CAPÍTULO 35

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        Esperar o Lucius e a Dionisía voltarem foi uma verdadeira tortura. E durante esse longo tempo eu aprendi a fazer todas as bebidas novas do cardápio junto do tio Marcus e do Stephan, mas nem mesmo isso foi capaz de fazer o tempo passar mais rápido. Penélope não respondeu minhas últimas mensagens também, o que tem me piorado minha ansiedade.

— Shane — Tio Marcus chama a minha atenção quando estamos eu e ele sentados atrás do balcão e Stephan no banheiro.

— Sim, tio?

Ele deu um sorrisinho em resposta, o mesmo que sempre dava toda vez que eu o chamava de tio, como se fosse a primeira vez em que ouvia isso, sendo que eu o chamo assim desde que o conheci. No início porque era assim que eu me referia aos mais velhos, e depois porque ele realmente se tornou um tio de verdade para mim, e secretamente um pai também quando meu próprio pai não conseguiu me perdoar pelo acidente de carro, e por causa de todas escolhas que tomei desde que deixei o México.

— Lucius está bem. Relaxa. Logo logo eles estão de volta. — Ele mexe a mão no ar, tentando passar um pouco de conforto.

— O senhor sabe quem era aquela mulher?

— Sim. É aquela menina que ajudou ele a não cometer suicídio. Naquela noite em que ele sumiu e ficamos procurando ele. — ele movimenta a cabeça para cima e para baixo algumas vezes.

— Você acha que existe alguma chance do Lucius...ainda sentir algum por essa mulher?

O tio Marcus nega com a cabeça, soltando uma risada.

— Lucius é louco pela Dionisía, ele ama ela como nunca amou nenhuma mulher antes. Talvez ele ainda não tenha percebido isso, mas disso eu tenho certeza absoluta. Acredito que ele só sente gratidão por essa moça grávida. — Ele coloca a mão no meu ombro e sorri. — Conheço aquele garoto bem, aprendi a escutar o silêncio dele. Confie.

— Tio — chamo depois de alguns instantes. — O senhor se arrependeu em algum momento? — pergunto, me apoiando na bancada e descansando o queixo nos meus antebraços.

— Me arrependi do quê? — ele dá uns goles da garrafa de água dele, e senta no banco de madeira em frente ao caixa.

— De cuidar de todos nós. De toda essa tarefa.

— Nunca. E não foi uma "tarefa" e sim uma escolha feita com o coração. Esse tipo de escolha nunca é acompanhada do arrependimento. — responde sem nenhum pingo de hesitação, apanhando a garrafa de água dele e dando vários goles.

— Mesmo com todas as merdas que fizemos? Tudo o que aprontamos?

— Bom, eu realmente quis dar vários cascudos em vocês quando aprontaram algo que quase me fizeram ter um enfarto, mas não fiz nada aquilo porque eu sabia que o que vocês precisavam era de apoio e compreensão. Brigas, sermões escandalosos ao invés de maduros e qualquer tipo de violência física, ou verbal não ajudam uma criança, ou adolescente a melhorar, apenas a mentir melhor. E eu não queria que me vissem como alguém que não se sentiam bem em recorrer. Eu queria ser a primeira pessoa que passaria na cabeça de vocês quando estivessem em apuros ou eufóricos para contar algo, queria que soubessem que eu sempre faria de tudo por vocês, os repreendendo, ou não. Ser o porto seguro de vocês. — Ele põe sua garrafa de água de lado, tampando-a. — Não sei se fui tudo o que vocês realmente precisavam, afinal aquela era a minha primeira vez cuidando de alguém que não fosse eu ou a minha irmã, então tenho certeza de que falhei também.

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