Julia

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Chego às pressas a minha sala, e imprimo o mais rápido esse inferno de relatório.

Depois de pronto e em pasta anexada, levo em sua sala. Pra variar a Raquel, a tal secretária, que ainda acho sortuda, - apesar de ser um cretino. Com toda a certeza sabe elevar os prazeres em quatro paredes. - me fuzila com os olhos.

Bato na porta e entro antes mesmo dele responder.

Ele que estava no notebook concentrado, repara que entro sem nenhum tipo de cerimônia e encosta calmamente em sua cadeira grande e confortável, e deixa tudo que estava fazendo só para me analisar.

- Aqui está. Mais alguma coisa? - Digo ao colocar o bendito relatório em sua mesa.

Ele cruza seus braços e me encara.

- Feche a porta e sente-se, por favor.

- Não posso demorar, Dr. Carlos precisa de mim. - E faço o que me pede. Sento-me e ele continua a me observar sem dizer uma única palavra, e aquilo começa a me dar um certo constrangimento.

- Então...? - Eu questiono, já não suportando a falta de oxigênio na sala.

- Você me pareceu um pouco irritada pelo celular. - Ele diz com tranquilidade.

- Não estava irritada, é que eu estava em horário de almoço com as minhas amigas. - Explico.

- As mesmas que estavam na casa de Swing? - Ele diz suavemente.

Eu congelo. Como se um balde de água fria caísse sob mim. Como ele sabe que eu estava com as minhas amigas?

- Oi? Não entendi? - Falo com os olhos arregalados.

- Me responda. - Insiste.

Que cara atrevido. Engulo seco.

- Sim, mas o que isso tem haver com o seu pedido inusitado no meu horário de almoço? - Falo rispidamente e só depois me dou conta do que disse.

Caralho. Burra. Burra.

Ele balança a cabeça em desaprovação e passa a língua entre os lábios, talvez medindo as palavras, diferentemente de mim.

- Você gosta de assistir ou praticar?

Ele não disse isso!

- Como é que é? - Digo já desnorteada. Aonde ele quer chegar?

- Qual a dificuldade em responder uma pergunta, sem formular outra? Assiste ou pratica?

- Obvio que pratico. - Digo com desdém.

- Ótimo, você gosta forte ou com carinho?- Diz interessado.

- Olha não sei o que você quer fazer, ou dizer com esse seu questionário, mas não posso ficar aqui discutindo essas coisas, eu tenho que trabalhar e seu relatório está aqui. - E me levanto, indo em direção à porta.

- Julia. - Ele me chama e sinto um frio na barriga.

Paro mas não me viro. Sinto sua presença se aproximar lentamente por trás de mim.

Ele estende sua mão e tranca a porta.

- Me responda. - Sussurrando no meu ouvindo. Minhas pernas começam a fraquejar. E sou invadida pelas lembranças das cenas que presenciei na casa de Swing.  Sinto sua voz quente e sedutora ao pé do meu ouvido. Eu sinto desejo, tesão, um vontade de rasgar cada centímetro daquele terno caro que ele está vestido e deixar ele me comer em sua mesa até que eu esqueça meu nome.

Definitivamente preciso parar com esses pensamentos.

Nesse instante sou trazida de volta a realidade de que o que ele quer comigo, é o mesmo que ele anda fazendo com sua secretária. Não posso me deixar levar por minhas vontades, sabendo que ele faz isso com todas. Sua secretária é exemplo disso.

Escolha (LIVRO UM) - EM REVISÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora