CAPÍTULO 36

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         Toda a situação com a polícia se resolveu mais rápido do que achei depois que a Daisy deu aquele telefonema misterioso dela. Eles conversaram com ela, depois com a equipe, fomos até a delegacia prestar depoimento e acabou. Simples assim. Melhor do que nos filmes.

— Eles vão arquivar o caso. Legítima defesa e afins. Podemos por um ponto final no Dimitri e esquecer daquele cretino que eu espero estar sendo torturado no inferno, se o inferno realmente existir.  — Daisy disse quando saiu da delegacia minutos depois da gente, que estávamos esperando por ela do lado de fora.

— Ok, isso foi estranho. Eficaz, porém muito suspeito. — Apaguei meu cigarro e joguei fora na lata de metal feita apenas para as guimbas. — Você é alguma mafiosa? Ou tem um contato com mafiosos?

— Shane! — Stephan me empurra. — Não precisa responder, loirinha.

— Que foi!? — bufo, empurrando ele de volta e sendo arrastado junto quando ele cerca meus ombros, rindo. — Preciso saber o que a futura mulher do meu irmão é! Não posso te deixar casar com ela se for uma foragida!!!

— Podemos conversar sobre meu passado de possível mafiosa quando voltarmos do hospital, combinado? Estou faminta e exausta. — Daisy suspira, andando na direção do carro do tio Marcus esperando pela gente lá dentro, cochilando, inclusive.

— Está bem. Eu irei cozinhar a nossa janta. Vocês vão amar. — Entrei no banco de trás junto do Stephan. Eu deveria ter vindo com a minha moto, mas não confiava em mim mesmo nesse momento para dirigir, só de lembrar do desgraçado do Dimitri falando da didi daquele jeito eu tinha vontade de reviver ele pra sufocar o bastardo com as minhas próprias mãos.

— Quer que eu diriga, Marcus? Parece cansado.

— É, quero sim, menina. — Ele suspirou e saiu do carro, os dois trocando de assento e a loira dando a partida em poucos segundos após lembrar todos nós do cinto de segurança.

Tio Marcus tinha uma expressão de exaustão pura. Algo que vinha não apenas de noites mal dormidas, mas de todos os últimos acontecimentos, de ver nosso irmão naquele estado de puro pavor, o medo de perder a Dionisía que a essa altura já tinha se tornado parte da família e do coração do Lucius que desmoronaria se perdesse ela, sem chance de cura. A possibilidade de suicídio dele deixaria de ser um passado e viraria um presente porque eu duvidava que ele aceitaria continuar vivo sem a Dionisía preenchendo e trazendo luz para dentro do mundo escuro dele. E só a ideia de ter o nosso cinzeiro...arrancado da gente...nenhum de nós aguentaria.

— Acho que você precisa estar em constante adrenalina para esse trauma não te incomodar — Stephan brincou quando o carro estava em movimento e eu comecei a ter dificuldade em manter a minha respiração estável, balançando a perna nervoso, e evitando olhar para o painel.

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