CAPÍTULO 31

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          Penélope se manteve quieta durante todo o percurso para casa. Não tentei iniciar uma conversa ou instigá-la a dialogar porque sabia que ela precisava desse silêncio, que o dia e a noite passada exigiram um esforço social e mental imenso dela, um que tanto eu quanto ela nos orgulhávamos. Porém, agora, ela precisava descansa dessa mudança radical na sua rotina e eu estava ciente disso.

— Chegamos — Fui diminuindo a velocidade da moto até parar ao lado da calçada diante do prédio dela. Penélope não se moveu de início, e eu esperei que ela se sentisse bem o suficiente para pegar na minha mão e descer.

— Tudo bem? — Levantei meu visor e a observei remover seu capacete, esticando minhas mãos para gentilmente arrumar as mechas bagunçadas do cabelo dela.

— Sim. Só preciso da minha cama. Acho. — ela suspirou, seu olhar cansado, e eu sabia que não vinha do seu físico.

— Me ligue quando quiser, está bem? Eu vou direto para o estúdio. — Segurei o rosto dela com uma das mãos, ela deu alguns passos e me abraçou conforme meu capacete permitia.

— Cuidado, me avisa quando chegar lá, ok? — Ela exigiu.

— Sim, senhora. — Ela riu do meu tom sério se afastou, devolveu a minha mochila e se apressando em entrar dentro do prédio dela.

Passei a mochila pelos meus ombros e somente quando vi ela acenar da janela do apartamento das meninas que fui embora, pegando o trajeto que me levaria até os estúdios subterrâneos.

Estacionei a minha moto na área reservada para o estacionamento junto das outras e desci a escadaria pintada enquanto removia meu capacete e usava a outra mão para gravar um áudio de voz para Penélope, avisando da minha chegada.

A maioria dos estúdios ainda estava fechado, não passava das onze horas e a maioria abria depois de meio-dia. Eu precisava recuperar a noite passada inteira junto das tatuagens que eu já tinha agendado, então meu primeiro cliente estaria aqui dentro de uma hora e eu precisava terminar alguns detalhes do desenho.

Destranquei a porta do meu estúdio e entrei, ligando o ar condicionado e começando a arrumar tudo, embora não tivesse deixado muita coisa fora do lugar, era só minha obsessão por limpeza e organização falando. Morar sozinho e fazer tudo sozinho para manter seu ambiente limpo e agradável durante tantos anos tinha suas consequências.

— Ei! Como foi o passeio?? — Hugo surgiu na porta do meu estúdio duas horas mais tarde quando eu estava terminando de explicar os cuidados básicos sobre a tatuagem que tinha acabado de fazer na panturilha do meu cliente. Ele agradeceu e saiu assim que sinalizei que o pagamento tinha entrado na minha conta.

— Muito bom. — respondo Hugo, sorrindo e removendo as minhas luvas.

— E a Penélope, sobreviveu ou tentou te matar!? — perguntou, cruzando braços e se escorando na lateral da porta.

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