Capítulo 18

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Me deito no divã, João senta em uma poltrona a minha frente. Mas antes de tentar qualquer outra coisa, ele me pergunta o que causou este trauma em mim. Conversamos sobre o que aconteceu depois que fugi do orfanato.

- Fico muito triste por isso ter acontecido com você. Meu amor sei que já passou alguns anos mas você conseguiria identificar o seu agressor hoje em dia?

- Não, tava muito escuro. Só lembro que o machuquei no braço. Bem que eu queria, assim já podia ter o denunciado.

- Tem certeza disso Maryah? 

- Tenho! Infelizmente  essa é a verdade.

- Vamos tentar a hipnose, talvez seja possível ver o rosto dele. Caso não veja, faremos outras sessões até conseguirmos descobrir. Eu vou te perguntando e você vai me respondendo. Naquele momento senti um pouco de medo, não sei se queria mesmo saber quem foi, ficar remexendo nisso não era bom. Eu sempre sofro, e se eu conseguisse ver o rosto dele e não o reconhecer? Não vai adiantar de nada mas se for alguém que eu conheço como que vai ser?

- Fecha os olhos e relaxa, descansa seu corpo, inspira e expira. Imagine você num jardim, com gramado bem verde, muitas flores, as borboletas pousam de flor em flor e você tá ali no meio. De repente você levanta e anda em uma caminho como no parque, agora me diga o que você.

- Um homem, vem se aproximando e percebo que está bêbado porque tem cheiro de álcool. Não sei como ele conseguiu fazer mas parece tudo real. 

Muito bem Maryah,ele é um homem alto ou baixo? Consegue ver como ele está vestido? Em alguns momento ele te falou alguma coisa?

- Calça jeans, com uma blusa branca, a sombra do boné tampa seus olhos, em sua boca tem um cigarro. Ele é alto, mais alto do que eu. Quando consigo escapar fala algo, não tenho certeza mas acho que é Helena. Eu não conseguia ter lembranças tão claras assim. Isso me dá um pouco de esperança.

- Certo Maryah, vamos parar por aqui. Outro dia continuamos.

Não escuto mais sua voz, quando abro os olhos, João não está mais aqui.
Pensei que hoje ele ia me encher de beijo e me tratar com carinho depois da nossa primeira noite de amor mas ele acordou tão estranho.
O almoço está sendo servido, Ana mau olha para minha cara, não sei qual é seu problema comigo, mas eu não sinto raiva dela, gostaria até de fazer amizade pois como ela está na casa a um bom tempo, deve conhecer muito bem João. Mas ela está sempre com essa cara fechada e de poucos amigos que dá medo de se aproximar. Sento-me ao lado de João, porque agora ocupo o lugar de sua esposa, ele pega minha mão e dá um beijo, seus olhos estão um pouco irritado, vermelhos mas nem comento nada, do nada ouvimos na porta.

- Não acredito que vocês não iam me esperar para o almoço, Joãozinho...

João se levanta e dá um abraço em Bella que acaba de chegar de viagem, eu também a comprimento e voltamos a sentar na mesa. João conversa com ela enquanto eu fico só escutando, tive pouco tempo com ela e não tenho tanta intimidade assim.

- Sabe João, acho que não vou voltar. É muito ruim ficar sozinha sem a minha família, longe da minha casa, acho que vai ser melhor continuar fazendo aqui. O almoço termina e sentamos no sofá, Bella vem a todo vapor com muitas novidades. Fico me sentindo um peixinho fora da água mas João me chama a realidade.

- Amor, senta aqui do meu lado. Eu sorrio sem saber o que falar.

- Amor? E essa aliança? O que eu perdi nesses poucos dias que fiquei fora?

Sento do seu lado mas João se aproveita e deita colocando sua cabeça em meu colo, assim eu faço um carinho em seus cabelos, ouvindo ele contar tudo que aconteceu para Bella. Depois de muito tempo conversando, peço licença e vou para o quarto. Logo atrás João chega, tranca a porta do quarto.

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