Minha vida é essa, estudar e ajudar meus pais vendendo as cocadas, às vezes quando dá vendo brigadeiro também. Essa minha rotina não muda, nem mesmo nos dias mais frios ou de chuva.
A fome bate a qualquer momento, ela não dá somente nos dias de sol. Por isso eu raramente vou na casa de alguma das meninas fazer trabalho, sempre que eu vou, sou bem tratada, nem parece com aquelas pessoas de nariz empinado que passam por cima dos mais pobres, como o resto da escola.
Às vezes, o destino nos prega peças impossíveis de se encaixar. Pra mim o destino é uma criança que brinca com a nossa esperança, de desilusão enche a pança, taca a porta na cara alheia e depois se vai pela janela rindo.
Às vezes me pego lembrando daquele homem que foi tão mau comigo. Gostaria de saber se ele tivesse tempo de me ajudar, qual seria a desculpa que usaria pelo o que fez? Mas ainda bem que não deu. Também não encontrei ele pela cidade, acredito eu, que o visse se aproximando eu sairia correndo, com medo de que ele faça alguma coisa parecida como naquele dia. Talvez aquele nem seja ele, pode ser que apenas teve um péssimo dia. Não posso acreditar que um homem tão bonito como ele seja tão estúpido daquela forma. A primeira impressão é a que fica, mas só pra quem se contenta com as aparências e não se permite encontrar novas impressões.
Os dias, as semanas, os meses foram se passaram e os meus dias foram todos iguais, escola, vender os doces, estudar, fazer trabalho e ajudar em casa. O fim do ano está se aproximando e graças a Deus esse é o último ano na escola, o ensino é bom, os professores são competentes mas os alunos, esses são desprezíveis. Só de pensar que não vou mais precisar conviver com eles, me parece ótimo. Saindo da escola vou arrumar um emprego melhor para ajudar aqui em casa, vou fazer meus cursos a noite. Eu não sei o que futuro me reserva. Também não gosto de planejamentos à longo prazo. Prefiro não criar expectativas.A vida me ensinou assim. Não sei nada sobre o que vai acontecer ou não, no futuro. A única certeza que tenho e não abro mão de tê-la. Por isso que meus passos em minha cabeça já está planejado. Se tudo der certo quero ser professora, para cuidar das crianças porque eu sei que na escola elas também precisam de carinho e atenção além de aprendizado, e só quem já passou por uma situação feita a minha para entender. Crescendo com mais de duzentas crianças, tem muita sorte se alguém te olha com carinho.
O mês de dezembro é cheio de palestras para os alunos que em breve vão se formar. Semana passada foi direito e contabilidade, essa semana já tivemos minha preferida pedagogia, e hoje é dia da medicina. Sinceramente, eu nunca teria coragem, não posso ver sangue que já me da um negócio ruim mas pelo lado de poder ajudar as pessoas deve ser legal.
A semana toda foi fraca na praça, hoje é sexta e eu nem queria ir na escolar para poder vender os doces, porém só tem mais uma semana, não posso faltar.
Essa época do ano parece que o inferno abre as portas, o calor quase faz a gente derreter. Uso shorts preto com a camisa do uniforme preta, meu tênis que está velho, estou tão atrasada que nem dá tempo de arrumar o cabelo, que fica todo desarrumado.
Muito ouvir falar sobre liberdade. Pra mim a liberdade existe! Fica entre a roda dianteira e a roda traseira. É, eu sempre tive uma quedinha por moto, tem umas mesmo que são perfeita por demais, eu sempre quis pilotar uma mas nunca tive oportunidade. Longe de mim ser Maria gasolina mas é algo que parece permiti de ser livre.
O sinal fecha para que eu possa atravessar, já estou perto da escola, quando escuto aquele som do motorzão se aproximando, eu não resisti. Viro o rosto para o lado, para olhar a moto. Uma BMW S 1000 RR PRETA, moto grande daquelas bem top. Quando olho para quem está em cima do tanque, quase tenho um infarto ali mesmo. Aqueles olhos inesquecíveis que sempre atormentam meus pensamentos. Por alguns instantes fico parada no meio da faixa, olhando para aquele homem lindo que eu nem sei o nome, até suspirei mas me dei conta que estou no meio da rua e lembrei também o que ele fez comigo, continuo andando rápido e entro logo na escola. Por algum motivo que desconheço fico bem nervosa, sabe aquelas pessoas que só sabem rir quando estão nervosas? É eu, não consigo parar de rir, até pareço uma boba. Logo vou ter palestra, será nas duas primeiras aulas. Cheguei tão atrasada que nem entro na sala, vou ao banheiro para lavar o rosto e respirar, quando sinto que o nervosismo passa, vou direto para o ginásio, eu queria sentar no fundo mas todos os acentos de trás estão ocupados, o que me faz ser obrigada a sentar na frente. Eu fico viajando na cena que aconteceu mais cedo e pensando o que aquele homem lindo anda fazendo por essas bandas? Eu nunca vi ele por aqui. Não sei dizer isso é ruim. A palestra já começou e tudo que eu não quero é chamar atenção para mim, quando estou chegando perto do assento que escolhi, a alça da minha mochila rasga e cai no chão e mais uma brincadeira do destino. Que merda acabei de chamar toda atenção que não queria para mim, e o pior é que quase todos riem da minha desgraça. Alguém que vem atrás de mim, se abaixa para pegar minha mochila. Acho que hoje ele quer brincar comigo mesmo. Aquele homem lindo, lindo demais, gato da porra, ta bem aqui na minha frente. Pelo menos hoje ele me ajudou mesmo que não seja sua culpa. Ele se apressa e vai assumindo o microfone. Pelo jeito é ele quem vai ministrar a palestra de hoje.
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Primeiro olhar
RomancePLÁGIO É CRIME! PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS. CONTÉM PALAVRAS ILÍCITAS, VIOLÊNCIA E CENAS DE SEXO. Quando nós trocamos o primeiro olhar, o meu coração pediu pra se apaixonar! Será que existe mesmo esse amor ao primeiro olhar? Maryah, é uma jove...
