Daniela

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2 meses depois

- Oi. – Vejo a Manu parada na porta. – Me ajuda aqui?

- Claro.

- Você está bem?

- Estou indo e você?

- Nervosa, ansiosa e com medo, mas isso é o de menos, na verdade quero saber uma coisa. Você já está entrando no quarto mês de gestação e sua família ainda não sabe...

- Falei com a Becca.

- E o que ela disse?

- Ela queria que eu fosse passar um tempo em Dublin.

- E você não quis?

- Você sabe o motivo. Mas eu sei que preciso me afastar por um tempo, na agência já estão notando a diferença no meu corpo.

- Assim como seus pais notará.

- Vou mentir, assim como menti na agência. Que engordei.

- Olha, eu sei que está sendo difícil, eu vejo todos os dias o seu sofrimento, mas e depois que o bebê nascer? Só assim eles serão avisados? – ela abaixa a cabeça. – Eu vou ligar para a Julia pra saber se você realmente foi para a casa dos seus pais.

- Pode ficar tranquila. A Becca mandou umas fotos, quer ver?

- Claro.

Ela me mostra algumas fotos da Becca quando estava grávida, outras já com a Amy no colo e uma do Peter a segurando. Eu sei que ao ver essas fotos ela ficou mexida, porque sabe que não vai ter o mesmo que sua irmã.

- Sua sobrinha é linda.

- É sim.

Vou até ao guarda roupa pegar mais alguma coisa, que ainda não sei, talvez mais uma blusa?

- Dani...

- Sim. – respondo ainda de costas para ela.

- Eu sei que tenho sido amarga com você e a Ju, - viro-me. É a primeira vez que ela se abre assim, desde a descoberta da traição. – mas vocês e a agora minha irmã são as únicas que sabem e estão suportando essa minha fase. – ela faz uma breve pausa e continua. – É... eu só queria agradecer e desejar uma boa viagem.

É tão bom ver que ela está retomando, mesmo que devagar, a sua vida, indo trabalhar, indo em algumas consultas mesmo depois de muita briga. Mas ela está melhorando, tenho fé que tudo isso ficará no passado e que só foi um capítulo tenebroso da sua vida.

- Não tem o que agradecer. Você faria o mesmo por mim ou pela Ju e é totalmente compreensível que você esteja assim.

- Vai ficar quanto tempo por lá?

- Acho que umas duas semanas.

- Toda sorte do mundo pra você.

- Vou precisar.

- E quando encontrar o Gustavo, diga à ele o que sente, independente do que veja ou ele fale, mas não volte sem ter dito nada.

- Como o covarde do Noah. – Ai Daniela, tem hora que sua sinceridade é desnecessária. – Desculpa, mas é revoltante...

- Eu sei, ele é um covarde.

- Às vezes penso que foi até bom. Assim você não fica ai remoendo as desculpas dele e o fato de ter tomado um chá de sumiço.

- É. – ela concorda já com a cabeça em outro lugar. – Vou arrumar as minhas coisas, mais tarde vou para a casa dos meus pais.

Eu a abraço o mais forte que posso e faço um carinho tímido em sua barriga.

Escolha (LIVRO UM) - EM REVISÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora