Capítulo 24 - Labirintos e Máscaras

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O sol mal começava a se levantar quando Bowie, Daphne e os desertores chegaram ao esconderijo temporário — um prédio velho no centro da cidade, repleto de corredores escuros, salas vazias e ecos que pareciam sussurrar segredos que ninguém queria ouvir. O lugar tinha o ar de um labirinto esquecido, onde cada porta poderia ser um portal para a salvação... ou para a perdição.

Bowie olhou ao redor com aquele sorriso meio torto, meio cansado, que significava "estamos vivos, mas só por enquanto".

— Labirinto perfeito para quem quer se perder e desaparecer do mapa — comentou Daphne, jogando a mochila no chão.

— Ou para um mágico que gosta de desafios — respondeu ele, estalando os dedos.

Enquanto o grupo organizava as informações recuperadas da última operação, Valeska distribuiu os papéis: mapas da cidade, perfis dos agentes infiltrados, rotas de fuga e nomes que ninguém devia mencionar em voz alta.

— Essa é a nossa nova casa — anunciou ela. — Por enquanto, é o único lugar onde podemos respirar sem olhar por cima do ombro.

Mas ninguém estava realmente relaxado. O ar carregava a tensão de quem sabe que o inimigo está mais próximo do que aparenta.

A cidade que se estendia lá fora era um mosaico de sombras e luzes quebradas, onde cada esquina guardava histórias que ninguém contava. Bowie sentiu a necessidade urgente de entender como eles haviam chegado até ali — presos num jogo de poder, mentiras e memórias fragmentadas.

Daphne, sentada numa cadeira antiga, levantou os olhos do mapa.

— Você já pensou em quem realmente está por trás disso tudo? — perguntou, a voz firme. — Não os soldados, nem os oficiais, mas os mandantes invisíveis?

Bowie franziu o cenho.

— Você quer dizer... o verdadeiro cérebro por trás da Área 66?

— Exatamente. — Ela apontou para uma foto amarrotada de um homem de olhar frio, quase cínico. — Dr. Elias Brandt. Cientista e estrategista. Dizem que é ele quem puxa as cordas.

O nome causou um silêncio instantâneo.

— O cara parece uma caricatura de vilão de filme antigo — comentou Kevin, quebrando o clima.

— Só que ele é real — rebateu Valeska. — E perigoso.

Os desertores sabiam que atacar a figura que movia as peças do tabuleiro era quase uma missão suicida. Brandt era protegido por camadas de segurança, armadilhas digitais e uma legião de fanáticos.

Mas eles não tinham escolha.

Se queriam acabar com o ciclo de manipulação, tinham que enfrentar o coração da fera.

Enquanto Bowie e Daphne planejavam o próximo passo, um visitante inesperado chegou.

Era um homem alto, de olhos azuis penetrantes e expressão séria, vestindo um sobretudo cinza que parecia absorver a luz.

— Eu sou Marcus — disse ele, a voz grave e pausada. — Tenho informações que podem ajudar vocês.

Bowie arqueou uma sobrancelha.

— Informações? E por que deveríamos confiar num estranho vestido como personagem de novela policial?

Marcus sorriu, sem perder a compostura.

— Porque eu também estou na mira deles. E porque, se não pararmos isso juntos, ninguém vai sobreviver.

Nos dias seguintes, Marcus revelou detalhes que balançaram os alicerces do grupo. Ele era um ex-agente infiltrado, alguém que havia visto o lado sombrio do poder e decidido virar a mesa.

Mr. BowieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora