Recebo o convite da minha amiga, mas devido a minha nova rotina e também por não ter ninguém com quem ir, pra pelo menos distrair a cabeça, só faz com que o ânimo diminua. Olho a frente e o verso do convite, junto com o meu "acompanhante", mas não faço a mínima de quem convidar, não estou saindo com ninguém no momento. Acho melhor ir sozinha mesmo.
Por algum motivo, me recordo do Cris, o tal stripper que têm o sotaque mais delicioso de se ouvir. Quer saber? Vou convidá-lo.
"Pronto, isso mesmo", me dou parabéns.
Procuro o número dele em meu celular e faço a ligação.
- Pronto. - Ele diz.
- Cris?
- Sim, quem é?
- Oi eu sou a Julia, não sei se você vai se lembrar de mim, eu estava... Hm... Na Pure... - Como dizer quem você é para um stripper? " Oi eu sou a Julia, você rebolou no meu colo lembra?". - E você me passou seu celular.
- Ah... guria, tudo bom? - Já disse que esse sotaque é encantador?
- Sim e você? - Digo um pouco mais confortável.
- Melhor agora.
- Cris, uma das minhas amigas fará um evento hoje ali na Oscar Freire, e como fiquei de entrar em contato contigo, pensei que essa seria uma boa forma de nos conhecermos.
- Gosto da ideia.
- Você está livre hoje?
- Pra ti... - E ele fica mudo. - Claro, que horas posso ir te buscar?
- Às oito. - Tento conter a animação, mas foi em vão e um sorriso empolgado floresce em meu rosto.
- Qual o motivo do sorriso? - Uma voz grave me tira dos devaneios.
E lá está ele parado em minha porta. Isso está pior que as entradas dramáticas de novela.
- Cris, preciso desligar, estou um pouco ocupada agora, mas depois nos falamos. Te passo o endereço por mensagem, tudo bem?
- Claro, beijos guria. - Desligo e volto a encará-lo.
Igualmente a mim, ele faz uma carranca, esperando minha resposta.
- Isso não lhe interessa. - Falo rispidamente.
- No mínimo estava falando com um cara. - Desdenha.
- Sim e diferentemente de você, ele sabe como tratar uma mulher.
- Falando que você é linda, entre outros clichês. Mas pelo que sei, você não gosta do clichê Dra. Julia. - Ele se aproxima e se debruça sobre minha mesa. Seu rosto está tão perto do meu que eu posso sentir seu delicioso hálito. - Você é a mulher mais safada que eu já conheci...
Aproximo-me de seu rosto. Minha vez.
- Auto-lá, você não me conhece pra dizer que sou "a mulher mais safada que você já conheceu". Nossa relação infelizmente começou de uma forma trágica e agora temos que manter só o profissional, NADA ALÉM DISSO... - dou ênfase. - Não sou a sua amiga e muito menos sua acompanhante pra você entrar na minha sala, mesmo não sendo meu superior e dizer que sou uma safada. Sendo que quem quis me chupar depois de muita insistência foi você. Então entenda que eu apenas lhe fiz um favor, achando que isso bastaria para sua compulsão por sexo e idolatria no nervosismo alheio. Só te digo algo Dr. Enzo, isso são características de pessoas psicopatas, cuidado com quem você sai e se relaciona e/ ou leva a lugares.
- Da minha vida, cuido eu. E pra quem me fez um favor, você demonstrou ferozmente o que qualquer atriz de Hollywood não conseguiu, que foi veracidade crua, despida e sim safada. Você gozou na minha boca, e eu fiquei duro só de sentir e de ouvir seus gemidos. As suas pernas tremulavam freneticamente. Mas pensando bem, meus parabéns, sua atuação ou apenas caridade foi espetacular, digno de Oscar.
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Escolha (LIVRO UM) - EM REVISÃO
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