Meu pai era um excelente advogado, o melhor de Curitiba. minha mãe era médica pediatra, ela amava crianças e sendo médica podia cuidar de todas as crianças, acho que puxei essa parte dela. Meus pais criaram e educaram muito bem eu e minha irmã Isabelly, que é seis anos mais nova do que eu. Meus pais foram o meu maior exemplo de honestidade e carácter, eu aprendi muitas coisas com eles.
Meus pais, sempre ocupados com o trabalho e sempre que tinha aquela folga, aproveitavam em família.
Até que um certo momento, eles resolveram tirar umas férias, e maldita hora depois daquele acidente de carro, eu nunca mais os vi com vida. A pior parte da morte não é saber que um dia se morre mas não saber quando ela chegará. Eu não tive a oportunidade de me despedir dos meus pais e dizer como amava-los.
Depois desse ocorrido, Bella e eu passamos a conviver com nossos avós maternos. Na época, eu tinha 15 anos, lembro como fiquei triste, devastado com a notícia. Eles eram tudo que eu tinha e a vida me tirou assim, de repente sem nenhuma explicação.
Quando terminei o ensino médio, fui para Londres. Eu poderia ter cursado direito como meu pai, quem saber ser um advogado, promotor ou até mesmo juiz. Também poderia ter escolhido qualquer outro curso, engenharia ou arquitetura mas a chama viva dentro de mim era outra.
Estudei muito, fiz tudo que pude sobre medicina geral até me formei mas preferi a psicologia. Como a mente é um mistério e sempre tive muita curiosidade em descobrir sobre a cabeça e os pensamentos humanos, foi a melhor escolha, até mesmo para me entender melhor.
Ficar em Londres foi bom, me ocupava tanto que não tinha tempo para pensar em nada, até a falta dos meus pais foram substituídas por muito estudo.
Depois de muito tempo, comecei a frequentar festas e bares, em um bar de Londres conheci Vanessa. Uma linda morena de pele branca e cabelos negros como a noite, seus olhos pareciam duas esmeraldas, era fascinante, seu corpo era escultural chamava atenção por onde passava sendo extravagante, tanto que já foi me pagando um drink e sentando ao meu lado. Eu aproveitei o momento e Vanessa parecia ser uma daquelas mulheres que sabem muito bem o que quer, atitude é algo que eu admiro muito em alguém. Pensei que seria apenas uma noite mas não foi bem.
Continuamos a se envolver, não sei dizer se era apaixonado por ela mas tinha algo que me prendia.
Tempos depois me vi obrigado a voltar para Curitiba, eu queria me enganar acreditando ser apenas férias mas a verdade é que tinha um assunto bem pessoal pra resolver.
Naquele tempo, muito moleque ainda com vinte anos, só parava nas festas e não sabia nem como voltava para casa mas dessa vez, a dor da culpa me fez fazer algumas besteiras. Justamente nessa semana que fiquei na cidade, ainda hoje não sei se foi real ou se foi um sonho mas acordei em casa machucado, se eu briguei na noite passada não tinha recordações. Até voltei ao local para ver ser fazia sentindo o sonho com o que aconteceu mas não encontrei absolutamente nada. Não me sobrava mais nada, a não ser regressar.
Voltei para Londres, cerca de dois anos de relacionamento com Vanessa, ela descobriu uma gravidez então insistiu que era hora de voltar novamente ao Brasil.
Quando voltamos, tive que enfrentar com a perda mais uma vez. Meu avô morreu de pneumonia e algumas semanas depois minha avó, não suportou a ida de seu velho.
Eu estava com meus 25 anos, Vanessa com 30 anos, grávida de um filho meu e fiz o papel de homem, dei um tento para morar e casei. Com ela, casei somente no cartório, achava que não era época de casar na igreja e fazer festa, não só pelo luto mas também porque eu sentia que não amava ela de uma forma extraordinária.
Bella estava terminando o colegial e já tinha até escolhido no que gostaria de se formar, moda! Minha irmã andou sempre bem arrumada, antenada nas novidades.
Vendi a casa dos meus pais e fiquei com a casa de meus avós. É muito mais grande, bonita e num bairro nobre de Curitiba.
No dia que Luíza nasceu, depois de todas as perdas que eu havia sofrido, me senti no dia mais feliz de minha vida, minha bonequinha linda, perfeita, se parecendo muito comigo. No momento em que a peguei em meu colo, meu coração foi tomado por um amor incondicional por esse ser humano. As palavras não são capazes de expressar o que eu senti.
Os anos foram se passando e meu casamento com Vanessa só desandava. Ela continuou com a ideia de viver sem responsabilidade, queria curtir a vida, gastar todo nosso dinheiro no shopping com coisas inúteis, fazer viagens, ir aos bares, festas e mais festas. Quando eu a acompanhava sempre brigávamos, ela sentia ciúmes demais e bem na verdade isso não era para mim. Sempre fui muito centrado, controlado, eu odiava aglomeros e escândalos, para o médico que sou, minha imagem é muito importante.
Nesse último mês, Vanessa não me deu sossego, a todo momento pedindo para ir para as Bahamas, Jamaica, Cuba. Não podia parar meu trabalho agora ainda mais nesse momento em qual decidi ser voluntário por meio período e ajudar as famílias de pouca renda. Vanessa desde que me conheceu nunca trabalhou, eu jamais me importei com isso, pois o meu trabalho sempre deu para nos sustentar perfeitamente. Ele tinha apenas que cuidar de nossa filha.
Vanessa jogava sujo, todas as vezes ela vinha com a mesma conversa,
" você não tem mais tempo para sua família, agora você só pensa nesses pobres imundos"
O blá blá blá de sempre.
Esse meu casamento está ficando inconveniente, acreditando que cometi um erro ao casar, só aguentava tudo por Luíza. Minha opinião é que os filhos devem ser criado pelos pais juntos. Separados acabam confundindo a cabeça da criança.
Um certo dia, Vanessa me liga bêbada, inúmeras vezes durante o dia e isso me deixa muito irritado, sempre desconfiando e falando de festas, viagem...
Mau consegui atender meus pacientes, para mim essas coisas são fúteis, quando se tem tantas pessoas precisando de ajuda e ela pensando só em si. Eu nunca fui egoísta, meu prazer é ajudar o próximo mas nesse dia Vanessa atormentou tanto meu juízo que sai mais cedo do consultório.
Quando estou chegando perto de casa, uma mocinha vem me oferecer doces, na verdade eu sei o que era mas o ministério da saúde sempre informa para que não haja consume de alimentos sem procedência.
Como Vanessa não parava de me ligar e eu estava fora dos meus limites, fui muito grosso e estúpido com aquela moça, descontei minha raiva sendo que nunca a vi, e quando me dei conta desse meu gesto grotesco e olho de verdade para ela, percebo que é só uma menina, com olhar assustado e lacrimejados, caída no chão porque eu a derrubei. O arrependimento toma conta de mim, eu costumo ajudar pessoas assim como ela. Não pude pedir perdão pois o sinal abriu e as pessoas que estavam atrás ficaram buzinando apressadas.
Sai dali o mais rápido que pude, envergonhado do que acabei de fazer. Não consigo tirar da cabeça que existe algo naquele olhar que me parece familiar, como se eu já conhecesse ela mas não consigo ter certeza, não me lembro dela de nenhum lugar.
E para piorar as coisas em casa, Vanessa me espera pronta para mais uma briga, definitivamente hoje estou sem cabeça.
Começamos a falar coisas horríveis um para o outro, eu não queria mais esse casamento e parece que ela acertou em cheio sobre meus pensamentos.
- João Miguel, eu não quero mais esse casamento sem graça, você esqueceu de mim para ficar com aqueles pobres, eu não aguento mais essa vida sem adrenalina. Você acha que é Deus mas você não é. Não podê fazer nada pelos seus pais, nem por aqueles velhos que te criaram e acha que fazendo o bem para esses miseráveis vai diminuir a culpa que você sente? Ela conseguiu esgotar meus limites ao falar da morte da minha família.
- Vanessa cala essa sua boca, sua bêbada, você não sabe o que ta falando e também não sabe o que sinto. Se o que eu te dou não é suficiente pode ir embora, não está aqui obrigada. Faça-me esse favor e me deixei em paz, só que uma coisa vou te dizer Vanessa, minha filha você não leva e se sair não volte mais aqui.
- Vou sair mesmo porque sou linda, gostosa e jovem, tenho muito ainda para viver e aproveitar mas nem quero levar essa pentelha comigo, vai só me atrapalhar, quero viver de verdade. Mas não ao seu lado que só vive para os pobres. Deixei a falando sozinha, se continuasse ali com ela não sei nem do que seria capaz.
Passei a noite no quarto de Luíza refletindo, como que alguém não pode amar o próprio filho? Ela linda assim, tão inocente.
Mas se Vanessa acha que vai se dar bem as minhas custas, está muito enganada, agora mesmo vou entrar com o pedido de divórcio e pedido de guarda. Gilbran é o melhor nisso, já aproveito também para dar um tempo aqui de Curitiba, deixo avisado para Vanessa.
- Quando voltar não te quero mais aqui, entendido? Ela dá aquele sorriso de deboche.
Vou para Florianópolis, deixei Luíza com a futura mulher de Gilbran, por incrível que pareça ele vai se casar amanhã, estamos indo para sua despedida de solteiro, a essas alturas do campeonato eu já me considerava livre. Aquela despedida foi uma das melhores que fui, até Gilmar está ali, ele também casou, essa família está cheia das novidades. Eu estou tão bêbado que nem me lembro com quantas mulheres eu fiquei, mal me lembro de ter emprestado minha blusa para Gilmar.
Mais alguns dias passei ali, conheci a família de Gilmar, famiília bem grande e linda. Sua mulher é um doce de pessoa e seus filhos são perfeitos.
Já estava no tempo de voltar para casa, e não quero encontrar com Vanessa por lá, tenho que achar um moça para cuidar de Luíza e preciso encontrar a mocinha dos doces para me perdoar. Curitiba é tão grande, será que vou encontrar fácil ?
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Primeiro olhar
RomancePLÁGIO É CRIME! PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS. CONTÉM PALAVRAS ILÍCITAS, VIOLÊNCIA E CENAS DE SEXO. Quando nós trocamos o primeiro olhar, o meu coração pediu pra se apaixonar! Será que existe mesmo esse amor ao primeiro olhar? Maryah, é uma jove...
