O encontro entre eles foi agitado, movido por muitos sentimentos, e pouca paciência.
Tudo o que Penélope queria era fazer uma tatuagem, a possível dor ou o fato do lugar escolhido deixar o seu rosto em brasas não eram um problema. O seu maior probl...
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Desde minha última visita aos irmãos do Shane e as meninas, os dias estão passado super rápido. Pisquei, e era quase meiado de outubro já, o mês do halloween. Halloween esse que Shane anda levando tão a sério que estava me enlouquecendo. Ele não me levou apenas para comprar itens de decoração para o apartamento dele, como para o meu e das meninas, e para o bar do Marcus.
Eu e as meninas não temos o costume de comemorar essas coisas em trio. Elas apenas se fantasiam dia trinta e um e vão para alguma festa beber e talvez trepar. E eu? Eu não fazia merda nenhuma. Era só mais um dia normal para mim.
Eu no máximo compraria alguma bebida ou doce que só ficavam disponíveis durante outubro e eram inspirados no Halloween, me enchia deles, e dormia. Esse era o meu halloween, o meu natal e o meu ano novo. Ah, e o meu aniversário também. Ninguém ousava me tirar de casa no fim de ano. Eu não ia nem visitar os meus pais porque a minha mãe se tornava ainda mais insuportável nas festas de fim de ano com aquele perfeccionismo doentio dela e do restante da família.
Shane acreditou em mim? Não. Eu repeti? Sim. Ele acreditou? Ainda não. Ele perguntou para as meninas? Sim. Elas confirmaram? Sim. Aí ele acreditou? Ele ficou aterrorizado. Acho que teve até pesadelos comigo enfurnada dentro de casa no escuro porque no dia seguinte me levou as compras e decorou o apê, em especial o meu quarto, que a essa altura não era mais meu.
Eu poderia ter mandado ele parar com tudo aquilo e eu sei que ele respeitaria a minha decisão, mas eu não consegui. Ver a empolgação dele falando que deixaria eu escolher tudo e que faria de tudo para eu ter o primeiro e melhor halloween da minha vida junto dele...amoleceu o meu coração e todas as minhas defesas.
Então, eu deixei. E acabei me divertido um pouquinho com tudo disso. E talvez, só talvez, eu estivesse começando a me sentir empolgada e ansiosa para o halloween.
E foi assim que meu quarto passou de "quarto sem graça" - palavras do próprio Shane - para "quarto estiloso e assombroso" também palavras dele.
Ele comprou almofadas de abóbora, capas de travesseiro no tema, teias de aranha falsa, luzes de mini abóboras e mais uma cambada de coisas. Ele até criou um altar sinistro no topo da minha cômoda e que, segundo ele, combinava super comigo, com velas e cartas de tarot ou algo assim. Não ficou feio, e o altar até agora foi o que eu mais gostei. Dava a sensação de que eu iria chamar algum ser demoníaco e fazer dele meu escravo. E meio que eu evoquei um, só que o demônio que apareceu era o idiota do Shane porque quando eu fingi estar chamando um demônio na frente do altar ele fingiu ser um e falou "Sou o demônio das tatuagens, seu escravo, senhora, faça o que quiser de mim" e piscou. Aquele safado.
— Pen? — escutei a voz da Nora quando eu estava sentada no chão do meu quarto terminando um trabalho da faculdade.
Não sei porque inventei de cursar letras, curso do cão. Mil vezes meu curso de contadora, todos os meus amados números e todos os meus outros cursos que não envolvem letras. Isso que dá achar que pode ser de humanas e exatas. Quando peguei meu diploma em ciências contábeis e, claro, passei com notas altas em tudo, eu arrasei, graças ao papai que me ensinava sobre isso desde que eu era pequena quando descobri minha paixão por números. Mas logo depois que conclui, mamãe veio falando sobre visitar mais ela e sei lá mais o quê, e eu me enfiei no primeiro curso que passou na minha cabeça, letras, em partes porque eu pensava em trabalhar revisando histórias, livros. Atualmente eu já não tinha tanta certeza se queria mesmo isso.