Capítulo 4 - João

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A viagem de Balneário para Curitiba não foi muito longa e nada melhor do que estar em casa, melhor ainda foi chegar e ver que Vanessa não está mais aqui. Em pouco tempo também, o divórcio estará pronto, ou seja, Vanessa não será mais um problema, pelo menos é o que eu espero.Minha sorte é que Bella, vai ficar em casa por um tempo e por enquanto não vou precisar contratar ninguém para cuidar de Luíza.

Na mesma semana as papeladas do divórcio saiu e graças a Deus Vanessa não é mais nada para mim do que passado, pelo menos assim posso trabalhar em paz, vou ter sossego novamente.


Eu amo tudo o que eu faço no meu trabalho, é um prazer enorme pode ajudar os necessitados, as pessoas esperam tantas mudanças nos outros mas esquecem que a mudança está em nós e é por nós que ela começa. Talvez minha ação não possa mudar o mundo ou fará muita diferença para os outros, muitos me perguntavam o porque de ajudar os pobres, se eu estava perdendo tempo. Não é muita coisa mas com certeza faz a diferença para essas pessoas que necessitam de uma ajuda, de alguém que se compadeça e estenda as mãos. Eu no lugar delas gostaria que fosse assim.

São pessoas como eu, de osso e carne, não é por causa de uma padrão feito pela sociedade que eu sou diferente. Não é porque tenho mais que eles não mereçam um pouco.
Eles não tem nada para me dar, em troca do meu trabalho mas ver o sorriso no rosto de cada um deles, vale muito mais que o dinheiro.
Nesses meses de trabalho voluntário, me agarrei a esperança de encontrar a moça dos doces, acredito que ela não deveria ter muito recurso, pelo simples fato de estar vendendo doces no meio da rua mas não tive sorte que esperava. Todos os dias passei pela mesma rua que a vi pela primeira vez, acreditando que pelo menos ali ela estivesse mas eu nunca a encontrei, nem ali e nem em lugar nenhum. Talvez ela tivesse ido embora da região ou da cidade. E isso me martirizava, o fato de ter prejudicado um pessoa.
As coisas no consultório vão muito bem, sempre tenho pacientes, às vezes até trago Luíza para poder passar mais tempo com ela.

Depois de um episódio em minha vida, que não consigo relembrar ou nem sei mesmo se de fato existiu. Deixei de frequentar bares e baladas, beber mesmo eu parei definitivamente, porque quando eu começava a beber, só parava quando não tinha mais o que beber. Poucas vezes sai, fiquei com muitas mulheres, eu não sou hipócrita sei que sou um homem bonito, charmoso, atraente e tenho todos os atributos que uma mulher pode querer e as que já me conhecem sempre voltam a me procurar, no interesse de ter uma noite agradável e eu não fazia por menos, fazendo de tudo para elas gostem da minha companhia e se sintam a vontade comigo mas era tão óbvio que seria apenas por uma noite, não queria criar apego em ninguém afinal sai agora de um casamento mal sucedido não tem porque me relacionar com outra pessoa. Acho que casamento só daqui uns dez anos.
Ainda bem que esse ano está se findando, foi um ano muito triste, ainda trago comigo a dor de todas essas perdas, tenho certeza que o próximo ano vai ser muito melhor.
Agora em Dezembro, dou muitas palestras para os recém formados, começando essa semana, o bom é que eu tenho paciência pra lhe dar com esse bando de adolescentes pois eles não param nenhum minuto.

Essa primeira semana vou palestrar no Bom Jesus, segunda e terça, quarta vou fazer trabalho voluntário, quinta atendo meus clientes e na sexta dou palestra no Dom Bosco.
A semana passou voando, muito trabalho e muitas coisas a serem feitas. Como todos na sexta eu já estou exausto, acabei que acordando atrasado, tive que ir com meu brinquedo favorito para não perder mais tempo com o trânsito. Subo na minha pretinha e vou rumo ao Dom Bosco. A sinaleira fecha e eu vou me aproximando mais da faixa, quando aquela moça, a mesma moça dos doces está parada bem na minha frente me olhando, a camisa é da escola mas eu pude notar o quanto é humilde, ela logo se vira e segue seu rumo para a escola, penso comigo mesmo:

"Se eu tiver sorte, vou encontrar com ela dentro do Colégio ".


Já vou deixando a moto de lado, passo no banheiro para ajeitar o cabelo que fica bagunçado por causa do capacete. Se não tivesse ar condicionado provavelmente eu já estaria derretendo. Entro o mais rápido para palestrar mas acontece algo inusitado, a mochila da moça da frente rasga, percebo que a garotada fica rindo, sinto pena por um momento e pego para ela.

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