Julia

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A cada dia que me empenho mais no meu serviço, menos tempo tenho tido para mim e meus amigos. Parece que meu dia dura no máximo doze horas, precisaria de no mínimo umas quarenta e oito horas para concluir o meu trabalho do dia, mais o que está em atraso.

Exemplo dessa falta de tempo é saber que tantas coisas aconteceram com as minhas amigas e mal consegui sentar e conversar com elas à respeito. Ainda mais a Manu que está passando por uma fase horrível. Se não fosse esse bebê não sei o que poderia ter acontecido com ela.

Mas me comprometi em pelo menos dar uma passada no apê das meninas e oferecer meu colo.

Dr. Carlos gentilmente me liberou mais cedo, já conversei com o Enzo, que aliás está sendo meu melhor namorado e amigo. Achou mais do que certo fazer essa visita e ainda mandou abraços para as meninas. Talvez elas não aceitem, mas passarei o recado.

Assim que chego sou recebida pela Dani.

- Oi Dani.

- Entra Ju. – Eu a abraço, mas é notório o clima pesado e triste, ambas estão com rostos abatidos.

A Manu está sentada no sofá, vestida com uma roupa já velha, cabelo em um rabo de cavalo e olhos inchados. Eu a abraço, mas ela não reage, apenas abraça de volta e me solta sem dizer uma única palavra.

Me contenho em perguntar se está bem, seria ultrajante fazer uma pergunta dessas nesse momento.

- Você quer alguma coisa Ju?

- Não, obrigada. Vem, senta aqui... – e coloco minha mão sobre o sofá. – estou com saudades de vocês.

Realmente o estado da Manuela é bem preocupante, ela encara a TV, mas qualquer um pode notar sua ausência, ela está totalmente fora do ar. É de cortar o coração.

- Como você está amiga? – A Dani pergunta.

Viro-me tentando disfarçar que estou com pena dela. Fecho os olhos para mudar a expressão.

- Eu estou bem. Trabalhando bastante.

- E o Enzo?

- Estamos bem. – Tocar em qualquer assunto que envolva casais felizes não é uma boa. A Manu não merece sofrer com a felicidade alheia, não pelo menos agora.

Dani tem o mesmo raciocínio rápido e percebe que tocar nesse assunto só vai cutucar a ferida dela.

- E você Manu como está? – Uma pergunta e um tiro no escuro.

- Não tão feliz quanto você.

- E o bebê?

- Vivo.

Entendo sua rispidez.

- Queria falar com você Ju, está a pensando em organizar o chá de bebê da Manu, juntar algumas ideias.

Eu a encaro novamente e ela não esboça nenhuma ação. E eu não sei como agir.

- Claro, no que você precisar, mas precisamos saber o sexo do bebê primeiro. Já marcou sua consulta Manu?

- Não quero saber.

- Você não está curiosa?

- Não.

- Podemos bolar o seguinte. Vamos deixar mais pra frente o chá, quando tiver próximo da data contratamos uma confeiteira e entregamos o resultado do ultrassom, ou seja, quando cortarmos o bolo saberemos o sexo. O que acha?

- Eu acho uma ótima ideia. Manu já pensou em tirar alguns dias de férias no seu serviço?

- Já dei ideia para ela ir ver a Becca e o Peter.

Escolha (LIVRO UM) - EM REVISÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora