Dançamos, brincamos, partimos o bolo, saímos a francesa, a levei no colo, tudo como manda a tradição, a muito tempo eu esperei que o sim se eternizasse.
Agora eu teria todo o tempo do mundo para amar e a fazer feliz, começando pela nossa noite de núpcias, eu amei seu corpo com todo o desejo que aguentei por muitos meses.
Nossa lua de mel foi em Balneário, presente dos nossos padrinhos. Eu quis que fosse mais que especial, eu fiz tudo que me era possível, a levei nos lugares mais bonitos, proporcionei novas experiências, bondinho, parapente, jetsky, stand up padlle, o Cristo...
Sei que será inesquecível esse final de semana tanto pra ela quanto pra mim.
Como tudo que é bom, não dura, a lua de mel chega ao fim.
No dia de ir embora, eu me levanto primeiro, para ver se Angel e Gilmar já haviam chegado, e por sorte tinham acabado de chegar.
Volto para o quarto para acordar Maryah mas quando a vejo, fiquei um tanto assustado. Sua pele está vermelha, cheio de casquinhas, ela coçando, no que parece é uma reação alérgica. Ainda bem que estamos indo para Curitiba, no meu consultório posso fazer os exames necessários.
- Eu não sei o que aconteceu, eu nunca tive isso.
- Fica tranquila amor, é reação alérgica. Vou te dar um remédio e vamos para Curitiba, lá a gente faz o exames. Angel e Gilmar veio se despedir no quarto pois Maryah não queria que as pessoas vissem como estava.
Angel chegou a comentar que quando era criança teve uma reação dessa mas seu pai tinha esse tipo de alergia na perna, ela teve que fazer tratamento por um tempo.
Pra mim tudo isso era muito coincidência, tive uma ideia louca mas não custaria nada tenta. Então chamei Angel num canto para conversar rápido.
- Eu queria fazer uma pesquisa, como você fez o tratamento e deu certo, você pode me arrumar alguns fios de cabelo para comparar com o da Maryah?
- Pode mas não sei se é a mesma coisa. Quanta ingenuidade, eu não to ligando se é a mesma coisa. Apenas quero ter certeza de uma outra coisa.
Nem eu acreditei que usei uma desculpa tão ridícula como essa mas o bom que Angel acreditou, assim poderei fazer o exames e concluir minhas suspeitas.
No caminho para Curitiba parei em uma farmácia para comprar um remédio para Maryah.
Em algumas horas nós já estávamos em Curitiba, passei no consultório para fazer o exame de sangue e encaminhei para a clínica que sou conveniado, deveria esperar algumas horas para o resultado.
Levo Maryah para casa, almoçamos juntos. Depois avisei que voltaria para o consultório para ter o diagnóstico do exame, na hora de me despedir, puxei seu cabelo de leve e guardei os fios que saíram.
Separei as amostras dos fios de Angel e de Maryah, vou fazer sim, um teste de dna, Medhelyn e Gilmar, são parecidos e tem uma mancha idêntica, Maryah também lembra alguns traços de Angel, talvez não seja mas não custa nada comparar. Mas esses exames vou deixar para fazer amanhã.
Meu celular toda e é Hellena.
- Oi João, você já está em Curitiba?
- Sim, pode vir no meu consultório! Qual será a urgência de Hellena? Eu já tinha até me esquecido dela.
Eu conheço ela e não vou colocar meu casamento em risco mais vez por causa dela e de seus assédios fora de serie. Hellena não demorou muito, espero que ela não venha com mais uma de suas gracinhas, porque se for não vou pensar duas vezes, vou ser curto e grosso. Chega de gentilezas.
- Bom Helena, no que posso te ser útil?
- Vou te contar uma parte da minha vida que você não sabe e peço para que não me julgue.
Você sabe que quando Luíza era pequena ainda, deixei ela com meus pais para tentar uma vida digna para nós. Eu fui para São Paulo, fiz meu curso de cabeleireira e conheci José, eu me envolvi com ele, só depois que fui saber que ela tinha uma família em outra cidade e era casado, ficamos juntos por algumas semanas até ele ter que voltar para sua casa.
Eu comecei a trabalhar e ganhar um dinheiro muito bom, metade do que eu ganhava mandava para mais pais, pelos gastos que tinham com Luíza. Alguns meses se passaram e eu descobri que estava grávida de José, não tinha como eu comunicar a ele, naquela época não tinha celular, ele se quer deixou seu endereço, eu nunca mais o vi. Mesmo assim eu quis ter minha menina, Júlia. Continuei trabalhando grávida, fiz o enxoval completo pra ela, o parto foi tão complicado, passei dois dias sentindo as contrações e quando não aguentei mais fui até o hospital, eles me deixaram internada, durante a noite a bolsa se rompeu e fui levada para a observação, as contrações vinham casa vez mais forte e nada de Júlia nascer, as horas foram se passando. Já era 14 horas da tarde quando o médico mandou prepararem a mesa pra cesárea, pois eu não tinha dilatação, eu estava cansada, nem vi minha filha nascer. Quando acordei descobri que estava com endrometite e o pior, meus pontos inflamaram e eu peguei uma bactéria hospitalar. Falaram que eu iria morrer, foram totalmente sinceros, a chance de sair do hospital era pouca. Você imagina como foi pra mim, eu não tive nem a oportunidade de pegar minha filha no colo, de ver, foi então que eu decidi entregar para adoção. Meus pais já estavam aposentados e não conseguiriam criar mais uma criança, também não seria certo da minha parte. Tive que fazer tratamento, cirurgias, fiquei internada por meses, eu estava quase morrendo.
Os médicos falaram que fariam um último tratamento e que se não desse resultado, não se tinha mais o que fazer, era esperar a morte.
Por um milagre o tratamento deu certo, voltei para casa dos meus pais, peguei Luíza e vim morar aqui.
O resto você já sabe, depois do que aconteceu com Luíza, eu voltei para São Paulo.
Faz aproximadamente uns três anos em que contratei uma equipe parar encontrar Júlia.
Não tive muitas informações, era como procurar uma agulha no palheiro. Todas as vezes em que vim para Curitiba era por algumas pista mas eu nunca encontrei nada.
Até no dia do seu casamento. A pista me levou até Maryah, talvez você não queria fazer mas se não quiser, me vejo obrigada a falar com ela.
Eu quero fazer um exame de dna pra tirar essa dúvida. É isso que eu quero de você no momento. De todas as coisas que aconteceram recentemente, essa me deixou sem saber o que fazer. Eu não queria causar falsas esperanças a Maryah, nem deixar ela confusa.
- Sinto muito pela perda, pela dor, por toda essa tristeza que você passou. Não quero que você fale com ela, ela não está bem e você sabe que ela ficou com raiva de você, eu posso até fazer o exame para você mas vai levar algum tempo pro resultado sair, espere eu te procurar.
Pego a amostra de Hellena mas no meu interior pedia a Deus que isso não fosse possível, mesmo que algumas coisas me levassem a acreditar que sim.
Hellena se vai e assim eu continuo verificando o exame de Maryah, apontou dermatite atópica.
Geralmente ela é hereditário, causa vermelhidão, coceira, ressecamento, até mesmo sangramento da pele por ficar irritada com alguma substância. Isso surge quando o clima é seco, não tem cura mas tem tratamento para controlar os sintomas, ou seja, devido a algum ingrediente do protetor, a exposição do sal do mar, a areia mais o tempo quente, ela teve crise mas tudo se ajeita com medicamento.
Volto para casa com os medicamentos e expliquei para ela o porque da alergia, dei os comprimidos de anti-alérgico para evitar a coceira, e a pomada.
Já era tarde então voltamos para casa de Blumenau, ela colocou as crianças para dormir pois no outro dia nossa vida continua, continua a ser como antes.
No outro dia eu acordo cedo, levo Luíza para escola. Volto para casa, preparo o café de Maryah e levo até o quarto.
Mais tarde busco Luíza, deixo a em casa e vou trabalhar.
Aproveito para levar as amostras para o exame de dna, também faço um atestado de dez dias para que ela possa se tratar em casa sem se preocupar com as aulas.
Essa foi minha rotina durante esses dez dias, Maryah reagiu bem ao tratamento, o ruim disso é que ela preferiu dormir sozinha para não me atrapalhar. Ela sentia muita dor por causa do ressecamento da pele.
Mas finalmente tudo se ajeitou, ela voltou a estudar e as coisas voltaram ao seu lugar.
Um certo dia ela perguntou o que Vanessa me disse para me deixar tão feliz no dia do casamento, eu contei tudo que ela me falou. Ela também quis saber sobre Hellena.
- Então, ela me pediu ajuda para encontrar uma moça.
- Como assim? Só isso mesmo? Eu não quero explicar pra ela. Não até saber o resultado.
- Sim, alguém que ela conheceu por nome de Júlia.
*
Quase um ano depois do sequestro é que sai a sentença de Patrícia, ela pegou 24 anos por cúmplice, formação de quadrilha, sequestro...
Se ela tivesse um bom comportamento sairá em 15 anos mas espero que não saia tão cedo.
O corpo de José foi encontrado no mesmo dia do acidente mas não resistiu, seu sistema estava comprometido devido ao veneno mas fiquei sabendo que ele lutou muito para continuar vivo.
Depois de tanta luta, dor, sofrimento, tristeza, nós vencemos, estamos aqui vivendo felizes, todas as pessoas que foram contra ,não estão mais aqui, a única coisa para se esclarecer agora é os exames.
Chegou rápido o primeiro ano do meu Príncipe, achei que seria melhor passar em família, passamos um dia no parque. Estelar, estava lá. Me surpreendeu muito as coisas que disse. Foi uma pequena comemoração em casa para nossa família e os empregados mas foi o suficiente pra fazer a alegria do meu pequenino.
Depois de alguns meses, saiu o resultado do exame então marquei um jantar aqui em casa com Angel e Hellena, sei que Maryah não vai gostar mas sei que vai ser emocionante.
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Primeiro olhar
RomancePLÁGIO É CRIME! PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS. CONTÉM PALAVRAS ILÍCITAS, VIOLÊNCIA E CENAS DE SEXO. Quando nós trocamos o primeiro olhar, o meu coração pediu pra se apaixonar! Será que existe mesmo esse amor ao primeiro olhar? Maryah, é uma jove...
