Eliana abriu lentamente os olhos, fechando-os logo em seguida. A luz era absurdamente incômoda. Sentia a boca seca, a garganta com um leve sabor amargo ao fundo. A cabeça doía intensamente. Abriu os olhos novamente, e se viu deitada em uma cama de hospital. Com um pouco de dificuldade, conseguiu sentar-se no leito. Havia uma cama vazia ao lado, uma pequena mesa com uma garrafa de água pela metade. Em uma poltrona ao lado de sua cama, sua bolsa ao lado de outra menor, uma jaqueta e um cachecol. Provavelmente alguém havia passado a noite com ela.
Tentou se lembrar do ocorrido. Fechou os olhos num rápido espasmo de dor no corte que havia em sua cabeça. Com a mão nos cabelos, tentava desesperadamente saber o que fazia ali. O soro que estava ligado a ela já estava pela metade, e ela percebeu que tinha estado ali por uma noite toda, ou mais.
_Preciso sair daqui... Mas que merda! Como é que eu vim parar em um hospital nesse estado?!
Quando colocava as pernas para o lado da cama do hospital do centro da cidade, viu a porta abrir e sua secretária entrar com uma sacolinha da lanchonete do hospital. Sua blusa sem decotes ou desenhos era típico do estilo de Ana. Usava uma calça de linho preta e uma rasteirinha nos pés, também preta.
_Ana, que merda estou fazendo aqui? Eu...
_Não acredito que você acordou! – O rosto de Ana demonstrava ao mesmo tempo surpresa e alívio. – Estávamos todos preocupados com você. Achamos que você poderia ter problemas se ficasse desacordada por mais tempo.
Eliana ouvia sem entender muito bem, sem sequer conseguir entender todas as palavras que a secretária pronunciava.
_Ana, como eu vim parar aqui?
Ana olhou para Eliana com certo ar de dúvida.
_Bom, você não foi trabalhar por uns dois dias. Ligamos para sua casa, seu celular, mas ninguém atendia. Caramba Eli ficamos morrendo de preocupação de que você tivesse tido um ataque! – A voz da secretária estava carregada de preocupação. – Eu chamei o Gu no escritório dele, sabia que ele não tinha nenhum cliente em um intervalo de duas horas. Pedi para ele ir comigo até sua casa para saber se você estava bem...
Eliana estava ouvindo, com os olhos perdidos pelo piso branco do quarto de hospital, tentando trazer à tona suas lembranças.
_Batemos, mas como ninguém atendeu, eu forcei a maçaneta, e a porta estava destrancada. Vimos você branca, gelada, caída de bruços no chão do banheiro, toda suja. Chamamos uma ambulância e trouxemos você para cá. Os médicos disseram que você teve uma espécie de crise, que pode ter origem nervosa. Eu contei a eles sobre as suas enxaquecas e eles ficaram preocupados com isso também. Disseram que iam pedir alguns exames assim que você acordasse.
_Olha Ana, obrigada mesmo por me socorrer, mas eu ainda não consigo lembrar do que aconteceu. Está meio confuso no momento. Só me lembro de ter ido para o banheiro, para tomar uma ducha, e de acordar aqui nessa cama.
_É Eli, a pancada na cabeça e os analgésicos vão mesmo te deixar um pouco confusa por enquanto. Disseram que você vai ficar em observação aqui mais uns dias. – Ana apertava os dedos das mãos, como fazia sempre que estava nervosa ou preocupada. – Você está mesmo se sentindo bem, Eli? Não quer que eu chame um médico para te examinar, ou uma enfermeira?
_Não Ana, obrigada. Você pode ir, se quiser. Eu vou tentar organizar as idéias, e vou embora ainda hoje. Hospitais só pioram a maneira como a gente se sente.
_Tudo bem. Eu preciso mesmo descansar.
Ana levantou, e já ia arrumando as suas coisas, quando enfim Eliana começou a pensar na frase 'você não foi trabalhar por uns dois dias'.
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A Profecia
General FictionE se uma antiga profecia revelada aos Arcanjos pudesse colocar um fim a hierarquia celestial, e trazer uma guerra entre anjos e demônios? O verdadeiro problema é quando os próprios anjos começam uma guerra entre si, e os demônios se aliam as forças...
