Capítulo 100

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Josh Beauchamp

Caminhei pelos corredores. 
Com raiva. 
Com lágrimas. 
Com a alma em pedaços.

Passei pelo quarto. 
Abri a gaveta. 
Peguei o que precisava. 
Algo pequeno. 
Frio. 
Preciso. 
Coloquei no bolso. 
E segui.

Minha mente estava em colapso. 
Meu peito, arruinado. 
Any não acreditava no meu amor. 
E tudo que aconteceu com ela… 
Foi, de alguma forma, culpa minha.

Desde o dia em que ela se tornou minha esposa. 
Desde o dia em que o mundo começou a puni-la por me amar.

Eu era a ruína de sua dor e sofrimento. 
Era minha vez de ser corajoso.

O castelo inteiro vibrava. 
Sinos, flores, música. 
Sorrisos falsos. 
Promessas vazias.

Mas dentro de mim… 
Só havia ruínas.

Caminhei como um fantasma. 
O terno branco colava no corpo como uma maldição. 
O suor frio escorria pela nuca. 
O coração… já não batia. 
Ele gritava.

Cada passo ecoava como um aviso. 
Cada lembrança da minha conversa com Any me rasgava por dentro. 
Ela não acreditava mais em mim. 
E talvez… ela tivesse razão.

Eu não trago a felicidade, só desgosto.

Mas então… 
Um guarda me parou no corredor.

— Guarda: Alteza. Precisamos conversar.

—Josh: Agora não.

—Guarda: É sobre o julgamento de Any.

Parei. 
Respirei fundo. 
O coração acelerado.

— Guarda: As notícias não são tão boas.

—Josh: Diga.

— Guarda: O conselho está disposto a cooperar. Mesmo que não veja o porquê… já que você seguiu em frente.

Essas palavras me rasgaram. 
Como se dissessem que Any já não importava. 
Como se o casamento fosse prova de esquecimento.

— Josh: Eles vão decidir depois da cerimônia?

— Guarda: Sim. Após o casamento, o destino dela será anunciado.

Assenti. 
Mas por dentro… 
Já não havia cerimônia. 
Só sentença.

Continuei meu caminho.
Cheguei à porta do quarto de Sina. 
Não bati. 
Não anunciei. 
Invadi.

Ela estava pronta. 
Vestida como uma princesa. 
Linda. 
Impecável. 
Falsa.

Ela se virou, surpresa. 
Mas não assustada. 
Ainda não.

— Sina: Você não devia me ver assim. É contra a tradição. A cerimônia é em alguns minutos.

— Josh: Não vai haver cerimônia.

Ela congelou. 
O sorriso sumiu. 
O sangue pareceu sumir do rosto.

— Sina: O que você está dizendo?

— Josh: Que não vai haver casamento. Nem hoje. Nem nunca.

Me aproximei. 
Ela deu um passo para trás. 
Mas eu fui mais rápido.

— Josh: Você me drogou. Me usou. Me prendeu a você. E agora quer que eu sorria diante do altar?

Ela tentou responder. 
Mas não teve tempo.

Tampei sua boca com força. 
Ela ofegou. 
Os olhos arregalados.

Encarei ela de perto. 
Frio. 
Resoluto.

— Josh: Você cometeu um grande erro. 
—Josh:Você poderia ter qualquer outro príncipe. 
—Josh:Mas escolheu destruir o único que não te queria.

— Josh: E o pior… 
— Josh :Você destruiu o que eu tinha com Any. 
—Josh:Você manchou a confiança que ela depositava em mim. Tudo que eu era ... Você quebrou.
— Josh:Por um capricho
—Josh: Por uma noite.
—Josh:Por querer o que nunca foi  seu

E então… 
deslizei a  mão até o bolso. 
Peguei.
A faca. 
Fria. 
Letal.

Cravei em sua barriga.
Rápido. 
Firme. 
Letal.

— Josh: Eu nunca fui seu. 
—Josh:E nunca serei.

Retirei a faca.
E deixei cair
Entre nós.

Ela recuou. 
Cambaleando. 
Me olhou. 
Espantada. 
Desacreditada.

Caiu. 
Devagar. 
Silenciosa.

Me ajoelhei. 
Toquei seu rosto. 
Sem lágrimas. 
Sem arrependimento.

Foi quando ouvi os sinos. 
Soando alto. 
Chamando para o início da cerimônia. 
Chamando para a mentira.

Me levantei. 
Peguei Sina no colo. 
Seu corpo sem vida. 
O vestido manchado.

Caminhei pelo corredor. 
Com ela nos braços. 
Com o mundo em choque. 
Com o inferno dentro de mim.

Entrei no salão. 
Todos se viraram. 
O rei se levantou. 
O silêncio caiu como uma lâmina.

Parei diante do altar. 
E a deixei ali. 
Aos pés do rei. 
Aos pés da mentira.

— Josh: Aqui está a noiva.

Silêncio absoluto. 
O reino inteiro parou.

Me virei. 
Lento. 
Com o peito em chamas. 
Com o sangue ainda quente nas mãos.

E então… 
A vi.

Any. 
De pé. 
Na entrada do salão. 
Frágil. 
Pálida. 
Mas firme.

Seus olhos estavam fixos em mim. 
Ela podia ver minha prova de amor. 
Como todos ao nosso redor.

E eu… 
Já não precisava dizer mais nada.

*****

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