Simões discutiam estratégias ao fundo.

— Temos que nos mexer rápido — disse Valeska, sem tirar os olhos da tela. — A divulgação dos documentos fez barulho. Os espiões já estão à caça.

Bowie cruzou os braços, encarando o teto rachado.

— O governo vai querer abafar isso. E com força.

— Mais do que isso — corrigiu Daphne. — Eles vão querer destruir qualquer um que saiba demais.

Um silêncio pesado caiu sobre o grupo. A realidade não era confortável: estavam na mira de um inimigo que podia manipular memórias, eliminar pessoas sem deixar rastros e controlar toda uma rede de informações.

— Precisamos de aliados — disse Raul, finalmente. — Se vamos virar o jogo, não dá para fazer isso sozinhos.

— E onde encontramos aliados quando todo mundo tem medo até da própria sombra? — rebateu Kevin, jogando uma pedra na lareira.

Bowie deu um passo à frente.

— Não somos os únicos com segredos. Se abrirmos os olhos, encontramos as rachaduras desse sistema. E é nelas que vamos entrar.

Daphne olhou para ele, intrigada.

— Você fala como se fosse fácil.

— Fácil? Nada. Mas impossível? Também não.

Ele se virou para o grupo, com os olhos brilhando de uma determinação que só quem já perdeu tudo pode carregar.

— Temos que começar o jogo dos fantasmas.

A primeira jogada foi uma missão arriscada: infiltrar um dos centros de comunicação satelital, onde o governo armazenava cópias criptografadas dos arquivos apagados na Área 66. Se conseguissem acesso, poderiam liberar as informações para o mundo e derrubar a rede de manipulação.

Valeska montou o plano com a precisão de uma cirurgiã.

— A instalação é fortificada, com guardas armados e câmeras por todos os cantos. A única maneira é entrar disfarçados, aproveitar o turno de troca e agir rápido.

Bowie sorriu.

— Disfarces são a minha praia.

— Você acha que o nariz de palhaço vai ajudar? — perguntou Daphne, quase rindo.

— Nunca subestime o poder do absurdo — respondeu ele, piscando.

Eles se dividiram em dois grupos: Bowie, Daphne e Kevin iriam para o centro de comando; Valeska, Raul e os irmãos Simões fariam a segurança externa e o apoio.

Na noite seguinte, com o céu nublado e a lua quase invisível, o grupo partiu para o ataque.

O ar estava pesado, quase sufocante. O silêncio cortado apenas pelo som de seus próprios passos e o ritmo acelerado do coração.

Ao se aproximarem da instalação, Bowie percebeu que o sistema de segurança era mais complexo do que imaginavam: sensores térmicos, drones de patrulha e até um sistema de reconhecimento facial.

— Isso não vai ser fácil — murmurou.

Daphne, analisando os equipamentos, deu um sorriso cínico.

— Nunca é fácil quando estamos envolvidos.

Com perícia, Bowie usou um pequeno dispositivo para interferir nas câmeras, criando pontos cegos temporários.

— A mágica da tecnologia contra a tecnologia da mágica — brincou.

Eles entraram, deslizando pelas sombras, evitando os sensores e os guardas.

Ao chegarem à sala principal, encontraram o servidor central: uma imensa máquina pulsante, rodeada por telas que exibiam dados e códigos em cascata.

Valeska, em comunicação via rádio, guiava Daphne na instalação do vírus que abriria os arquivos para o mundo.

Mas, como esperado, nada saia sem um preço.

O alarme disparou.

— Traíram a gente! — gritou Kevin, enquanto as portas começavam a se trancar.

Guardas cercaram o grupo rapidamente, armados até os dentes.

Bowie puxou um baralho do bolso, embaralhando cartas como um maestro de caos.

— Hora do espetáculo final.

Cartas voaram, ricocheteando nas paredes, enquanto Bowie usava movimentos rápidos para desarmar um dos soldados. Daphne e Kevin lutavam ferozmente, protegendo Valeska que tentava terminar a instalação do vírus.

Os segundos pareciam horas.

— 50%! — anunciou Valeska, desesperada.

— Só mais um pouco! — gritou Daphne.

Mas os guardas avançavam.

Num movimento ousado, Bowie lançou um cartão especial — uma carta com lâmina escondida — que desarmou o líder dos soldados.

Com a confusão, conseguiram escapar por um túnel de emergência, enquanto o vírus começava a se espalhar.

A base começou a ficar em caos, sistemas entrando em pane.

Eles correram sem olhar para trás, com a adrenalina pulsando nas veias.

Quando saíram para o ar fresco da noite, Bowie olhou para Daphne e sorriu.

— Sobreviver e mudar o mundo. Não é mágica, é realidade.

Mr. BowieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora