"Eu me identifico com a primavera. E o Harry se identifica com o inverno mais gelado." - Anna Farchild.
"Anna quer se casar, ter filhos e morar numa casa com a cerca branca. Eu só quero me formar, voltar a Londres e morar em um apartamento. E eu ode...
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"Pela primeira vez na minha vida, queria chamar um cara para subir ao meu apartamento, mas não o fiz." – Anna.
ANNA
Foi uma verdadeira bobagem ao entrar nesse jogo com uma turma que nem é a minha. "Deixe-os rirem, Anna." Sai da casa para chamar um taxi. Chega de festa. Que vergonha. "Eu vou matar a Trish amanhã." Ela não dá valor a essas coisas de sexo, por isso convenço-me de não ficar brava, sabendo que foi constrangedor ouvi-la falando da minha intimidade na frente de pessoas que nem conhecemos.
Estou pegando o meu celular, para acessar o aplicativo dos táxis, quando os olhos verdes, Harry, para em minha frente.
-Vamos, eu te levo para casa. – Ele me olha com aqueles grandes e belos olhos ainda com a ruga no meio da testa.
-Obrigada, mas eu vou chamar um táxi. Não precisa dirigir bêbado e nem deixar a sua namorada sozinha. – Respondo desviando os meus olhos dele para a tela do celular.
-Eu não bebi. Vamos. – Ele insiste mordendo o lábio inferior e virando-se para andar, mesmo sem saber se eu vou seguí-lo. Ele para e me olha com um leve sorriso. -E eu não tenho namorada ou nada parecida. – E continua andando sem poder ver o sorriso idiota nos meus lábios.
Sigo-o e entro no seu carro, um Ford Mustang clássico. Não me surpreendo. É bem a cara dele mesmo. O carro é ligado e enquanto ele dirige, olho-o pelo canto do olho. Suas feições são lindas, ele é lindo. Suas tatuagens do braço esquerdo são aleatórias, não parecem ter sentido, mas ficam lindas nele. Através da camiseta branca, posso ver mais tatuagens em seu peito e abdômen. "Para, Anna." Suas mãos são grandes com dedos longos e finos cheios de anéis. "Tenho certeza que o toque dessas mãos deve levar as garotas à loucura."
-Obrigada. – Agradeço baixo recriminando-me mentalmente pelos meus pensamentos anteriores.
-Pelo o que? Por te levar em casa? Acredite, eu nem sei por que fiz isso. – Responde olhando para a estrada.
Posso ver que ele forma uma ruga maior ainda entre as sobrancelhas parecendo pensativo.
-Mesmo assim, muito obrigada. – Agradeço novamente olhando para ele.
Ele não diz nada e ao chegarmos ao meu apartamento, após eu dizer o caminho, agradeço mais uma vez e ele só balança a cabeça.
Pela primeira vez na minha vida, queria chamar um cara para subir ao meu apartamento, mas não o fiz.
HARRY
"Por que eu fiz isso?"
Saí da sala dizendo ir ao banheiro, mas tenho certeza que todos sabiam que eu ia atrás da garota, Anna. E eu, realmente, ofereci-lhe uma carona.
Eu não levo garotas em casa. Quanto mais àquelas que nem comi. Mas ela... Nem por um caralho que eu ia deixá-la pegar um táxi a essa hora.
Enquanto dirigia com sua companhia no banco do carona, só podia sentir o seu cheiro, o qual é muito bom. Ela é toda patricinha e riquinha, ou seja, não é para mim. O que eu estou dizendo? Ninguém é para mim, quanto mais essa garota. Tenho certeza de que ela é do tipo que só dá para os caras do time de futebol e futuros políticos, gosta de restaurantes caros e todas essas merdas.
Posso sentir o seu olhar enquanto eu dirijo. Quero parar o carro e beijá-la até não poder mais. "Porra! Que boca ela tem." Mas não faço isso, só continuo dirigindo.
Chegamos a seu apartamento, ela em agradece e sai do carro, logo entrando no prédio. E eu só penso que nunca quis tanto chamar uma garota para voltar ao meu lado.