Capítulo 115

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Josh Beauchamp

Ser pai é como reaprender a viver. 
É acordar com um choro e sorrir. 
É se perder no cansaço e ainda assim querer mais. 
É descobrir que o amor tem camadas que eu nunca imaginei.

Liam tinha acabado de completar cinco meses. 
E cada dia com ele era uma surpresa. 
O primeiro sorriso. 
O primeiro resmungo de quem queria colo. 
O primeiro som que parecia “papá”, mesmo que fosse só um balbucio.

Eu me pegava observando ele dormir. 
Horas. 
Só pra ver o peito subir e descer. 
Só pra ter certeza de que ele estava ali. 
Real. 
Nosso.

Any era uma mãe extraordinária. 
Mesmo cansada, mesmo com olheiras, mesmo com o corpo ainda se adaptando… 
Ela era luz. 
E Liam sabia. 
Ele sorria diferente pra ela. 
Como se reconhecesse o coração que o embalou por tanto tempo.

Às vezes, eu acordava no meio da noite e os encontrava assim: 
Ela sentada na poltrona, ele mamando, os dois envoltos em silêncio e calor. 
E eu pensava: 
Se o mundo acabasse agora, eu teria vivido tudo.

Mas a vida, como sempre, é feita de luz e sombra. 
E enquanto Liam crescia… 
Meu pai definhava.

Ele vinha lutando há anos. 
Uma doença silenciosa, que roubava suas forças aos poucos. 
Mas ele nunca reclamava. 
Nunca pedia nada. 
Só observava. 
E sorria quando via Liam.

—Ron:Ele me lembra você bebê.

Ele disse uma tarde, com Liam no colo. 

—Josh:Ele é mais bonito.

Respondi, tentando sorrir.
 
—Ron:Mas tem o mesmo olhar. 
—Ron:Aquele que carrega o peso do mundo… 
—Ron:E ainda assim escolhe amar.

Eu não sabia o que dizer. 
Então só fiquei ali. 
Sentado ao lado dele. 
Ouvindo Liam balbuciar e meu pai rir baixinho.

Nos dias seguintes, ele começou a dormir mais. 
Falar menos. 
E um dia, não levantou da cama.

O castelo ficou em silêncio. 
Como se todos soubessem. 
Como se o tempo tivesse parado.

Fui até o quarto dele sozinho. 
Any ficou com Liam. 
Ela sabia que eu precisava desse momento.

Meu pai estava deitado, os olhos fechados, a respiração fraca. 
Mas quando me aproximei, ele abriu os olhos. 
E sorriu.

—Ron:Você veio.

—Josh:Sempre.

Respondi, sentando ao lado da cama.

Ele me olhou por um tempo. 
Como se quisesse guardar meu rosto. 
Como se soubesse que era a última vez.

—Ron:Você se tornou o homem que sua mãe sonhou. 
—Ron:E mais. 
—Ron:Você é pai. 
—Ron:E é bom nisso.

—Josh:Eu tive bons exemplos

Respondi, com a voz embargada.

Ele riu, fraco.

—Ron:Não fui perfeito. 
—Ron:Mas amei vocês. 
—Ron:Mesmo quando não soube demonstrar.

—Josh:Eu sei, pai.

Ele fechou os olhos por um instante. 
Depois os abriu de novo.

—Ron:Cuida dela. 
—Ron:Da Any. 
—Ron:Ela é rara. 
—Ron:E forte. 
—Ron:E te ama de um jeito que poucos homens têm a sorte de conhecer.

—Josh:Eu sei. 
—Josh:E eu amo ela do mesmo jeito.

Ele respirou fundo. 
E então, com a voz quase inaudível, disse:

—Ron:E cuida do reino. 
—Ron:Mas, acima de tudo… 
—Ron:Cuida do seu lar.

Eu segurei sua mão. 
E fiquei ali. 
Até o último suspiro.
Depois me desabei em lágrimas.

O enterro foi no jardim real. 
Ao lado da árvore que ele mesmo plantou quando eu nasci. 
O céu estava cinza. 
Mas não chovia. 
Como se até o tempo respeitasse o luto.

Any ficou ao meu lado o tempo todo. 
Com Liam no colo. 
E quando as primeiras pás de terra cobriram o caixão, ela segurou minha mão com força.

—Any:Ele partiu em paz

Ela sussurrou.

—Josh:Sim

Respondi.

— Josh:E deixou tudo em ordem.

Olhei para Liam. 
Ele me encarava com aqueles olhos grandes e atentos. 
E eu soube. 
A vida continuava.

Meu pai se foi. 
Mas deixou raízes. 
E agora… 
Era minha vez de ser o tronco forte. 
De sustentar. 
De proteger. 
De amar.

*****

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