Manuela

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Quando seus olhos se abrem vejo que o azul que predomina, me prende. Ele olha para cada detalhe do meu rosto, analisando, e eu faço o mesmo. Cada um tocando o rosto do outro, aninhando e acarinhando, e facilmente esqueço a forma rude como me tratou a pouco instantes.

- Por que tudo não pode ser como queremos?

- Em que sentindo? - Pergunto.

- A vida, o destino...

- Sinceramente, não sei. Mas tem algo te preocupando? - Tento ao máximo ser cautelosa, pois da última vez, quando o metralhei de perguntas fiquei sabendo que ele tem um filho desaparecido.

- Tudo em perfeita e completa ordem, Manuela. Não há nada com que se preocupar. Me desculpa se fiz.

- Tudo bem, só que...

- São pensamentos e questionamentos que qualquer ser humano faz.

- Do nada? Eu e você aqui... Sem nenhum motivo.

- Nenhum motivo. É apenas algo louco que pensei agora. A vida é uma grande sarrista, uma hora perdemos esperança e depois ressurge feito uma fênix.

- Olha, não estou te entendendo... - Ao invés de descomplicar ele só complicou mais, meu instinto não engana, tem algo acontecendo. - Mas de qualquer forma, quando quiser falar sobre os cosmos, horóscopo, até mesmo da sorte. Estarei aqui. - Ele sorri, um sorriso casto e carinhoso.

- Eu sei que sim. E vou precisar... Um dia.

Seu hálito quente e cheiroso embriaga-me com as palavras. Encarando-me seu rosto toma a forma mais incoerente e dura possível, não de um psicopata que possa machucar alguém, e sim de um dominador.

- Quero conversar com você.

- Sobre? - Sua boca desenhada levemente carnuda pronuncia.

- Vamos nos despedir do pessoal e cair fora desse lugar.

- É tão sério assim?

- Sim.

- Ok. - Ele estende sua mão ao meu alcance, para me levantar. Andamos pelo jardim a procura deles.

- Acho que não estão aqui, não os vejo. - Olho para os lados, mas nenhum sinal dos dois casais.

- Olha lá.

A Ju vem caminhando e rindo ao lado do Cris, fico feliz que ela esteja bem e se divertindo, depois do estresse do serviço, ela merece.

- Cuidado viu, isso aqui é um evento. - Eu os aconselho, não sei o quão a ousadia deles podem ir.

- Já terminamos. - O Cris pisca pra mim.

- Cris. - Rio, é notório seu constrangimento.

- Nós... - Passo a mão em seu ombro para me despedir.

- Temos que ir. - Noah atropela. Eu o encaro. Que homem impaciente.

- Ju, tenho que ir.

- Por quê?

- Vamos viajar. - Noah diz seco.

Uau, e lá vamos nós mais uma vez em uma aventura desconhecida. Afinal, nunca sei o roteiro de viagem.

- É. - Ela me encara confusa.

- Agora?

- É... - Tento não passar indecisão no tom da minha voz, mas acho que não deu certo.

Escolha (LIVRO UM) - EM REVISÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora