Julia

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"Que final de semana maravilhoso". Penso ironicamente. Seria uma pena se eu estivesse trancafiada no meu apartamento olhando diversas vezes o processo de um colega do Dr. Carlos, tentando contato, argumentos, ou seja, fritando o cérebro.

De pijamas e ao lado de um bom café forte, sigo a tarde analisando o processo.

Lá pras cinco horas da tarde, meu telefone toca. E é o Cris.

- Oi Cris.

- Oi Ju, tudo bom?

- Sim e com você?

- Bem... Na verdade estou te ligando pra você arrumar suas coisas, você vai surfar comigo.

- O quê?

- É guria, se arruma que eu já estou passando ai...

- Mas eu não posso Cris, eu tenho muito trabalho pra fazer.

- Para de ser careta, é só hoje, voltamos amanhã cedinho. – Careta, meu novo apelido. Uma velha em um corpo de uma jovem.

- Tenho opção? – Sorrio através do telefone.

- Não... É aqui em santos. – Ele insiste tão despreocupado que estou quase entrando na onda dele de sair viajando pelo litoral e deixar essa vida de advocacia.

- Já que não me resta alternativas... – Como se aquilo fosse um mártire pra mim. – Então vou arrumar minha mochila.

- Ok... ligo quando chegar.

- Tudo bem, beijos. – Desligo.

Pego dois biquínis, um tomara que caia listrado de azul e branco e outro normal com a parte de cima estampado de varias cores e formas e a parte de baixo com listras coloridas. Short, chinelo, protetor, uma camisetinha, óculos e itens de higiene.

Tudo dentro da mochila, mas vejo a pilha de papéis esperando para serem lidos, então resolvo levar os mais importantes. Durante a viagem eu dou uma olhadinha.

Não adianta, por mais que eu queira descanso adoro o que faço. Tomo um banho rápido e visto uma lingerie preta, posteriormente meu short jeans e uma camisa verde militar e pra acompanhar, coloco minha rasteira gladiadora marrom.

Desço antes mesmo dele ligar, depois de uns dois minutos à sua espera ele chega. Vejo sua prancha de surf um tom amarelado bem claro em cima do fusca. Assim que entro coloco a mochila no banco de trás, e dou um selinho em sua boca. Mas os papéis sempre na minha mão.

- Sabia que você iria trazer o seu trabalho. – Ele sorri, apesar de ter falado ele não ligou, o que é ótimo, me sentiria mal por estragar o passeio. Encolho os ombros em sinal de desculpas, e como sempre as músicas são relaxadoras. – Se quiser eu abaixo o som pra ti...

Ele percebe que eu estou de olho nos papéis.

- Não... Eu gostei dessa música. – E volto o meu olhar para o processo e ficamos em silêncio. Aposto que não foi o que ele tinha planejado. Percebo a minha falta de educação.

- Quer saber? Depois eu olho isso. – E coloco os papéis no banco de trás ao lado da minha mochila.

- Olha eu não me importo...

- Hoje e agora não é dia pra isso. – Insisto. – Mas, então você realmente quer me ensinar a surfar?

- Claro guria, lembra do que te disse? – Ele arqueia uma de suas sobrancelhas. Faço com a cabeça em negativa. Realmente não me lembro, conversamos tanto da última vez. – Que quero você de biquíni em cima da minha prancha.

Escolha (LIVRO UM) - EM REVISÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora