É uma surpresa ver meu pai aqui nesse momento, ainda mais tão cedo. Até imagino todos os tipos de formas de como contar a ele mas o que mais me surpreendeu, é ver papai passar mau, puxando o ar e pondo a mão no coração, e assim caindo nos braços de João. Eu sabia que algo assim podia acontecer, só não pensei que seria por isso.
João rapidamente pega meu pai no colo e leva para seu quarto, pois mãe poderia se assustar de o visse dessa forma, e João o examina ali mesmo.
- Amor vamos precisar leva-ló até o hospital, tudo consta que seu pai está tendo um início de infarto. Em casa eu não posso fazer nada.
Nesse instante, um pequeno filme se passa pela minha cabeça, e temo intensamente perder meu pai. Com todo cuidado volto ao corredor e vou para quarto de mamãe que já está acordada. Respiro fundo enquanto procuro as palavras certas para dizer.
- Mamãe, o papai viu eu e João juntos, ele passou mau. Temos que levar ele no hospital agora.
- Que nosso Jesus proteja meu velho, eu quero ver ele agora. Procuro ele pela casa e o encontro João na sala, que tenta acalmar mamãe e nos auxiliá .
- Eu vou levar ele até o hospital como meu paciente, enquanto isso vão com Ulisses o motorista até a casa de vocês, peguem o que for necessário, documentos, remédios, roupas talvez ele tenha que ficar internado.
E assim fizemos, João seguiu para o hospital, enquanto nós voltamos para a nossa humilde casa.
Nesse tempo de ida, mamãe não quis conversar, tão pouco disse alguma palavra, a todo momento demonstrou angustiada e as lágrimas corriam em seu rosto as vezes.
Ao chega perto de casa, Ulisses estaciona em frente ao caminho que da até em casa, prefiro por deixar mamãe aqui pois eu posso ir mais rápido dando meus passos largos.
Achei estranho o fato da porta estar aberta mas estou tão envolvida com as preocupações que nem dou importância.
Entro no quarto, em uma mochila velha coloco algumas peças de roupas e o único sapato que papai tem. Em cima do guarda roupa, tem uma caixa de sapato com todos os documentos e alguns papéis importantes, pego cpf, rg e carteira de trabalho mas antes de fechar a caixa, me chama atenção um papel destacado, parece com um daqueles presentes de escola dos dias dos pais, com o nome de Rubens, viajo em meus pensamentos...
Como uma criança pode crescer e ser tão maldoso com as pessoas, até mesmo com os próprios pais?
Fecho a caixa e devolvo ao mesmo lugar que estava. Tento sair rapidamente mas antes de sair do quarto sou empurrada e caio ao chão.
- Quem é viva sempre aparece.
- Rubens agora não é hora, papai está muito mau no hospital. Ele parece não escutar, deve estar bêbado ou drogado.
- Uma hora ele tem que morrer mesmo e a hora quem decide sou eu. E vai ser agora.
Tento fugir feito animal me arrastando pelo chão mas Rubens me agarra pelo cabelo, me fazendo sentir como se fosse arrancar meu couro junto.
É impossível segurar as lágrimas mas o desespero faz com que minha voz fique falha e minha garganta trancada, por mais que eu tente gritar, nada sai. Do jeito que ele me puxa, eu volto e caio com as costas no chão.
Ao olhar para Rubens, segura uma faca em uma das mãos, que passa em minha pele e de uma única vez, rasga minha camisa e meu sutiã, me deixando praticamente nua, me debato mas é inútil.
Rubens, segura minhas mãos e vai beijando minha barriga, vem subindo. Este sentimento de nojo tão familiar, me invade e eu o tento empurrar, por raiva um pouco mais acima do meu peito, ele crava os dentes e a dor me faz gritar, parece que arranca um pedaço da minha pele. Levo um soco no rosto como pedido de silêncio.
Ele me olha com cara de deboche e eu não hesito, cuspo bem em sua cara , ele cheio de ódio se levanta, me arrastando junto pelo chão da casa.
Me coloca de frente para o espelho enquanto tento esconder com minhas mãos a parte do meu corpo que está nua, por aqui posso ver meu rosto vermelho do soco e a marca dos dentes com alguns rastros de sangue.
Rubens, enrola metade do meu cabelo em sua mão deixando minhas costas amostra. Com a outra mão, ele usa a ponta da faca para rasgar meu shorts e calcinha, dando uma leve arranhada na minha pele.
Agora totalmente nua, ele vai beijando minhas costas mas posso sentir um rastro de chupões até minha bunda, que volta subindo e resmungando. Acho que eu nunca odiei tanto uma pessoa como to odiando ele.
- O que aquele troxa do seu maridinho vai achar quando ver isso?
Dou uma cotovelada que acerta seu rosto, Rubens levanta a mão com a faca e fecho os olhos esperando pelo pior, sinto um pressão na minha cabeça e quando volto a abrir os olhos, não vejo mais Rubens mas no chão, metade do meu cabelo. Não consigo acreditar que Rubens cortou meu cabelo, está no chão.
Meu foco é sair daqui o mais rápido possível, procuro qualquer roupa para me cobrir e sair. Acho um vestido batido que já é o suficiente, pego tudo que é necessário e aos prantos saio correndo para a porta.
Mas Rubens está me esperando, eu o agrido com socos e tapas, a raiva me liberta e os gritos então saem fortes da minha garganta.
- Para garota, fica quieta ou se não... Só sinto a dor no meu estômago, a cara de assustado de Rubens como se não quisesse mesmo fazer isso, ele sai pelas portas dos fundos.
- Senhora Maryah, escutei gritos, tá tudo bem com a senhora? Também está demorando um pouco... A única coisa que me lembro é de abrir a porta, olhar para minhas mãos e ver o sangue, caindo nos braços de Ulisses...
*
Apesar de não ver e não sentir, posso ouvir as vezes minha mamãe, chorando. Eu quero acordar mas me sinto longe e meu corpo pesado.
- Minha filha me perdoa, a culpa é minha. Eu deveria ter deixado você ir sozinha, poderia ter ido no seu lugar. Eu sei que se ela fosse, isso não teria acontecido. A única culpa que ela tem é de por uma pessoa dessa no mundo.
As vezes, posso ouvir também João, se sentindo culpado e confuso.
- Meu amor, me perdoa por a deixar sozinha. Prometo nunca mais te largar nenhum segundo, mas acorda me conta o que aconteceu, quem foi, e o porque. Eu não ouvi a voz do meu pai, em nenhum momento soube se ele estava melhorando. Mas o que mais me surpreendeu foi a cara de pau de Rubens.
- Coitada, será que alguém quis assaltar nossa casa e fizeram mau pra ela mãe? Vou ver se o pai melhorou e depois vou viajar, não sei quando voltarei...
Aquilo me causa ânsia, eu quero poder dizer toda a verdade mas não consigo reunir forçar para abrir os olhos e falar. Mais uma vez escuto a voz de João...
- Amor, acorda e me diz quem fez isso. Eu vou te proteger porque sem você nada sou, agora você é minha vida. De imediato não consigo abrir os olhos, meu corpo está pesando e minha voz quase não sai.
- R U B E . . .
- Maryah isso amor, sabia que tinha dedo dele. Aguenta firme, não dorme eu já volto. A claridade ainda me incomoda, aos poucos vou abrindo os olhos, sinto muito dor abdominal e na cabeça.
Vejo um aglomero de polícias e médicos no quarto ao lado, médicos e enfermeiros correndo para dentro do quarto enquanto os polícias saem, no meio deles Rubens algemado, posso ver o rosto dele e a fisionomia de raiva nela.
Mas agora posso sentir um alívio de que iria ficar tudo bem, que não vai me acontecer mais nada. Que ele finalmente vai pagar por todo mau que fez e finalmente responder por todos os crimes cometidos.
Não consigo mais manter meus olhos abertos, a dor é constante e o cansaço também. E antes que eu perca a consciência, posso ver João abraçado a mamãe que chora descontrolada.
- Fizemos tudo que foi possível ...
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Primeiro olhar
RomantikPLÁGIO É CRIME! PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS. CONTÉM PALAVRAS ILÍCITAS, VIOLÊNCIA E CENAS DE SEXO. Quando nós trocamos o primeiro olhar, o meu coração pediu pra se apaixonar! Será que existe mesmo esse amor ao primeiro olhar? Maryah, é uma jove...
