Any Gabrielly
Minhas mãos ainda estavam sujas de sangue.
Quentes.
Tremendo.
O cheiro metálico impregnava minha pele, como se quisesse me lembrar do que eu fiz.
Do que eu me tornei.
O corpo de Taylor jogado aos meus pés.
Os olhos abertos. Sem vida.
E eu... eu fui quem tirou isso dela.
Mas antes disso, ela já havia tirado tudo de mim.
Meu filho.
Meu bebê.
Meu pequeno príncipe.
Ela matou ele.
E Josh... sabia.
Ele sabia.
E não me contou.
A dor que me atravessava não era só pela morte.
Era pela mentira.
Pela omissão.
Pelo silêncio que gritou mais alto que qualquer verdade.
Josh Beauchamp.
O homem que eu amei. Que amo.
O homem que me fez sentir segura.
O homem que me beijava como se o mundo fosse nosso.
Era também o homem que trancafiou uma mulher.
Que a torturou.
Que se vingou com crueldade.
E agora... eu era como ele.
Eu matei.
Fui pior que ele.
Talvez.
A diferença entre nós?
Nenhuma.
Talvez só o tempo.
Meus olhos ardiam.
Minha cabeça latejava.
O chão parecia se mover sob meus pés.
Tontura.
Enjoo.
Meu estômago se revirava como se quisesse expulsar tudo que eu era.
Eu queria vomitar.
Queria desmaiar.
Queria desaparecer.
Mas tudo que eu conseguia era ficar ali.
Parada.
Com o mundo inteiro me olhando.
Os pais de Taylor se jogaram sobre o corpo dela.
A mãe chorava alto, como se quisesse acordá-la.
O pai a balançava, desesperado, como se o tempo pudesse voltar.
E eu...
Eu reconheci aquela dor.
A dor de perder um filho.
E saber que nada vai trazer de volta.
A dor que eu senti quando meu bebê morreu.
Quando chorei sozinha, quebrada, sem ar.
Quando senti meu ventre vazio e minha alma ainda mais.
Por um instante, eu não vi inimigos.
Vi pais.
Vi luto.
Vi o reflexo da minha própria ruína.
Mas então, a mãe de Taylor se levantou.
E seus olhos encontraram os meus.
— Mãe de Taylor:Ela matou minha filha!,
ela tirou a vida da minha menina!
Gritou.
E então se aproximou de mim, cambaleando, os olhos vermelhos e cheios de ódio.
—Mãe de Taylor :Assassina! Você matou minha filha! Você tirou ela de mim!
Josh entrou na frente.
Rápido.
Firme.
Instintivo.
— Josh:Não encoste nela.
—Mãe de Taylor :Ela matou minha filha, Joshua! Você vai defendê-la agora?
—Josh: Ela está em choque. Ela está sofrendo. E você não vai tocar nela.
— Mãe de Taylor: Ela era sua esposa, a sua primeira mulher... Que você jurou proteger e amá-la. E agora ela está morta.
Josh se calou. Mas não recuou.
Ele estava disposto a me defender.
Isso era nítido.
Talvez nem tudo estava perdido.
Entre nós.
— Pai de Taylor:Ela deve pagar!Ela deve ser punida! Que seja julgada! Que seja condenada! Que morra como minha filha morreu!
Gritou.
Mãe de Taylor chorava, mas recuou.
Não por medo.
Mas porque o rei se adiantou.
— Ron: Chega.
Todos se calaram.
— Ron:Guardas. Levem a princesa Any para os aposentos reais. Ela será mantida sob custódia até que nós entramos em um bom senso.
Eu vou ser presa.
Josh se virou, em choque.
—Josh: Pai, não! Ela...
—Ron: Ela tirou uma vida, Joshua. E mesmo que essa vida tenha sido de uma assassina, a coroa exige justiça. Não podemos ignorar isso.
Os guardas se aproximaram.
Josh tentou me proteger.
Mas eu toquei sua mão.
—Any: Está tudo bem.
Ele me olhou.
Como se quisesse me salvar.
Como se quisesse fugir comigo.
Como se quisesse apagar tudo que aconteceu.
Mas eu não tinha mais forças.
—Josh: eu vou te defender..
Pode vê o desespero de meu príncipe.
Enquanto os guardas me escoltavam, vi Sina parada ao fundo.
Imóvel.
Observando tudo.
E então, ela sorriu.
Um sorriso pequeno.
Quase imperceptível.
Mas real.
Frio.
Calculado.
Como se estivesse satisfeita.
Como se tudo isso fosse parte de um plano maior.
Como se eu fosse carta fora de seu jogo.
A tontura voltou.
Mais forte.
Meus passos vacilaram.
O estômago se revirou com violência.
Uma ânsia subiu pela garganta, e por um segundo, achei que fosse cair ali mesmo.
Mas continuei.
Um passo.
Depois outro.
Como se cada movimento fosse uma sentença.
Fui levada.
Sem resistência.
Sem palavras.
E enquanto caminhava, escoltada, com o sangue ainda quente em minhas roupas,
só uma coisa ecoava em minha mente:
Eu matei.
Fui traída.
E agora... estou sozinha.
Mas algo dentro de mim... ainda vive.
*****
(Até o próximo capítulo não esqueçam de comentar e votar 😌)
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A segunda esposa
FanfictionConta a história do legado da família Beauchamp, uma família de linhagem real , onde a costumes e tradições, como casamento arranjado, e entre outros sendo possível ter um segundo casamento quando a primeira esposa não gerar herdeiros. " como será...
