O problema de ser um ilusionista em uma missão secreta era simples: você nunca sabia se ia precisar de um coelho na cartola ou um lança-chamas escondido na meia. Mr. Bowie, naturalmente, carregava os dois. Ou quase isso.
Após escaparem por um fio de cabelo do túnel dos cadáveres – que mais parecia o porão de um açougue pós-apocalíptico – Bowie e Daphne estavam momentaneamente a salvo, escondidos em uma van disfarçada de "Serviço de Controle de Pragas". Era o disfarce do século: nada afasta mais os curiosos do que a possibilidade de ratos gigantes e baratas mutantes.
— Por que estamos parados há vinte minutos? — Daphne perguntou, apertada no banco traseiro, com uma expressão que misturava tédio e paranoia.
— Estou esperando o caminhão do lixo passar. — Bowie respondeu, vasculhando sua mochila de forma dramática. — E, honestamente, estou dando um tempo para o roteiro respirar. Não podemos ser intensos o tempo todo, não é? Até os filmes da Marvel têm um momento de piada no meio da destruição.
Ela suspirou.
— E esse plano mirabolante de agora é o quê? Nos disfarçarmos de sacos de lixo?
— Não! — Ele estalou os dedos como se tivesse uma epifania, embora claramente já soubesse o que faria — Vamos entrar pela porta da frente. Mas com estilo.
Quarenta minutos depois, o "estilo" havia se revelado.
Daphne observava incrédula o que Bowie havia conseguido improvisar em um brechó clandestino para drag queens em Berlim — o único lugar aberto naquela madrugada. Ele saía do provador usando um vestido vermelho colado, uma peruca loira volumosa e saltos mais altos do que sua dignidade permitiria.
— Isso é... — Daphne travou, sem saber se ria ou chorava. — Isso é o seu plano?
— Isso, minha querida, é arte. — Bowie deu uma volta sobre si mesmo, fazendo a saia esvoaçar de forma ridiculamente graciosa. — Hoje, meu nome é Scarlett Flamingo. E você será minha assistente pessoal, Olga Von Problematika.
Ela gargalhou. Era a primeira vez em dias que se permitia rir sem medo.
— Eu me recuso a ser chamada de Olga.
— Muito tarde. Já imprimi os crachás falsos. E o sotaque russo é essencial, então: "Privet, sou sua assistente, tovarich!" — Ele imitou mal e porcamente, o que só fez Daphne rir mais.
O plano era simples em teoria, completamente absurdo na prática: invadir uma festa privada de oficiais disfarçados como artistas de cabaré, para usar a rede de túneis da casa — conectada à antiga base — e sair do radar militar de vez.
O salão da mansão era dourado, luxuoso e completamente bizarro.
Entre champanhes, bigodes militares e mulheres com vestidos de penas, Scarlett Flamingo fazia sua grande entrada, rebolando como uma diva de Las Vegas em crise existencial. Daphne, ou melhor, Olga, vestia um terno justo, óculos escuros e uma expressão mortalmente séria, como uma guarda-costas russa que treinava boxe com ursos.
— Foco, Olga. Se nos perguntarem o que estamos fazendo aqui, diga que sou a atração da noite.
— E se perguntarem o que você vai apresentar?
— Um número de hipnose coletivo. Vamos fazê-los esquecer que me viram. Literalmente.
Eles caminharam pelo salão, atraindo todos os olhares. Bowie/Scarlett acenava com luvas vermelhas, enquanto Daphne/Olga fazia cara de quem arrancaria o rim de alguém só com o olhar.
— Essa ideia é tão ruim que talvez funcione. — sussurrou ela.
— Isso é o que eu chamo de magia em alto risco.
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Mr. Bowie
ActionMr. Bowie é um golpista carismático, mestre da ilusão e envolvido nos mais ousados roubos dos últimos anos. Suas habilidades espetaculares em mágica e ilusionismo chamam a atenção do serviço secreto, e o caso passa a ser conduzido pelo implacável Ag...
