Any Gabrielly
Acordei com o corpo pesado.
Como se o mundo tivesse desabado sobre mim.
Como se eu tivesse afundado… e só agora voltasse à superfície.
O chão ainda era frio.
O ar, úmido.
O cheiro…
Sangue.
Ferro.
Medo.
Mas havia algo diferente.
Um calor.
Um toque.
Um corpo ao lado do meu.
Josh.
Ele estava ali.
Deitado comigo.
Imóvel.
Vivo.
Presente.
A coberta que ele havia trazido me envolvia.
A mesma que escorregou de suas mãos quando prometeu matar um por um.
Agora, ela me cobria como um escudo.
Como uma promessa cumprida.
Me mexi devagar.
Cada músculo doía.
Cada lembrança pesava.
Mas eu não tremia mais.
Josh virou o rosto para mim.
Seus olhos estavam abertos.
Cansados.
Mas firmes.
Como se ele tivesse passado a noite inteira acordado.
Como se ele tivesse vigiado meus sonhos.
— Any: Você não dormiu?
— Josh: Não precisava. Só precisava estar aqui.
Fechei os olhos por um instante.
A dor ainda estava lá.
Mas havia algo mais.
Algo novo.
Presença.
Toquei sua mão.
Ele apertou de volta.
Sem força.
Sem pressa.
Só certeza.
Olhei ao redor.
A cela continuava imunda.
Ferro enferrujado.
Mofo nas paredes.
Urina no chão.
Ratos nos cantos.
Mas algo havia mudado.
Eu não estava mais sozinha.
Josh se sentou devagar.
Me olhou com cuidado.
E então, sem dizer nada, pegou meus braços.
Os hematomas estavam ali.
Roxos.
Marcados.
Como lembranças vivas da noite anterior.
Ele os encarou por um tempo.
Depois, os beijou.
Um por um.
Com delicadeza.
Com dor.
Mas eu vi.
Vi o quanto aquilo o incomodava.
O quanto aqueles roxos o feriam mais do que qualquer espada.
— Any: Ei…
— Any: Eu estou bem.
Ele não respondeu.
Só fechou os olhos por um instante.
Como se tentasse conter o que ainda queimava por dentro.
—Josh: eu preciso tirar você deste lugar.
Eu toquei seu rosto.
Com calma.
Com cuidado.
— Any: você precisa descansar.
—Josh: Eu não consigo dormir. Eu não quero.
— Josh: Só consigo pensar em uma forma de tirar você daqui.
— Josh: Antes que eu enlouqueça.
— Josh: Ou mate todo mundo.
A voz dele saiu baixa.
Mas carregada.
Como se cada palavra fosse uma ameaça contida.
— Any: Dorme um pouco. Por mim.
Ele hesitou.
Depois se deitou novamente.
Frustado.
Me puxou para perto.
E eu deixei.
O silêncio voltou.
Mas era um silêncio diferente.
Mais leve.
Mais humano.
E então…
Adormecemos.
Não sei quanto tempo passou.
Mas acordei com o gosto amargo na boca.
O estômago revirado.
O corpo em alerta.
Me levantei de repente.
Me apoiei no canto da cela.
E vomitei.
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A segunda esposa
FanficConta a história do legado da família Beauchamp, uma família de linhagem real , onde a costumes e tradições, como casamento arranjado, e entre outros sendo possível ter um segundo casamento quando a primeira esposa não gerar herdeiros. " como será...
