O sol ainda estava tímido, espreguiçando os primeiros raios por trás da colina quando o jipe acelerou pela estrada de terra. Bowie, Daphne e Valeska se seguravam enquanto Kevin fazia manobras que dariam inveja a qualquer piloto de rally — ou a um motorista de kombi em dia de bazar. O barulho da base explodindo atrás deles soava como uma sinfonia dissonante que anunciava o começo do fim... ou o fim do começo.
— Sério que você acha que destruir um governo é um hobby saudável? — Daphne perguntou, ajeitando o colete e olhando para Bowie com aquele olhar que misturava admiração e vontade de bater nele.
— Hobby? Não. É mais como... uma maratona de truques perigosos sem prêmio no final — respondeu Bowie, tirando o cigarro da boca para que o aroma da fumaça se misturasse ao cheiro de poeira e gasolina.
— E o que vem agora? — Valeska perguntou, com o olhar fixo na estrada à frente.
— Agora? — Bowie sorriu, com aquela pontinha de loucura que só os mágicos cultivam. — Agora a gente some. Mas antes, tem uma coisa que preciso fazer.
Daphne franziu a testa.
— O que você está aprontando, Bowie?
— Calma, isso não é um número de ilusionismo... é só uma pegadinha básica de espionagem. — Ele tirou da mochila um pequeno dispositivo que parecia uma joia futurista, mas que claramente escondia algo muito mais mortal.
Eles passaram por uma bifurcação onde Kevin diminuiu a velocidade. A estrada agora se dividia entre um caminho que levava para a zona urbana e outro que seguia para uma área florestal densa, quase um túnel verde entre as árvores.
— Zona urbana? — Daphne perguntou, olhando desconfiada para o lado sujo da cidade que já dava sinais de despertar.
— Não. Floresta. — Kevin respondeu seco. — Precisamos chegar ao esconderijo do "Ponto Cego".
— Aquele lugar que é a última esperança dos desertores? — Valeska completou.
— Exato. — Kevin fez uma curva brusca e entrou pelo caminho de terra que afundava em lama e galhos quebrados.
O jipe balançou como se tivesse entrado em uma montanha-russa, e Bowie soltou um gemido teatral.
— Pior que isso só se fosse uma montanha-russa em chamas.
— Então fique quieto e segure o chapéu, Houdini. — Daphne ironizou.
Eles seguiram pela estrada enlameada, em silêncio, exceto pelo som do motor e o ranger dos pneus.
Depois de uma meia hora, o caminhão diminuiu a velocidade até parar diante de uma antiga cabana camuflada entre as árvores, quase imperceptível para quem não soubesse o que procurava.
— Chegamos. — Kevin anunciou, desligando o motor.
O trio desceu com cuidado, observando os arredores. O lugar parecia abandonado, exceto por uma fina fumaça que escapava pela chaminé.
— O Ponto Cego não é um refúgio confortável — comentou Valeska. — Mas aqui é o único lugar onde ninguém vai nos caçar por enquanto.
Daphne respirou fundo.
— Se é aqui que vamos planejar o próximo ato, espero que seja melhor do que os últimos.
Bowie deu um sorriso sacana.
— Com esse elenco, vai ser inesquecível.
Eles entraram na cabana. O interior era escuro e cheio de mapas colados nas paredes, computadores com telas piscando e uma mesa com vários equipamentos espalhados — desde armas velhas até rádios de comunicação caseiros.
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Mr. Bowie
AçãoMr. Bowie é um golpista carismático, mestre da ilusão e envolvido nos mais ousados roubos dos últimos anos. Suas habilidades espetaculares em mágica e ilusionismo chamam a atenção do serviço secreto, e o caso passa a ser conduzido pelo implacável Ag...
