Enquanto isso no balcão de atendimento...
Claro senhor pode ficar a vontade para reconferir. Obrigado e boa tarde! – Cumprimentei o último cliente antes de ir para o almoço.
Sabrina, o “not” está na minha bolsa. Se quiser levar ele e me entregar quando terminar.
Não Carla, melhor não. – Deus me livre, ainda mais com o Sandro viciado. Não quero correr riscos. – prefiro deixá-lo aqui, e vou usando nos horários livres.
Estava sentada, comendo um nuggets e adiantando o máximo que podia o trabalho quando Clay se sentou.
Vai acabar com uma anemia se continuar sem se alimentar.
Fui no mais rápido! – Falei mordendo mais um pedaço lambuzado de molho. – Quer?
Não, obrigado. Olha lá. O Renato está me saindo um belo garanhão. – Apontou com a cabeça ele rodeado por um grupo de quatro garotas, todas dando mole para ele.
Ótimo! – Me levantei!
Ei vai fazer o que- Ele quase que gritou sussurrando, se isso é possível.
Dar o troco! – Ajeitei o decote, levantando meus seios e os deixando mais expostos e visíveis, umedeci os lábios e caminhei sexy em sua direção. Ele nem notou minha aproximação. – Olá garanhão! – Ele me olhou no susto, ma nada falou. – Achei que iria me ligar depois daquela festinha que fizemos no quarto.
Poxa, me desculpa, é que as vezes é difícil e...
O Carlão disse que você tem a bundinha mais gostosa que ele já comeu. E eu amei aquele troca troca que fizemos. Deixou ele muito, mais muito louco de tesão. Olha, quando puder liga para marcarmos tá bom? – Falei saindo vendo ele sem palavras. Isso não tem preço!
Espera! – Ele veio em minha direção. – Isso foi golpe baixo, quer me desmoralizar?
Apenas empatei o jogo, você estava a dois pontos na minha frente. Agora, vê se aprende a lição e me deixa em paz!
Voltei para minha mesa, e quando contei ao Clay, ele não se aguentou gargalhando. As meninas dispersaram na mesma hora.
A tarde foi tranqüila, Gustavo nem apareceu na loja e eu consegui adiantar pelo menos dez páginas do meu trabalho. Renato ficou na dele, e longe de mim, ainda bem. No término do trabalho fui a última a sair com Fabiana, que tinha que fazer todos os relatórios que o Gustavo não fez, então fiquei para fazer com ela. Ela trancava a porta enquanto eu observava. Quando ouvi uma voz chamar meu nome. Era Henrique.
Já está de saída?
Oi, estou sim! - Falei olhando ao redor. Não queria mesmo outra intromissão do Renato, de forma alguma.
Também estou indo, podemos ir juntos para a estação, você pega o metrô, não pega?
Sim, mas hoje eu ia de ônibus. - Que merda, pra que fui prometer me encontrar com a Paty logo hoje?
Posso te acompanhar ao ponto então. – Claro! Nossa, é um sonho? Não me belisca por que não quero acordar.
Claro que sim! – Olhei para Fabiana que saia de mansinho. – Vamos?
Fomos andando calados até o ponto. Estava morrendo por não conseguir pensar em nada que preste para falar, e ele ao meu lado sem graça também nada dizia. Quando ameacei dizer algo ele começou.
Então, está rolando alguma coisa entre você e aquele cara da sua loja?
Não! – Quase gritei. – De forma alguma, ele é meio maluco sabe, faz umas coisas sem noção, qualquer hora dessas esqueço que estou no trabalho e acerto a mão nele. – Deus, o que eu estou falando?
Ele parece realmente muito inconveniente.
Eu acho que ele não apronta mais nada. – Pelo menos eu espero que não! Ele se calou novamente, eu tinha que pensar em alguma coisa para falar que não fossem as bolas dele, claro! – Então, você faz o que além de trabalhar aqui? – Alem de ser um gato, além de ser gostoso?
Eu estou terminando a faculdade, você também não é? – Como ele sabe?
Sim, termino esse ano.
Eu ouvi você falando sobre o tcc, se quiser ajuda eu posso ir até sua casa e te dou uma força. – Ah Não... Não não não não! Minha casa não!
Poxa eu agradeço, mas acho que consigo. Mas obrigada pela preocupação. – Rápido demais, rápido demais. Não quero relacionamentos Henrique, por favor, não estraga tudo!
Tudo bem, é que eu achei que vendo alguém terminar o tcc seria mais fácil quando eu precisasse fazer o meu!
Olha, eu faço ele no meu horário de almoço aqui no Shopping e se quiser, podemos almoçar juntos, daí você acompanha.
Isso vai ser massa! – E mais uma vez o silêncio se fez. Paramos no ponto e ele ficou sem jeito. Porra, um cara pintoso desse não ter nenhuma iniciativa é até um pecado. Mas ele pareceu ler meu pensamento, deu um passo aminha frente. – Sabia que já fazia um tempo que eu andava te reparando e...
Oiee! – Ah não! Há não mesmo! Essa voz. Olhei para trás e Renato estava parado encostado na grade do ponto nos observando.
Tá bom, o que você quer Renato.
Nada demais, achei que iria te encontrar aqui!
Você trabalhou comigo o dia inteiro, o que você quer falar?
Queria só testar uma coisa. – Quando notei ele já estava com as duas mãos apalpando meus seios com vontade. Gritei, primeiro de susto e depois de raiva. Quando me preparei para lhe dar um tapa ele segurou minha mão e sorriu. – Olha, não é que são de verdade mesmo?
Você está maluco, louco! – Me debatia nas mãos dele enquanto ele achava graça. O pior, Henrique nada fez. Babaca do caralho.
Bom, agora preciso ir! Amanhã nos vemos?
Isso não vai ficar barato, pode apostar, você vai se arrepender!
Ele foi embora rindo ainda de mim, enquanto eu, puta da vida, tentava colocar a cabeça em ordem.
Por que ele fez isso?
Quem me dera soubesse? – Por que você não fez nada?
Eu fiquei sem reação. Nunca vi alguém tão...
Estúpido, babaca, imbecil? Que ódio que estou dele.
Fica calma, ele está querendo só te irritar! – Ele falou colocando a mão sobre meu ombro.
E esta conseguindo! Como queria ter conseguido acertar a cara dele! Uma pena não ter sido mais rápida! – Meu ônibus passou e já não havia mais clima para nada. Fiz sinal. – Amanhã nos vemos. Me desculpa.
Tudo bem, até amanhã então! – Ele me deu um beijo tão próximo a boca que senti seu hálito.
Fui ao encontro de Patrícia transtornada, ela me entende como ninguém, mas naquele momento nem ela conseguia me entender. Estávamos nós duas próximo a praia do Leblon em um quiosque. Ela esperava uma encomenda de uma amiga que chegou de viagem, e eu prometi ir com ela.
Pra começar, o melhor que tem que fazer é se acalmar cara!
Ta difícil, muito difícil!- Só em lembrar já gritava por dentro.
Eu sei que o cara é um bosta, mas o Henrique nem ficou bolado com isso.
Nem ficou bolado e nem fez nada.
Ah não, peraí! Não acha que isso também pegou ele de surpresa?
Tá mais que homem deixa isso acontecer e fica calado?
Aquele que não tem nenhum tipo de compromisso. Vocês nem se beijaram e pelo que você falou, não quer nenhum relacionamento sério também. Não pode cobrar dele.
Ah mais o Renato ele vai me pagar!
Isso já está virando obsessão!
Isso já virou ódio!
Cuidado amiga, o ódio é o gêmeo do amor. São dois sentimentos tão distintos que se fundem e viram um só.
Que amor, tenho repulsa por ele. Não inventa romance onde não tem.
Mas que explicação teria toda essa implicância.
Amiga, na boa, você vai ver o que é implicância em breve. Não vou pegar ele agora, vou esperar o momento certo, onde mais vai doer... Ele que aguarde.
Você vai se arrepender, me escuta, esse não é o caminho.
Alguém vai se arrepender sim, e esse alguém não serei eu!
Mais uma manhã, mais um sonho erótico. Agora tem se tornado rotina e sempre, sempre mesmo acordo em estado de miséria. É sério, preciso encontrar esse homem que vem toda a noite me possuindo inteira. Bem que poderia ser o Henrique, seria satisfatório realizar essa fantasia com ele, mas ele é branquinho. Levantei, arrumei meu irmão, ele reclamava toda vez, por que ele tinha que ir para a escola quando todos seus amigos estavam ainda de férias. Ficava feliz dele ter outras atividades do que ficar em casa vendo meus pais encherem a cara, ou na rua aprendendo tudo o que não presta.
Isaque, talvez eu não volte pra casa hoje! Minhas amigas querem ir para a balada e não me arrisco entrar aqui de madrugada. A dinda já disse que vem pegar vocês a tarde e assim eu fico mais tranquila. Ontem eu já deixei tudo arrumado, as roupas, as coisas de higiene, só pegar a mochila em cima da cama ok?
Você se preocupa demais. Vai tranquilo.
Estou levando umas roupas minhas, não sei quando volto, se domingo ou segunda depois do trabalho.
Ninha, você já tem 25 anos, é adulta e não precisa me dar satisfação.
Tá, mas eu quero dar. Você tem o número da Patrícia mas eu vou ficar com meu celular.
Tá bom mãe! - Ele sorriu.
Sabe que me preocupo. Preciso sair com a certeza que tudo estará bem.
Tenho pena dos seus filhos, se já é assim com os irmãos!
Filhos? Sabe que essa palavra não existe no meu vocabulário. Mas ok. Já vou se não vou me atrasar.
Vai direto, ontem você já chegou tarde por causa dele, eu levo ele hoje!
Tá bom, assim que ele entrar me avisa.
Quer foto? - Ele falou levantando o celular sorrindo.
Sei que as vezes sou exagerada, mas tenho tanto medo de acontecer alguma coisa com eles. Tá bom, eu pareço a mãe, mas amo meus irmãos e não quero o pior. Já não basta o Sandro que agora nem vejo mais em casa e está se metendo com o que não deve.
Cheguei no meu trabalho no horário, ainda bem. Sentei em minha cadeira e comecei a trabalhar.
Renato chegou mais logo saiu, eu evitava olhar para ele dentro da loja, não queria correr o risco de levar uma justa causa por causa dele. Infelizmente não tive ainda a oportunidade de contar a todos, e para melhorar, não tivemos tempo de almoçarmos juntos.
Sentei na praça de alimentação com o notebook da Carla e continuei a escrever já que por causa do movimento na loja não deu para adiantar nada, fiquei tão focada que quando olhei para o relógio já haviam se passado cinco minutos do meu horário, desci as escadas correndo e acabei esbarrando no Henrique.
Desculpa! Eu não vi você! – Falei sem graça.
Tudo bem, eu também estava distraído olhando para a sua loja para ver se te via. – Uau! Ele estava me procurando mesmo depois do vexame de ontem!
Eu, é, eu estava no almoço.
Adiantando o tcc, acertei?
Na mosca! – Olhei para Fabiana me olhando. – Bom eu preciso entrar.
Nos vemos mais tarde?
Ai, não vai dar. Vamos sair para comemorar o aniversário de uma amiga.
Ah ta! – Ele disse parecendo decepcionado. Não queria que pensasse que eu estava dando desculpas.
Se estiver afim de ir eu te passo o local depois do trabalho.
Seria uma boa, não tenho nada pra fazer hoje!
Então até depois! – Uau! Uau! Uau! Eu tenho um encontro... Depois de um ano! Entrei correndo na loja.
Sabrina você está dando muito mole. Quer problemas?
Acho que consegui um encontro! – Disse dando pulinhos enquanto Renato entrava.
Então finalmente rolou alguma coisa? – Ela me perguntou e Renato voltou a atenção para a nossa conversa.
Quase, não fosse pela idiotice de certas pessoas teria rolado. Mas de hoje não passa! – Olhei para ele que me olhou e sorriu! – Preciso saber onde será a balada, tenho que passar para ele para nos encontrarmos lá!
Então, quanto isso...
Ah não! O que foi?
Sabe aquela boate nova que abriu na Barra?
A beira da praia? – Creio que meus olhos saltaram do rosto. O lugar era absurdamente caro, badaladíssimo e difícil de entrar.
Então, a Patrícia conhece o segurança que vai nos colocar lá dentro de graça. Só vamos pagar a consumação no cartão dela e depois dividimos a conta. Acho que se ele for terá que pagar.
Ah não! Poxa, nada dá certo! – Olhei para o teto da loja como se visse o céu. – Poxa santo Antônio, dá um alívio por favor, não quero casar não, só quero dar uns beijos! Alivia essa, ta dificultando demais! – Fabiana rio, e ouvi a risada do imbecil também mas preferi ignorar.
Ele pode ir mas terá que avisar.
Bem, não custa né. Mas duvido que esteja tão interessado ao ponto de gastar tanto só para ficar perto de mim!
Se tiver aproveita e prende.
Se ele estiver eu corro, não quero relacionamentos, e você sabe disso melhor que ninguém.
Tá bom chega de papo e vai pra sua mesa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sabrina
RomanceSabrina é uma menina problemática com uma família cheia de problemas e por essa motivo foge de romances... até agora
