Capítulo 44

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Mau tinha amanhecido e Ana me liga desesperadamente, eu não queria atender, não queria sair do lado de Maryah. Eu apenas queria prolongar esse momento de amor que a tanto, eu esperava. Ninguém, jamais conseguiria entender isso.

Depois de muita insistência de Ana, me sinto obrigado a atender. Eu espero que ela tenha um bom motivo mesmo. E é! Assaltaram a casa de Blumenau, eu tenho que voltar imediatamente para registar a queixa.
Saio de casa e só aviso rápido a Bella o que havia acontecido, sem se despedir de mais ninguém volto imediatamente para Blumenau.
Não conseguia acreditar no estrago que foi feito, muitas coisas quebradas, outras roubadas, e o que mais me deixou intrigado foi o fato das câmeras estarem desligadas, a única que estava ligada é a que dá acesso para o estacionamento. E tudo que consigo pensar é que isso, é coisa de alguém que me conhece.
Logo as investigações começaram a ser feitas, a primeira pista que tive foi, é uma quadrilha! Cinco homens entraram na casa, segundo o delegado Bruno, eles tiveram ajuda de alguém que já frequentou ou frequenta a casa. Uma coisa que vai ser difícil de saber, muitas pessoas vieram até minha casa mas com calma tudo vai se esclarecer. A única coisa ruim disso tudo é que enquanto não se encerrasse as investigações, eu tinha que me manter perto.
Lembro da noite maravilhosa que tive ao lado de Maryah e foi grosseiro a forma em como saí de casa sem se despedir dela. Liguo para uma floricultura próxima de casa e peço que entreguem tulipas, todas para Maryah em meu nome com um cartão.

" Me desculpe o modo como saí, foi um prazer enorme te ter em meus braços, obrigado pela noite, espero te reencontrar o mais breve possível.
Que meu pecado seja perdoado, pois metade de mim é amor, e a outra metade? Também. "
Com carinho J.M

Passei praticamente o dia todo acompanhando as primeiras investigações, sei que quem fez, fez muito bem feito pois não conseguiram encontrar mais nenhuma pista, nem um fio de cabelo, nenhum dna, nenhum outro detalhe capaz de ajudar. Passei o dia a disposição disso que nem tinha reparado que já era noite e a bateria do meu celular havia acabado.
Quando chegar em casa só quero descansar, passar uma tarde inteira na delegacia foi muito cansativo.
Mas mau chego em casa Ana me informa que Bella passou a tarde toda ligando, me procurando.

- Ana, vou para o meu quarto pode me fazer o favor de levar um lanche para mim.

- Claro senhor, alguma novidade? Sei que todos estão preocupados, mas no momento não tenho nada para acalma-los.

- Não, e obrigado.

Subo as escadas exausto, começo a pensar o porque de ter comprado uma casa tão grande, se minha família é tão pequena.
Coloco o celular para carregar e vou tomar um banho, mereço relaxar, não consigo parar de pensar nenhum minuto em Maryah, da noite que passamos juntos, dos nossos corpos colados, mesmo sem ela lembrar, não tem como enganar um coração apaixonado, em algum lugar ali dentro ela continua me amando.
Ao sair do banho em cima da cama tem um sanduíche, um pedaço de torta e um pêssego, ao lado um iogurte e um suco de laranja.
Ana tem esse jeito fechado, mas é uma ótima empregada, está a muito tempo trabalhando comigo e sempre cuido muito bem da minha casa, e da minha família. Só não entendo o porque de rejeitar tanto Maryah, as vezes penso que sente ciúmes, considero ela como uma segunda mãe.

Como mau me alimentei durante o dia, estando a maior parte do tempo na rua resolvendo esses problemas, devoro tudo o que Ana trouxe, pego meu celular e tem muitas mensagens de Bella, não vou perder tempo lendo uma por uma, então decido ligar do que ficar lendo mensagem por mensagem.

- Fala Bella, como está as coisas aí?

- João onde você estava, estou te ligando a horas, te procurando feito doída. Eu não sei como te explicar, nem sei direito o que aconteceu mas Patrícia foi levar Joãozinho aqui no parquinho para dar uma volta e Maryah foi junto com ela. Sua voz aflita, eu conheço esse tom, ela me deixa preocupado.

- É até bom que ela saía de casa um pouco mas o que tem de errado nisso?

- Ela sumiu, desapareceu, não voltou para casa. Já rodei pela cidade procurando por ela, mas não achei. Sinto um frio na barriga, um medo escomunal.

- Não pode ser verdade, acontecer tudo isso hoje, tá de brincadeira né?

- Claro que não João. Porque que as coisas são tão complicado pra gente?

- Tá bom, vou voltar pra casa agora, mas fique atenta, qualquer coisa me liga.

- Venha com cuidado. Ligo para o delegado Bruno, que vai tomar conta do caso e explico a situação de Maryah e o que aconteceu. Digo que sou obrigado a voltar para casa urgente e fico na espera que ele me conte tudo, me informe cada detalhe, casa pista nova.

Peço para que Ulisses que me acompanhe, do jeito que eu estou eu saio de casa as pressas.
Eu sofri todos esses meses com a ausência dela, implorando todas as noites a Deus que me desse uma luz, para ter novamente a sua presença, foi muito difícil, foi dolorido até eu reunir forças para procurar. Até encontra-lá eu passei por poucas e boas, eu a tive em meus braços e por estar bêbado não consegui reconhecer a minha amada, também pelas suas mudanças que eu não esperava, até hoje não entendo como não pude perceber que era ela. Eu estive tão próximo e a deixei ir mais uma vez.
Mais longos meses na tortura agoniante de não ter notícias de não saber nada me consumiam.
Até o dia em que reconheci o Lancer estacionado ao lado do hospital, eu não sei ainda o que ela estava fazendo ali, nem sei se leu o meu bilhete, só sei que no final do dia ela deu entrada no hospital.
Dizem que anjos não caem do céu, hoje eu posso discordar, ela cai do céu bem em meus braços, quando eu estava perdendo as esperanças .
Eu só fui ter certeza que era ela por causa da tatuagem, e depois de tanta busca, sofrimento, espera ela aparece ali, dependendo de mim para sobreviver, e para trazer ao mundo o nosso filho.
De todos os partos que eu já fiz, esse foi o mais emocionante, eu nunca vou esquecer. Seria o homem mais infeliz se algo tivesse dado errado.
Eu a encontrei, ou ela me encontrou mas eu cuidei e tratei ela com todo meu amor e carinho, passei todos esses meses fazendo minha obrigação, ajudando, protegendo, com medo que ela lembrasse de tudo e me rejeitasse. Quando as coisas finalmente estão indo bem, essas duas bombas para atrapalhar tudo, o pior que eu não faço a mínima ideia de quem possa estar envolvido. Não tem mais Rubens, Vanessa não teria coragem pra tanto.
Eu não vou a perder de vista agora, nem que eu tenha que revistar cada canto dessa Curitiba, nem que seja preciso passar dias fazendo isso, se foi alguém que a sequestrou, eu sou capaz de dar todos os meus bens, todo o meu dinheiro, minha casa,meu carro, até a minha vida pela dela. Quem estiver envolvido nisso, eu mesmo faço questão de fazer a pessoa pagar, ela tem um bebê, está sem memória, só alguém muito covarde para fazer esse tipo de coisa com ela que é tão indefesa. Se estiverem a maltratando, a machucando, fazendo algum mau, eu não posso ficar pensando nisso, não importa onde ela estiver, eu vou atrás, vou a procurar e vou achar, ela é e sempre será minha, minha mulher.
Meus pensamentos fervilhando, será que Vanessa tenha algum envolvimento com isso?
Naquele dia ela saiu de casa jurando vingança, não seria capaz de fazer isso, ou seria?
Meto o pé no acelerador, preciso chegar logo, o mais rápido possível. Ulisses vem bem atrás de mim, sei que ele vai poder me ajudar muito, também posso confiar nele.
Como se não bastasse as curvas da Serra, são muito fechadas, começa a chover forte o que só complica. Ulisses acha melhor parar e esperar a chuva passar ou amenizar um pouco, me pedindo para ir com calma também.

- Patrão, não importa a hora que vamos chegar mas sim temos que chegar bem e com vida, o senhor está indo muito depressa, coloque pelo menos o cinto para sua segurança.

- Tá certo, estou colocando o cinto mas não, não Ulisses, cada minuto é muito importante eu não posso parar, nem esperar.

Distraído com o celular, não conseguir frear, estava muito em cima da curva, só sinto os impactos, o carro capotando, até perder totalmente a consciência.

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