Jungkook, e o seu ponto de vista

8K 957 126
                                        

A primeira vez que Park Jimin entrou em minha vida, foi como se eu soubesse o que estaria prestes a acontecer. Eu não o queria por perto, era sinônimo de bagunça e escândalo. Eu queria distância de tudo que pudesse me causar problemas. Meu histórico já estava cheio, farto de tudo isso. Permaneci ao lado de Hoseok, mas era como se ele atraísse todas essas pessoas que poderiam causar desânimo. 

Eu não queria Park Jimin por perto, eu queria-o bem longe de mim, só que ao mesmo tempo, eu queria mostrar-lhe que deveria ficar não só longe de mim, como de Hoseok. Nos primeiros meses, ótimo, não tivemos contato além do necessário, mas após Hoseok ter seu interesse em Kim Taehyung, tudo ficou insuportável. Park Jimin era o combo necessário se Hoseok quisesse o amigo. Passou meses falando o quanto o Kim era incrível e maravilhoso, o quanto queria chegar perto dele e simplesmente admirá-lo. E ele realmente fez isso, mas ganhou um Park atrás dele. Hoseok não pareceu perceber a fascinação de Jimin, estava de olhos no Kim há muito tempo para ver o infortúnio que Jimin causava. Bom, pelo menos para mim. Era irritante vê-lo babar por Hoseok o tempo todo, como ficava bobo ao seu lado.

Eu tentei afastá-lo de todas as formas possíveis. Ameacei-o, mas ele insistira em ser tão teimoso e apaixonado por Hoseok. Aquilo não era paixão, era ridículo como ele se deixava levar tão facilmente. Era supérfluo demais, sem sentido, sem cabimentos. Cheguei ao ponto de ter que provocá-lo, exigir que se submetesse aos meus toques e minhas provocações. Era bom vê-lo assim, tão mole quando se tratava de ser forte. Ele não sabia se impor, não sabia se livrar de situações assim, mas quanto mais eu forçava, mais ele parecia estar na minha vida. A intenção de afastá-lo apenas aproximava-o mais e mais. Me tirava do sério.

A apresentação foi apenas uma desculpa para ver quais eram suas intenções verdadeiras. Eu não precisava aceitá-lo, sequer ligava para suas desculpas. Porém, eu sabia que ele estava se esforçando de verdade, mas por quê? Por que se esforçar tanto para algo que não lhe dizia respeito? Park Jimin era uma incógnita ridícula pela qual eu peguei interesse aos poucos e silenciosamente. Não percebi quando foi que Jimin parara de ser a pessoa irritante pela qual eu não conseguia suportar ficar perto, era simplesmente... Park Jimin e sua estranha presença em todos os lugares que eu estava. 

Como se o feitiço tivesse se virado contra mim, agora... Era eu quem estava gostando de tê-lo aos meus toques.  Ele tinha expressões interessantes, seus sentimentos chegavam a transparecer até certo ponto, não relevando muito, entretanto me chamando atenção. Eu nada sabia sobre ele, ele nada sabia sobre mim, mas mesmo assim... Parecia que eu não o odiava como imaginei. Na realidade, eu já não estava mais tão indiferente assim com ele.

A primeira vez pelo qual eu realmente me peguei pensando demais nele, foi quando eu sabia que precisava ajudá-lo na dança, mas fui covarde demais para isso. Hoseok teve que me encorajar a continuar, a não desistir, a enfrentar o que quer que tivesse me parado. Quando eu toquei o corpo de Jimin, suavemente, dessa vez sem escárnio, sem provocações, sem malícia, eu pude sentir seu peito ofegante, sua respiração acelerada, e seu corpo tremendo levemente por ter se esforçado demais. Jimin não desistiu, quando eu pensei em desistir. Guiei-o na coreografia, junto a ele, corpo a corpo.

Eu me senti atraído pela primeira vez, de modo que eu não pude simplesmente ser como eu era. Jimin me causou um sentimento estranho, como... Se ele fosse diferente desde o começo. Clichê, mas era isso, não sabia como dar outro nome a isso. Eu não queria me aproximar dele, mas quanto mais isso acontecia, mais eu o queria por perto. Não conseguia vê-lo ao lado de Yoongi sem perder a cabeça, sem me sentir um perdedor. Eu me sentia agoniado ao vê-lo tão próximo de meu irmão, como se ele pudesse ser levado por ele e então minhas provocações não valessem de nada. Era estranho querê-lo por perto, mas também não lutar contra isso. Não, eu não lutaria. Era algo novo, já havia sentido antes, muito tempo atrás, como se fosse nostálgico, mas que se perdeu ao longo dos anos, após a morte de minha mãe.

O Amigo do Meu CrushHistórias para pegar e não largar. Descubra agora