Capítulo 36

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Voltar para casa e saber que não corríamos mais nenhum perigo foi bom mas melhor ainda foi ser recebido com muitos beijos e abraços de Luíza.
Por ela eu tenho todo o amor do mundo, por ela tratei de ser melhor, toda minha dedicação é dela.
Nossa volta foi turbulenta, com a notícia de Rubens no hospital, eu não queria que Maryah fosse ver ele mas eu sei que quando ela coloca algo na cabeça é impossível fazer mudar de ideia.

Confesso que me surpreendi muito ver ela perdoando Rubens, isso me fez acender uma esperança para meu caso. Mesmo assim tinha minhas dúvidas pois eu não sei se ela perdoou de coração ou foi só porque ele estava a beira da morte, com certeza não é assim que quero ser perdoado.

Assim pude ver o tamanho do coração dessa menina, apesar da marra e teimosia, ela é uma ótima pessoa, sempre mostrando ter princípios e valores.
Com a morte do Rubens ganhei um tempo pois no fundo ela sempre acreditou que ele era o culpado. Que Deus um dia me perdoe, pois ele já não vai mais causar nenhum problema. Vanessa foi outra que desapareceu, também com todo o dinheiro que dei a ela, acredito que não volte a dar as caras tão cedo. Agora Helena, essa sim queria destruir minha vida. Ela sempre disse que sofreu muito aqui e que não queria relembrar seu passado, eu nunca soube o que, mas a vida dela envolve muitos mistérios.
As coisas meio que foram se ajeitando e sem dúvidas, agora Maryah, minha família e eu teríamos dias de paz e felicidade.
Os primeiros meses foram corridos com nossa nova rotina mas nos saímos bem. Bella e Maryah na faculdade e essas duas sempre me ajudando, me apoiando com Luíza qual coloquei em uma escola integral para facilitar a vida delas. E não sofrer com minha ausência em casa.
Eu além de estar no consultório, resolvi por trabalhar no hospital porque eu sempre quis ajudar os mais necessitados de alguma forma, foi por isso que escolhi um hospital público e ali todos os dias eu atendia muitas pessoas. Também tinha um projeto de morar fora do Brasil em alguns países, onde ser médico é bem valorizado.

Na maioria das vezes era tão cansativo, saindo cedo de casa e chegando tarde, dormindo em média 6 horas por noite. Não tinha mais convivência com Luíza e mau tinha tempo pra Maryah, somente nos dias de folga, eu fazia o máximo para aproveito o tempo do lado delas.
Nesses dias de folga tive a oportunidade de ensinar Maryah a dirigir e essa danadinha aprendeu rápido em três aulas ela já sabia tudo.
Ela é perfeita sempre se preocupando comigo, quase todos os dias me traz almoço e me faz companhia, ela deu uma melhorada muito simbólica nesses dias. E os meses se passaram tão rápido que nem percebi passar, o nosso contrato está chegando ao fim mas antes vem seu aniversário e eu quero a surpreender. Talvez agora a gente pudesse pensar em um casamento de verdade, do jeito que quisermos.
Voltei a conversar com Fel que além de paciente e meu tatuador, nessas conversar, ele me convenceu a fazer outra. Quando eu tiver uma folga com certeza eu vou. Fiz algumas pesquisas e achei a palavra ideal, Recomeçar.
Desde que me conheço por gente, minha vida é um recomeço. Nunca desanimei, nem parei diante os obstáculos, sofri muito mas aprendi, assim ganhei minhas experiências e principalmente maturidade.

Aprendi que a cada fase que se encerra, a vida mesmo nos obriga a recomeçar e de todos os recomeços que já vivenciei esse é o melhor.
Como Maryah aprendeu a dirigir rápido, pensei em dar um carro de presente. Pesquisei marcas para mulher, melhores no requisito conforto, resistência e proteção, a mitsubishi, fiz uma varredura entre muitos carros, porque também queria que fosse algo que ela sempre lembrasse de mim. Foi até engraçado mas achar um com meu nome é mais do que eu esperava. Lancer Evolucion a princípio é um carro de corrida muito bonito, moderno e com o meu nome. Sim, o presente ideal.
Como no dia do aniversário de Maryah eu vou estar em plantão, resolvi fazer a surpresa no meu dia de folga e foi tudo muito bem planejado.
Pela manhã fui até o estúdio do Fel fazer minha tatuagem e levei Maryah comigo, fiz Recomeçar em árabe, ela gostou tanto que ela fez igual e no mesmo lugar que fiz a minha, poderia dizer que foi uma tatuagem de casal. Tipo uma prova de amor, como a vida é imprevisível ...
Na volta para casa o carro está lá e Maryah ficou muito feliz, ver o seu sorriso foi o que valeu pra mim. Demos um pequeno passeio, assim ela conheceu melhor seu presente, eu não podia perder a chance de estrear o carro, e foi maravilhoso. Parecíamos dois adolescentes enfrentando o proibido. Ela aprendeu, a aprender a me agradar e sua dedicação me fascina.
Em um dia quase normal, Maryah foi almoçar no consultório comigo, eu acho tão bonito a forma que ela se importa comigo, desde um gesto simples como fazer um almoço só pra ter a certeza que eu continuo me alimentando bem, é o jeito dela de querer me fazer bem. E esse almoço de alguma forma me lembrou os domingos com meus pais, até aquela torta de limão me fez lembrar o que minha mãe dizia.

Que eu deveria ser um azedo de tanto que gostava de limão quando estava grávida de mim. "

Mas o que intriga é que nunca fui muito fã de limão, e pra não fazer desfeita, como um pequeno pedaço. Já Maryah comeu a metade da torta, tanto que chegou a passar mau. O dia foi cansativo até demais e quando cheguei em casa Ana me informou que Maryah havia passado mau e que não tinha jantado, me preocupei pois está uma onde de vírus. Ela estava dormindo tão angelicalmente que optei por deixar ela dormir, tomei banho, jantei e com cuidado deitei ao seu lado, entrei alguns carinhos percebi que já não usava mais o adesivo...
Manhã corrida, como ela havia passado mau na noite passada, levo o café na cama para ela só pra ter certeza que está se alimentado. Logo fui para o consultório, até esqueci de dar os parabéns pra ela, tava tão esquecido que até o celular deixei em casa. Durante a manhã escrevi uma pequena carta e um trecho de música, que até se identificou com a nossa situação, comprei um lindo buquê de rosas com 18 botões, e antes do almoço fui para casa, fazer mais uma pequena surpresa.
Ao chegar em casa com a reserva da chave do carro, coloquei as flores com a carta no banco de trás, subi as escadas quietinho. Ao entrar no quarto, eu vi no seu rosto o quanto estava assustada, isso me fez ter a certeza que o meu mundo estava desmoronando.
A caixa preta trazia todo meu passado, algo que só quem me conhece muito bem sabe, porque eu nunca compartilhei meu passado com ninguém. 

Eu tentei tirar da vista dela, todas aquelas fitas era pra não abrirem mas com Maryah não tinha jeito. Ela descobriu sozinha o meu passado, os meu segredos e do modo mais triste ela reconhece o seu agressor.
Ela fugiu sem ao menos me deixar explicar, eu a procurei por vários lugares de Curitiba. Liguei, mandei mensagem, nenhum minuto parei de tentar mas ela simplesmente não fazia questão de atender. Quando as ligações começaram a cair na caixa postal é que me desesperei mas como ela visualizou minha mensagem no facebook, tive certeza que estava em algum lugar, não bem mas viva, e não queria conversa comigo.
As primeiras semanas foram as mais difíceis e cruéis, eu não conseguia mais dormir e quando cochilava sonhava com Maryah, acordando sempre chorando e chamando seu nome. É como se o feitiço virasse contra o feiticeiro. Não sentia vontade de comer, perdi alguns quilos, não sabia nem como conseguia trabalhar. Meu rendimento estava baixo, estava a base de remédios. Minha cabeça pensava só em Maryah, onde estava, com quem estava, se estava bem...
Entrei num estado de depressão, me afastei do trabalho e por um mês fiquei trancado no quarto, me recusava a ver minha própria família, minha vida não tinha sentido sem Maryah.
Um certo dia tive um sonho, ela estava linda, eu a observava de algum lugar e do nada um carro em alta velocidade a atingia, ela caia e não acordava mais.
Acordei louco, com a certeza que algo tinha acontecido com ela, ela tinha morrido e eu não queria mais viver aqui sem ela. Lembrei de um revolver no cofre, eu o peguei, deitei na cama, fiz uma oração e quando engatilhei meu celular tocou.

- Alô, senhor João Miguel? Eu não conheço esse número, mas eles me conhecem.

- Sim é ele.

- Falo aqui da cidade de Blumenau, a respeito do curso da nossa aluna Maryah. Ela fez a transferência e a antiga instituição me explicou com detalhes, gostaria de resolver alguns detalhes com o senhor.

Vi uma pontinha de esperança, ela está em Blumenau e na mesma semana dei um jeito de ir até lá. Resolvi tudo que era necessário na cidade e voltei para casa. Fiz um pequeno tratamento, voltei a minha rotina, em menos de um mês eu estava de volta a ativa.

Agora eu já sabia onde ela estava e seria só questão de tempo até achar. Já tinha planejado tudo em minha mente. Me vi obrigado a contar tudo para Bella, que não me julgou apenas me apoiou, aos empregados, ficaram sabendo que eu e Maryah, tínhamos mudado de casa e de cidade.
Voltei para Blumenau,e  comprei uma linda casa num bairro nobre, levei Ana para trabalhar lá comigo, deixei meu conversível para Bella e fui com meu Gt.
Não demorou muito até que conseguisse trabalho no hospital Santa Isabel. Meus horários são totalmente diferente, trabalhando das 10 da manhã até a 12:00 da noite. Com uma folga semanal e um fim de semana por mês.
Algumas vezes esperei na frente da faculdade mais nunca a vi por ali, talvez estivesse a procurando nos horários errados, passei a frequentar algumas festas mas nada também.
Um dia em um desfile de uma festa típica da cidade, acabei cruzando com uma jovem, passando mau, esses jovens que não tem limites e bebem sem parar. Me vi no direito de ajudar, eu não ia ganhar nada com isso mas posso fazer algo de bom por ela. Algo nessa jovem era familiar mas não lembro de a conhecer, bonito do jeito que é eu jamais esqueceria. Me lembrei como fui irresponsável na minha juventude, também bebia até não me aguentar mais, tanto que cometi aquele maldito erro...

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