Capítulo 99

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Josh Beauchamp

O tempo não cura. 
Ele cobra. E não aceita desculpas.

A noite foi longa. 
Longa demais. 
O sono não veio. 
A culpa não deixou.

Cada vez que eu fechava os olhos, via o sangue nos lençóis. 
Via Sina. 
Via meu corpo sobre o dela. 
Via Any… distante. 
Frágil. 
Traída.

Acordei com o rosto pesado. 
O coração em guerra. 
E a alma em ruínas.

No dia seguinte, fui atrás de notícias de Any. 
Eu precisava saber. 
Precisava ver. 
Precisava sentir que ela ainda estava aqui.

Mas também… 
Tinha medo.

Medo de encarar seus olhos. 
Medo de ter que mentir. 
Medo de não ser perdoado.

Cheguei à ala médica. 
O médico me recebeu com cautela.

— Josh: Como ela está? Posso vê-la?

Ele respirou fundo. 
Olhou para os papéis. 
Depois para mim.

— Médico: Ela obteve melhora. Está estável. Mas ainda dorme. O corpo está reagindo bem. Acredito que acordará em breve.

— Josh: Então… não posso vê-la agora?

— Médico: Seria melhor esperar. Ela precisa acordar naturalmente. Sem estímulos. Sem pressão.

Assenti. 
E, por dentro, me senti aliviado. 
Eu não estava pronto. 
Não queria encarar minha amada e ter que esconder o que fiz. 
Ou pior… contar.

— Josh: E o bebê?

O médico hesitou. 
Folheou os exames. 
Evitou meus olhos.

— Médico: Ainda há batimentos. Mas o quadro é instável.

— Josh: Ele tem chances de sobreviver?

A pergunta doeu. 
Mas eu precisava saber.

— Médico: As chances são nulas. Mas não impossíveis. Pequenas. Quase inexistentes. Mas… há.

Eu respirei fundo. 
Engoli a dor. 
E fui direto ao ponto.

— Josh: Quero os laudos. Oficiais. Preciso que conste que o bebê está vivo. E bem. Que há progresso. Que há esperança.

— Médico: Senhor… isso não seria ético. Os dados não sustentam essa afirmação.

Me aproximei. 
Firme. 
Frio.

— Josh: Eu não estou pedindo. Estou ordenando.

Ele engoliu seco. 
Não respondeu. 
Mas anotou.

Passei o resto do dia correndo. 
Contra o tempo. 
Contra o sistema. 
Contra mim mesmo.

Assinei papéis. 
Pressionei conselheiros. 
Implorei por apoio.

Deixei os laudos nas mãos do meu pai.

— Josh: Faça o impossível. Faça valer. Faça ela viver.

Ele assentiu. 
Mas seus olhos… sabiam que não seria fácil.

Tentei evitar os pais de Sina. 
Mas eles surgiam em todos os corredores. 
Falando de flores. 
De votos. 
De netos que poderiam estar a caminho.

Eu queria gritar. 
Queria fugir. 
Queria apagar tudo.

Mais uma noite mal dormida. 
Mais uma madrugada em tormenta.

A segunda esposa Histórias para pegar e não largar. Descubra agora