Josh Beauchamp
Ser pai é como reaprender a viver.
É acordar com um choro e sorrir.
É se perder no cansaço e ainda assim querer mais.
É descobrir que o amor tem camadas que eu nunca imaginei.
Liam tinha acabado de completar cinco meses.
E cada dia com ele era uma surpresa.
O primeiro sorriso.
O primeiro resmungo de quem queria colo.
O primeiro som que parecia “papá”, mesmo que fosse só um balbucio.
Eu me pegava observando ele dormir.
Horas.
Só pra ver o peito subir e descer.
Só pra ter certeza de que ele estava ali.
Real.
Nosso.
Any era uma mãe extraordinária.
Mesmo cansada, mesmo com olheiras, mesmo com o corpo ainda se adaptando…
Ela era luz.
E Liam sabia.
Ele sorria diferente pra ela.
Como se reconhecesse o coração que o embalou por tanto tempo.
Às vezes, eu acordava no meio da noite e os encontrava assim:
Ela sentada na poltrona, ele mamando, os dois envoltos em silêncio e calor.
E eu pensava:
Se o mundo acabasse agora, eu teria vivido tudo.
Mas a vida, como sempre, é feita de luz e sombra.
E enquanto Liam crescia…
Meu pai definhava.
Ele vinha lutando há anos.
Uma doença silenciosa, que roubava suas forças aos poucos.
Mas ele nunca reclamava.
Nunca pedia nada.
Só observava.
E sorria quando via Liam.
—Ron:Ele me lembra você bebê.
Ele disse uma tarde, com Liam no colo.
—Josh:Ele é mais bonito.
Respondi, tentando sorrir.
—Ron:Mas tem o mesmo olhar.
—Ron:Aquele que carrega o peso do mundo…
—Ron:E ainda assim escolhe amar.
Eu não sabia o que dizer.
Então só fiquei ali.
Sentado ao lado dele.
Ouvindo Liam balbuciar e meu pai rir baixinho.
Nos dias seguintes, ele começou a dormir mais.
Falar menos.
E um dia, não levantou da cama.
O castelo ficou em silêncio.
Como se todos soubessem.
Como se o tempo tivesse parado.
Fui até o quarto dele sozinho.
Any ficou com Liam.
Ela sabia que eu precisava desse momento.
Meu pai estava deitado, os olhos fechados, a respiração fraca.
Mas quando me aproximei, ele abriu os olhos.
E sorriu.
—Ron:Você veio.
—Josh:Sempre.
Respondi, sentando ao lado da cama.
Ele me olhou por um tempo.
Como se quisesse guardar meu rosto.
Como se soubesse que era a última vez.
—Ron:Você se tornou o homem que sua mãe sonhou.
—Ron:E mais.
—Ron:Você é pai.
—Ron:E é bom nisso.
—Josh:Eu tive bons exemplos
Respondi, com a voz embargada.
Ele riu, fraco.
—Ron:Não fui perfeito.
—Ron:Mas amei vocês.
—Ron:Mesmo quando não soube demonstrar.
—Josh:Eu sei, pai.
Ele fechou os olhos por um instante.
Depois os abriu de novo.
—Ron:Cuida dela.
—Ron:Da Any.
—Ron:Ela é rara.
—Ron:E forte.
—Ron:E te ama de um jeito que poucos homens têm a sorte de conhecer.
—Josh:Eu sei.
—Josh:E eu amo ela do mesmo jeito.
Ele respirou fundo.
E então, com a voz quase inaudível, disse:
—Ron:E cuida do reino.
—Ron:Mas, acima de tudo…
—Ron:Cuida do seu lar.
Eu segurei sua mão.
E fiquei ali.
Até o último suspiro.
Depois me desabei em lágrimas.
O enterro foi no jardim real.
Ao lado da árvore que ele mesmo plantou quando eu nasci.
O céu estava cinza.
Mas não chovia.
Como se até o tempo respeitasse o luto.
Any ficou ao meu lado o tempo todo.
Com Liam no colo.
E quando as primeiras pás de terra cobriram o caixão, ela segurou minha mão com força.
—Any:Ele partiu em paz
Ela sussurrou.
—Josh:Sim
Respondi.
— Josh:E deixou tudo em ordem.
Olhei para Liam.
Ele me encarava com aqueles olhos grandes e atentos.
E eu soube.
A vida continuava.
Meu pai se foi.
Mas deixou raízes.
E agora…
Era minha vez de ser o tronco forte.
De sustentar.
De proteger.
De amar.
*****
(Até o próximo capítulo não esqueçam de comentar e votar 😌)
Maratona 2/3
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A segunda esposa
FanfictionConta a história do legado da família Beauchamp, uma família de linhagem real , onde a costumes e tradições, como casamento arranjado, e entre outros sendo possível ter um segundo casamento quando a primeira esposa não gerar herdeiros. " como será...
