32 - Bella Swan

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Meu interfone tocou. De novo!

Já era e terceira vez que ele anunciava a chegada de alguém na portaria. Mas não estava interessada em quebrar aquela sensação maravilhosa que Edward deixou da noite passada.

Eu estava no meu quarto, olhando para o teto e pensando em tudo o que tinha acontecido. Era manhã de natal. Um feriado que tinha tudo para ser mágico, e minha noite tinha sido. Surpreendentemente.

Mas assim que o dia nasceu, minha realidade bateu sem pedir licença. Jacob, com certeza, estava se perguntando o porquê eu não o respondia. E isso me cortava o peito.

Ainda estava magoada. Claro! Ele tinha menosprezado meus sentimentos. Tinha feito de minha angustia uma piada, infantil e sem graça; e não era assim que eu via minha relação com as meninas. Elas eram sim, muito importantes e não deixaria que ele, ou qualquer um, diminuísse meu carinho por elas.

Agora, que a raiva dele tinha dissipado, ele me procurava. Mas não estava disposta a falar com ele ainda. Estava machucada. Não esperava isso dele. Não dele!

Mais uma vez o interfone parou. Eu sabia que ele voltaria a tocar, mas pouco me importava. E em contraponto, a culpa me batia.

Apesar de minha raiva, havia aquela vozinha no fundo da mente que me dizia que ele só estava bravo. Que tinha perdido a cabeça e não queria me magoar assim. Mas tampouco eu poderia dar total ouvido a ela.

Ouvi outro som no quarto vazio. Desta vez era meu note. Fiquei feliz em ter notícias das meninas me contando como tinha sido o natal delas. Delatei também - com mais entusiasmo do que deveria deixar transparecer – como foi minha noite. E o quanto estava feliz que finalmente, Edward e eu estávamos nos entendendo.

Parecia ainda surreal. Uma lembrança vívida, mas quase inalcançável. Lembrava de seu toque, aquecendo cada centímetro da minha pele. Seu beijo, ardente e possessivo. Tão dele. Tão nosso!

Mal conseguia acreditar que tínhamos chegado a um ponto. Que estávamos perto do fim de tudo isso.

Claro que tinha muita coisa para se revelar. Mas o principal, o mais importante de tudo, era que Edward estava comigo. Não sabia a que dimensão, mas a incumbência de tê-lo de verdade, ao meu lado, era quase palpável, e acima disso, era plausível.

Espreguicei-me na cama de sorriso nos lábios. Saber que tudo estava entrando nos eixos era um bálsamo diante de tudo o que tínhamos enfrentado.

Levantei preguiçosamente. Não tinha ideia do que faria hoje. Férias e neve, eram sinônimos de cama, cobertores e livros.

Me dirigi ao banheiro para me recompor, e enquanto escovava meus dentes, displicentemente andei até a janela. Era um mar branco na paisagem. O campus deserto era só mais um indício de minha boa escolha de atividades para esse feriado.

No entanto, quando estava focada no nada alvo, vi um ponto negro. Me inclinei mais para a janela só para confirmar minha suposição.

Jack estava sentado no batente do portal. Os joelhos encolhidos no peito e a cabeça baixa. Usava uma calça preta e pude ver a jaqueta de couro, característico dele. Se ele estava ali, desde a primeira vez que o interfone tocava, ele devia estar congelando!

Enxaguei apressadamente minha boca, joguei meu cobertor sobre os ombros e desci apresada. Quando abri a porta de entrada, Jack saltou e ficou de pé me encarando conturbado.

- Oi, Bella.

Parei um segundo pensando se havia alguma intensão no tom de sua voz.

- O que faz aqui, em baixo dessa neve toda?

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