Rastros de Sangue

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"A morte silencia os inocentes,mas condena os monstros."


"As pessoas temem a morte,mas não a reconhecem de imediato.Temer o fim é um instinto primordial que nos fortalece diante da dor e do perigo,e além disso nos faz refletir sobre o quanto da existência realmente valeu à pena.A morte não culpa os inocentes,nem mesmo os abraça sem afeto.Algumas almas são piores que a morte..."

Philip estava em casa,assistindo um programa na TV quando alguém bate em sua porta.São quase dez da noite e por morar em local tão afastado de quase tudo,teve receio em atender.Levantou-se e esperou que o visitante se identificasse,e depois de alguns minutos uma voz masculina se apresentou:

-Senhor Philip?Aqui é Marcos,policial da delegacia Marcílio Alfred,com o delegado Olivetti Rich como responsável da DP.Por favor abra a porta!-Disse o homem em tom firme.

Philip não entendeu muito bem por que um policial estaria em sua porta,principalmente tão tarde,mas abriu a porta e o cumprimentou:

-Posso ajudá-lo policial?-Questionou ele

O policial,vestido com um blazer que cobria sua farda e distintivo,entregou um envelope marrom ao morador e esperou que ele verificasse o documento.Dentro do envelope,uma intimação requeria a presença dele na delegacia,para averiguações sobre o caso da morte da modelo Isabella e acusação sobre outros crimes.Philip leu minuciosamente a intimação e em seguida,começou a rir.Não era o riso comum de quem acha graça numa piada,mas uma gargalhada profunda e sem controle.Marcos estava ao lado de seu carro e ficou observando aquela crise estranha,sem entender o por que alguém iria rir ao ser intimado.O policial esperou até que finalmente Philip volta-se ao seu estado normal,quando começou a explicar os detalhes do documento:

-O senhor deve comparecer a nossa delegacia num prazo de 24 horas para esclarecimentos e...-Dizia ele quando Philip o interrompeu

-Sei ler muito bem policial,agora se terminou seu trabalho,saia da porta da minha casa e não volte mais.Acredite,algumas pessoas só nos dão uma chance na vida.-Disse ele de forma seca

Marcos surpreendeu-se com a maneira de falar do homem,vestido com uma calça jeans gasta pelo tempo e uma camiseta branca,que evidenciava seus braços fortes e postura de homem,apesar de parecer apenas um jovem.Deu meia volta e antes de entrar no carro,ouviu mais uma vez o morador:

-Só uma chance policial,só uma...-Disse e em seguida entrou em sua casa.

Philip foi até a cozinha e preparou chá,enquanto lia novamente o documento entregue por Marcos.Com uma xícara nas mãos,caminhou até seu quintal;local amplo e com uma recente plantação de tomates feita por ele próprio.Sob a luz de uma lua encoberta por nuvens,tomou seu chá e olhando para o chão,riu novamente.Nos dias que se seguiram,uma onda de protestos tomou conta de toda cidade.Um grupo de seis crianças havia desaparecido sem deixar rastros.O grupo de meninos foi visto pela última vez nas proximidades da cidade,jogando bola ao lado da floresta.As famílias estavam em total desespero e angústia,seus filhos eram apenas crianças e já esperavam pelo pior já que a polícia dizia não ter pistas e só poderia imaginar um sequestro,mas nada foi comprovado.

Philip compareceu à delegacia como intimado.O delegado Olivetti o recebeu e antes mesmo de começar a explicar o por que dele estar ali,imaginou estar com o homem errado.Philip era de longe alguém de quem nunca se suspeitaria de nada,nem mesmo de roubar doces de uma criança.Era um homem de imagem forte,bonito e com um olhar que transmitia sua evidente segurança sobre tudo e sobre si mesmo.Acomodado à sua frente,o jovem de traços fortes parecia estar totalmente fora do contexto de um bandido,principalmente de um assassino. Olivetti o imaginou como alguém que aproveitava a vida com o seu melhor,e que jamais seria capa de ferir qualquer pessoa,mas ele definitivamente estava enganado e em poucos dias saberia disso.

Depois de esclarecer informações como local onde estava na noite do dia do desfile e se poderia provar suas afirmações,o delegado revelou o verdadeiro motivo para o ter intimado:

-Senhor Philip,como sabe uma modelo foi assassinada naquela noite e ainda não temos pistas de quem seria o assassino.Vou direto ao ponto para facilitar sua compreensão:sua irmã,senhorita Helena Mendel esteve aqui para depoimento e o acusou de ser o criminoso que estamos procurando.O acusou ainda de vários outros homicídios ocorridos aqui e em outras localidades.O que pode me dizer em sua defesa?-Disse ele de forma rápida

Philip apenas o olhou por um tempo.Em sua mente várias possibilidades circulavam entre o ódio e a vontade de sair dali o mais rápido possível.Pediu um copo d'água e respirou fundo.Não aparentava nervosismo;era um homem que aprendeu a ocultar suas sensações de formas particulares e pouco perceptíveis.De repente,responde ao delegado:

-Na verdade não tenho nada em minha defesa senhor delegado,até por que não preciso me defender de nada.Estou aqui para esclarecimentos,não em um julgamento.Diga-me,essa intimação se baseia em fatos reais ou na acusação absurda de uma mulher que está preocupada com a imagem de sua empresa diante da morte de uma de suas modelos?-Disse agora irônico e persuasivo.

A resposta provocou surpresa em Olivetti,mas não o abalou.Os olhos de Philip agora cintilavam,como se ele estivesse disposto a um embate de acusações se fosse preciso.O delegado pediu desculpas pelo constrangimento e ia pedir mais informações ao homem quando foi interrompido por sua declaração:

-Bem,acredito que já colaborei o suficiente.Caso suas investigações prossigam,avise-me se for preciso,mas no momento estou de saída.Passar bem senhor delegado!-Despediu-se enquanto saia da sala sem olhar para trás.

Olivetti ficou realmente admirado com sua ousadia mais deixou que partisse,sua investigação continuaria de qualquer maneira e algo o levava a crer que não seria última vez que veria aquele homem em sua frente.Philip passava pelo corredor da delegacia quando esbarrou em Marcos,policial que o entregou a intimação.O humor dele muda ao ver o homem ali,e com um cumprimento o convida para um passeio.

-Marcos,sei que fui grosseiro com você e espero ter a chance de me desculpar.Sei que estará livre hoje à tarde,então gostaria de convidá-lo para tomar uma cerveja ou algo assim,só pra passar o tempo mesmo...-Diz Philip com um olhar agora tranquilo

O policial se surpreende com o convite,mas aceita.Philip é um homem extremamente sensual;seus olhos fazem qualquer um dizer sim.Os dois combinam um horário e durante a tarde se encontram.Marcos bebe um pouco de cerveja na casa do homem e os dois conversam sobre assuntos como futebol e mulheres.Mas algo chama a atenção dele:Philip o observa com um olhar diferente.Sem perceber,está agora próximo o suficiente dele para ouvir sua respiração,quando Philip diz:

-Venha até o quintal e veja uma coisa Marcos...

O policial o acompanha até o fundo da casa e vê uma pequena plantação de tomates.Philip começa a falar como um fazendeiro,explicando o crescimento das plantas e o que é preciso para que os frutos sejam bons.No meio da explicação,ele pede que o homem observe mais de perto e diga o que acha das raízes dos pés de tomate.Marcos se aproxima e algo lhe chama atenção imediatamente.No lugar de raízes,vê fios pretos e lisos,sujos de um liquido grosso e avermelhado.Quando toca as raízes,um susto.Seu coração dispara ao comprovar que o líquido é sangue puro e os fios na verdade cabelos.

-Que droga é essa aqui?O que você fez???-Questiona com os olhos arregalados

Philip se aproxima com um pá em uma das mãos e começa a cavar.Abre seis buracos diante de sua frente e em cada um deles,o corpo de uma criança.Eles foram torturados e tiveram mãos e pés arrancados.A cabeça servia de base para a plantação do homem que agora estava sério quando olhou para o policial e disse:

-Eles não tiveram chance Marcos,e você também não terá...





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