Capítulo 104

1.3K 144 24
                                        


Josh Beauchamp

Ela me beijou. 
Ali. 
Diante de todos. 
Diante do trono. 
Diante do reino.

Mas aquele beijo… 
Não era só um beijo.

Era um recomeço. 
Era um perdão. 
Ou, pelo menos… 
Uma tentativa.

Seus lábios tocaram os meus com doçura. 
Mas havia dor ali. 
Havia medo. 
Havia amor.

E eu senti tudo. 
Cada segundo. 
Cada batida do seu coração. 
Cada tremor da sua alma.

Ela estava dizendo: 
“Ainda estou aqui.” 
“Ainda sou sua.” 
“Ainda acredito em nós.”

E naquele instante… 
Eu soube.

Eu podia ser rei. 
Podia ter o trono. 
O povo. 
O poder.

Mas nada disso importava… 
Se eu não tivesse ela.

Quando o beijo terminou, o salão estava em silêncio. 
Mas não era medo. 
Era reverência.

O reino havia se curvado. 
Não apenas a mim. 
Mas a nós.

Me aproximei de Noah. 
Firme. 
Mas com um olhar de cumplicidade.

—Josh:A partir de hoje… 
—Josh:Você não é apenas meu guarda real. 
—Josh: É meu braço direito. 
—Josh:Meu escudo. 
—Josh:Minha sombra.

Ele me olhou, surpreso. 
Mas honrado. 
Assentiu com respeito.

—Josh:Edmund… 
—Josh:Será deslocado. 
—Josh:A partir de agora, cuidará exclusivamente do bem-estar do meu pai. 
—Josh:Nada mais.

O tempo dele ao meu lado acabou. 
O meu reinado começa com quem eu confio. 
E eu confio em Noah.

Ele se curvou diante de mim. 
Silencioso. 
Leal.

E naquele gesto… 
Eu soube que estava cercado por quem realmente importa.

Os médicos se aproximaram. 
Tensos. 
Hesitantes. 
Como se cada passo pudesse ser o último. 
Um deles tremia. 
O outro evitava meu olhar.

Um deles se ajoelhou.

—Médico: Alteza… 
—Médico: Perdão. 
—Médico: Podemos levá-la de volta à ala médica?

Olhei para eles. 
Friamente. 
Como quem pesa uma sentença.

—Josh: Não. 
—Josh: Ela será cuidada no quarto. 
—Josh: Assim posso ficar de olho nela… 
—Josh: Já que vocês são incompetentes pra isso.

Eles engoliram em seco. 
Não ousaram responder. 
Um deles chegou a dar um passo para trás.

—Josh: Noah ficará na porta. 
—Josh: E se ela quebrar o repouso… 
—Josh: Vocês vão desejar que eu só esteja decepcionado.

Any assentiu. 
Fraca. 
Mas firme. 
Seus olhos estavam cansados, mas havia luz neles. 
A luz de quem ainda acredita.

Me aproximei. 
Segurei seu rosto. 
Dei um selinho leve. 
Como quem sela um pacto.

—Josh: Em algumas horas estarei com você. 
—Josh: Só preciso assinar algumas burocracias da cerimônia.

Ela assentiu. 
E Noah a levou. 
Com cuidado. 
Com respeito.

Meu pai se aproximou. 
Com um sorriso contido. 
Mas os olhos… 
Carregavam orgulho.

—Ron: Você conseguiu. 
—Ron: Salvou sua rainha da forca.

Assenti. 
Mas não sorri. 
Ainda havia muito a proteger.

Cumpri todos os protocolos. 
Assinei documentos. 
Recebi juramentos. 
Ouvi promessas. 
Cada palavra era pesada. 
Cada assinatura… uma responsabilidade.

O conselho se despediu. 
Com olhos baixos. 
Com vozes trêmulas. 
Com medo.

—Conselheiro: Lamentamos o desentendimento com a rainha Any. 
—Conselheiro: Agradeceríamos se tudo ficasse no passado.

Eles temiam que eu os matasse. 
E estavam certos.

—Josh: Fico feliz que tenham entendido o recado.

Mais tarde… 
Cheguei ao novo quarto.

Any estava lá. 
De camisola. 
Admirando o espaço. 
Linda. 
Como sempre.

A luz do entardecer entrava pelas janelas. 
Dourando sua pele. 
Realçando seus traços.

Me aproximei por trás. 
Abracei sua cintura. 
Afundei o rosto em seu pescoço. 
Inalei seu cheiro. 
Beijei sua pele.

Ela se virou. 
Devagar. 
Com os olhos marejados.

Antes de beijar sua boca… 
Parei.

—Josh: Está tudo bem entre nós? 
—Josh: Aquele beijo… 
—Josh: Foi perdão? 
—Josh: Foi recomeço?

Ela assentiu. 
Com os olhos. 
Com o coração.

—Any: Sim. 
—Any: Foi tudo isso.

Sorri. 
Como quem respira depois de afogar.
Então sem pressa beijei sua boca , e nossas línguas se encontraram em uma dança gostosa.
Que só foi interrompida quando o ar nos faltou.
Encerrei o beijo com alguns selinhos.

—Josh: Vai valer a pena. 
—Josh: Eu prometo.

Acariciei sua barriga. 
Com cuidado. 
Com esperança.

—Josh: Seja forte, meu pequeno. 
—Josh: Você tem uma mãe incrível. 
—Josh: E um pai disposto a destruir o mundo por vocês.

Ela sorriu. 
Mas estava de pé.

—Josh: Você não devia estar de pé. 
—Josh: Precisa de repouso. 
—Josh: Nosso bebê precisa de você forte.

Antes que ela respondesse… 
A peguei no colo. 
Com cuidado. 
Com zelo.

A deitei sobre a cama. 
Ajeitei os travesseiros. 
Cobri suas pernas.

—Josh: Essa camisola… 
—Josh: Está me deixando louco.

Ela riu. 
Baixo. 
Mas verdadeiro.

—Josh: Não vejo a hora do bebê estar fora de risco… 
—Josh Pra te ter. 
—Josh:Inteira. 
—Josh:Pra mim.

Ela tocou meu rosto. 
E naquele toque… 
Eu soube.

O reino pode estar em silêncio. 
Mas aqui… 
Aqui há amor.

— Any: Eu te amo. Meu príncipe.



*****

(Até o próximo capítulo não esqueçam de comentar e votar 😌)


A segunda esposa Histórias para pegar e não largar. Descubra agora