É uma ideia muito tentadora mas ela é só uma menina, eu não tenho o direito de criar ilusões nela. A pior coisa do mundo e se sentir especial para alguém em um dia, e noutro perceber que tudo não passou de uma grande ilusão. Não vou destruir o que ela tem mais de bonito, a inocência.
Vou para casa ver como Luíza está da recuperação, e graças a Deus aos poucos está melhorando cada vez mais, está até correndo e pulando pela casa.
- Papai você me prometeu me dar um irmãozinho, vai demorar muito pra ele chegar? Ai eu não brinco mais sozinha.
- Não sei meu amorzinho... Como que eu vou dar um irmão pra ela, essa Luíza me coloca em cada saia justa.
Minha tarde é atormentada pelos pensamentos insanos em Maryah, fico perturbado com as possibilidades tantas positivas, quanto as negativas. Meu celular vibra e é ela querendo saber quando vem conhecer Luíza, ainda hoje é claro, peço para Ana arrumar o quarto para ela.
São pouco mais de 8 horas, quando paro num barzinho para ver se esqueço essa ideia maluca de ter Maryah. É errado, eu sou um homem de quase trinta anos, já passei da faculdade, caseo, formei minha família. Ela só tem 17 anos, ainda vai passar por tudo isso, é só uma menina, linda e gostosa, tem um beijo doce e sensual, mas procurando motivos eu consigo tirar ela da cabeça.
- Quanto tempo amor? O que faz por aqui sozinho? Eu conheço essa voz, com certeza ela é tudo que eu não preciso agora.
- Vanessa? Minha vida não é da sua conta!
- Aiii, João sabe que bateu uma saudade de você e eu rolando pela cama. Ela agarra meu pescoço se jogando no meu colo, tentando beijar minha boca mas eu a afasto.
- É? Eu não senti nada. Não de você. Ela sai enfurecida mas ela também não sozinha, uma homem baixo e forte acompanhava ela, ele é um trouxa, vê tudo e não faz nada mas por mim, quero é distância dela, que se fodam!
Não consegui tirar Maryah da cabeça, todo instante pensando nos seus beijos, por mais que minha mente soubesse que não podia, meu corpo a queria. Passei a noite toda no bar, bebendo, para tirar esses pensamentos e desejos de mim mas foi inútil, parece que ai mesmo que ela estava mais presente em minha memória. Não sei como mas quando me vejo já estou no consultório, deito do seu lado e adormeço.
Em um certo momento sinto algo me puxando, ainda sonolento vejo que é Maryah, como em num instinto seguro em seu braço, a puxo e a deito, ficando por cima. Meus pensamentos insanos voltam e eu imagino cada detalhe do que posso fazer com ela, mas seu choro me incomoda e sua confissão me atinge. Me fazendo se afastar e lembrar de algo que eu nunca tive certeza, pelo o que ela diz, faz todo o sentindo agora.
Paro e me viro, já que vim até aqui é melhor eu ir dormir. Ela se achega em mim e seu corpo no meu, me incendeia, porém esse fogo todo é apagado por certas lembranças, que eu queria esquecer pra sempre, na verdade nunca poderia ter acontecido.
Mais tarde ela me acorda com um café da manhã, até parece que ela adivinhou sobre a salada de fruta, meu escolhido de todas as manhãs. Isso me deixa impressionado, ninguém nunca fez isso por mim, a não ser meus empregados, mas eles não contam. Ela é delicada e carinhosa até nos detalhes.
Vendo assim posso afirmar que ela saberá cuidar muito bem de Luíza, logo depois vamos para casa.
O quarto foi todo decorado por Bella, apesar de Maryah ser uma funcionária, quero que ela se sinta a vontade na minha casa pois ela também vai ser tratada como alguém da família. Pelo que posso ver ela adorou. Acho incrível como as três se entenderam bem, uma preocupação a menos, pois amanhã Bella vai para Alemanha, ficará dois meses estudando e conhecendo os estilistas da região. Espero que Maryah consiga se adaptar rápido com Luíza pois esse final de semana tenho as últimas palestras para fazer e é fora cidade. Mais tarde Maryah sai para conhecer a rua e diz que vai na casa de uma amiga que mora aqui perto. Não acho que isso seja um problema.
Enquanto isso eu organizo toda a palestra no notebook, verifico cada parte, poder instruir outras pessoas a fazerem medicina é muito bom, muitas pessoas tentam se formar mas a verdade é que poucos conseguem.
Certas lembranças do passado voltam feito flash, isso realmente me incomoda muito. Não sei porque mas se foi real eu jamais serei capaz de me perdoar. Era jovem inconsequente, bêbado, eu sempre esperei por um sinal ou uma chance de reparar o erro que não tenho certeza que cometi.
Maryah também vem em minha cabeça, ela está me deixa confuso demais, meus sentimentos estão uma mistura de pena, compaixão, carinho, desejo. Eu acho que nunca me senti assim, eu sentia que devia cuidar e proteger ela.
Nem reparei mas já está escuro e ela não voltou para casa, mandei mensagem para ela vir pois a janta será servida.
Minha mãe me ensinou que pelo menos a janta deveria ser acompanhada pela família, um momento de conversa agradável e união. Eu sempre fiz questão disso, de pelo menos jantar com minha família, já que eu não tinha tempo durante o dia de fazer qualquer outra refeição com eles. E por mais que o Batel seja uma bairro de classe média alta, é perigoso para qualquer mulher ficar andando sozinha pelas ruas ai, eu sei muito bem disso!
Ela ta na casa dos Albuquerques, eu não conheço muito eles mas sei que são a família mais rica aqui da rua. Já atendi eles poucas vezes.
Cerca de cinco minutos caminhando e antes mesmo de chegar vejo uma cena tanto que estranha. Um rapaz segura ela, no começo pensei que estavam de namoro, até escutar ela gritar e o rapaz bater nela. No mesmo momento saio correndo ao encontro deles, vou empurrando e metendo soco no rapaz. Logo reconheço que é o mesmo homem que estava no bar com Vanessa.
- Vai para casa Maryah agora. Ela nem questiona e sai correndo, eu só parei de soquear quando vi que ele não ia dar mais conta de levantar.
- A putinha já arrumou alguém para dar um golpe? Mas pelo menos agora ele foi atrás de alguém que tem grana para isso.
- Cala a boca seu imbecil, não te dou o direito de falar assim da menina. Acertei um chute em sua boca, que chega a escorrer sangue, vou saindo. Quando estou chegando perto de casa Maryah está sentada na calçada aos prantos, antes que eu possa chegar até ela, uma moto vem se aproximando.
- Não acredito que o play boy achou que ia ficar por isso mesmo. Não tive o que fazer, o rapaz simplesmente aponta uma 380 e efetua dois disparos. Um deles acerta meu braço. Maryah grita desesperada, a minha blusa logo fica toda ensanguentada e o rapaz foge.
- Ei pequena, não grita não, tá tudo bem, vamos.
- Como tudo bem João? Você levou um tiro e ta sangrando. Tá escuro e não posso ver se ela está machucada. Vamos pela garagem, que no canto tem uma porta onde tem alguns itens de primeiro socorro. Só então pude ver que o nariz de Maryah sangra, mesmo com o braço queimando do tiro, cuido do seu nariz primeiro. Estanco o sangue e procuro por mais algum ferimento que graças a Deus não tem. Tiro minha camisa e ainda bem que a bala não ficou alojada, desinfeto o ferimento, faço a saturação e por fim o curativo. Percebo que ela está em choque, quero apenas que se sinta protegida abraçando ela.
- Viu pequena, tá tudo bem agora, não precisa se preocupar. Eu vou cuidar de você sempre. Não conte nada para Bella, ok. Não quero que ela se preocupe. Mas me diga quem é aquele rapaz?
- Rubens! Ah se eu soubesse, teria batido mais nele.
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Primeiro olhar
RomancePLÁGIO É CRIME! PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS. CONTÉM PALAVRAS ILÍCITAS, VIOLÊNCIA E CENAS DE SEXO. Quando nós trocamos o primeiro olhar, o meu coração pediu pra se apaixonar! Será que existe mesmo esse amor ao primeiro olhar? Maryah, é uma jove...
