Julia

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"Que salada horrível" penso fazendo careta. Meu horário de almoço como sempre tem sido na minha mesa, adiantando alguns processos, e revendo outros. Dever que Dr. Carlos me designou.

E comprar essa salada caesar foi minha única e rápida decisão, o molho está bom, com essas torradinhas e os pedaços do frango, mas essa alface. "Eca".

Em meio a minha análise sobre a salada meu celular vibra sobre à mesa.

- Alô?

- Ju? - E reconheço a voz rouca e de menino do Cris.

- Cris...

- Oi guria.

- Oi. - E feito adivinha, não sei como, mas toda vez que vou falar com o Cris ele aparece, Enzo. Que entra na minha sala, como se fosse a sua, não bate, não pede licença. Acha que é dono do mundo. Com as mãos no bolso ele me observa. - Só um minutinho Cris... - Ele tira a mão do bolso e gesticula para que eu continue a ligação. Depois de fechar a porta, vem até a minha mesa e se senta. Sem eu ter convidado, ou algo parecido. - Cris? - Digo constrangida.

- Liguei mesmo, pra dizer que adorei ter te conhecido. Tu é uma guria incrível e adoraria que nos víssemos mais. Se tu não se importar.

E a Julia provocadora, esnobe e irônica entra em ação.

- Claro que não, adorei ter te conhecido, na verdade foi um imenso prazer. - Digo a palavra "prazer" passando a língua entre os lábios. Para que o Enzo fique ciente que o Cris, me proporcionou momentos incríveis.

Ele entende a mensagem e ergue uma de suas sobrancelhas.

- Podemos nos ver quando então?

- O dia que você quiser... Ah! Sexta-feira agora não posso, tenho um encontro com as minhas amigas. Mas os outros dias...

- Que tal na quinta à noite?

- Por mim tudo bem. Onde? - E pareço uma puta marcando encontro com um cliente e se insinuando para outro bem à minha frente.

- Pode ser no seu apê. Prometo fazer uma surpresa bem bacana pra ti.

- Combinado. Cris adorei falar com você, mas estou ocupada agora. Depois se quiser me retorna podemos conversar melhor... - Enzo se ajeita diversas vezes na cadeira, remoendo-se por dentro.

- Pode deixar guria. Beijos.

- Beijos.

Desligo e o encaro, que me fuzila como se eu devesse alguma satisfação.

- Você está com o processo de estelionato?

- Sim, na verdade com a cópia. - Para de ser burra Julia, ele sabe muito bem que o Dr. Carlos tem a original em mãos e com mais detalhes. - Na verdade, você deve saber que a original está com o seu tio? - Pergunto irônica.

- Sim, mas prefiro ver com as suas observações.

- Enzo, vamos acabar com esses joguinhos. Me diz o que você tem contra mim, talvez eu possa concertar. - Tento ser compassiva, mas ele acaba com toda essa minha rendição, dando o sorriso mais debochado que já vi. - Bem que a... - E paro.

- A... ? - Ele pergunta se aproximando mais da minha mesa.

- O que você quer de mim? Me diz pra acabar logo com essa palhaçada.

- Eu? Quero comer você em cima da minha mesa, da sua mesa, no corredor, no chão, nas paredes, no meu apartamento, qualquer lugar.

- Bem que A - Soo a letra "a" com mais ênfase, por que não devo nada a ninguém, muito menos esconder a conversa ridícula que a Raquel teve comigo hoje mais cedo. - Raquel disse.

- O que ela te disse? - Ele pergunta presunçoso.

- Que você adora brincar com as pessoas, deixa-las constrangidas... Que você só quer fazer sexo e nada mais que isso.

- Engraçado que quando eu estou metendo nela, não vejo nenhum constrangimento e nem brincadeiras. Mais gemidos. Você sabe né Julia, você já nos viu trepando. - Não tenho psicológico pra isto.

- Você acha que somos brinquedos, melhor uma boneca inflável? - Rio.

- Não sei o porquê você ri, se você mesma gemeu. Puxou meu cabelo para que eu enfiasse minha língua mais fundo nessa sua bocetinha molhada, eu vi seu corpo estremecer...

- Para... Isso é assédio você como advogado, deveria saber... Se você não parar com isto, vou ser obrigada a conversar com o Dr. Carlos sobre você.

- Vá em frente, diga e eu confirmo. Digo mais, que você adorou quando arrebentei os botões da sua camisa, bem aqui... - Ele reafirma com o indicador. - dentro desta sala. Ah, e que nos finais de semana adora ver outros casais trepando. - Filho da puta.

- Você é tão dissimulado... Um imbecil. Querendo me manipular.

- Quer mesmo falar de manipulação Julia?

- Sim, você manipula as pessoas e está querendo me coagir.

- Por favor... Acha mesmo que não senti seu tom perspicaz de provocação agora no seu celular. Quer falar de assédio, manipulação e coação? - Ele desdenha. Como pode me irritar e me deixar ao mesmo tempo com tesão. - Desde quando virou feminista? Você teve opção de resistir a mim aquele dia.

- Não tive não... - Tento argumentar.

- Teve sim, mas o que você quis? Que eu enfiasse mais a minha língua pra que você gozasse na minha boca.

- Sai da minha sala. Seu infeliz. Toma esse lixo de processo e sai daqui... AGORA! - Não consigo mais me controlar. Se ele quisesse me beijar e trepar comigo, faria no mesmo instante. Só resisto a isto, por ele ser tão dissimulado.

Ele sorri de canto pegando o papel do chão e sai da minha sala como se nada tivesse acontecido.



Escolha (LIVRO UM) - EM REVISÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora