Capítulo 39

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Apartir do parabéns a maioria dos adultos deixaram a festa, que se tornou uma baladinha jovem. Eu me encontrava no meio da festa empolgado, ria e conversava com Thomas. Chris e Julie estavam se pegando as escondidas, já Ryck só ficou um pouco com a Anne, deu um beijo nela para ela não desconfiar tanto e teve que seguir até seus amigos da banda, que tinham marcado uma reunião urgente.
- Alguém viu a Lizi?- Perguntei procurando ela no meio da multidão.
- Da última vez que vi ela estava dançando e bebendo.- Informou Thomas.
Olhamos para o pessoal que se encontrava bem agitado em uma parte. Me aproximei junto do Thomas e Arthur também se juntou a nós para ver o que estava acontecendo para deixar o povo tão aceso.
Eliza tinha subido em cima da mesa, soltado os cabelos e se encontrava rebolando e sensualizando ao som de Beyoncé.
- Eliza!- Falei todo espantado ao vê-la assim, ela estava de saia e fazendo movimentos ousados até demais para quem tinha vários caras babando ao redor.
- Oi, gente!!- Falou ela animada.
- Desce daí, Eliza! O que pensa que está fazendo?- Falei tentando fazer ela descer.
- Eu? Ah, estou apenas me divertindo, seu chato!- Ela deu risada- Por que não vai lá dar uns pegas na Anne e me deixa aproveitar? Como eu já disse, eu não ligo!
Cantarolou e continuou a dançar, enquanto a galera agitava.
- Anne?... Você bebeu demais, Lizi. Por favor, desce daí?- Falei preocupado e vendo que ela devia ter passado muito dos limites.
- Que nada! Eu tô sóbria!- Falou virando seu último copo e jogando ele longe.
- Eliza, eu não vou falar de novo!
- Ai, você não passa de um idiota intrometido! Se quer tanto me tirar daqui, por que não vem tentar?- Ela sorriu maliciosa- Falando em tirar...
E começou a desabotoar a camisa que usava, prestes a tirar ela, atiçando mais ainda os caras que estavam lá, que gritavam incentivando para ela tirar tudo. Já arregalei meus olhos e entrei em pânico.
- S.O.S! Pelo amor de Deus, me ajudem a tirar ela dali agora!- Falei desesperado.
Eu, Thomas e Arthur demos um jeito de fazer ela descer, que esperneava feito uma criança.
- Parem, me deixem em paz! Eu só quero me divertir! O Ryan pode fazer o que quiser com aquela ruiva azeda e eu não posso nem brincar?
- Ryan, me ajuda aqui com a Hillary?- Falou Anne preocupada, tentando ajudar a Japa a andar que se pendurava no seu ombro.
- Falando no diabo...- Reclamou Eliza.
- O que houve com a Japa?- Perguntou Thomas.
- Ela caiu ali da escada, acho que torceu o pé!
- Torci o caramba! Acho que quebrou esse troço! Tá doendo demais!- Falou Japa dramática.
- Será que quebrou mesmo? Acho que tem alguns curativos guardados lá dentro...
- Ai... Tá tudo girando...- Falou Eliza mole.
- Eita, vai dar PT!- Afirmou Arthur segurando ela, que parecia prestes a cair.
- E agora os banheiros estão cheios para levar ela, Eliza vai acabar vomitando no meio da festa.- Falou Thomas, também ajudando Anne com a Japa.
Eu estava preocupado e tentando pensar em algo.
- Faz assim, vocês me ajudam a ver como o pé da Japa está, vou lá dentro pegar os curativos, tomara que não tenha quebrado! Arthur, consegue levar a Eliza para o banheiro de dentro da casa?
- Acho que sim.
Entreguei a chave para ele e fui junto com os outros tentar ajudar a Japa.
- Vem, cachaceira... Aparentemente hoje vou ser sua babá.- Falou Arthur guiando ela para dentro da casa. Lizi deu risada e foi levada até lá não falando nada com nada.
- Nossa, você é ruivinho mesmo. Achei que era falsificado!- Falou Eliza passando a mão no cabelo dele que tentava fazer ela entrar no banheiro.
- Aqui é lindeza 100% natural, princesa.- Falou ele se achando.
- A ilusão também é 100% natural?- Perguntou ela mole.
- Provavelmente...- Falou Arthur fingindo uma voz de choro- Você vai vomitar?
- Não... Quer dizer, não sei... Acho que quero... Mas que não vou...- Falava ela toda agoniada.
- Vai ou não?
- Provavelmente, não... Eu nunca vomito, só fico com essa sensação horrível de que vou botar os bofes para fora.
- Então porque me deixou trazer você até aqui?- Perguntou ele fazendo uma careta.
- Porque banheiros são excitantes...- Falou Eliza rindo travessa.
- Meu Deus, essa informação é nova... Mas muito útil, vou guardar minha vida inteira! Pode repetir isso olhando para essa câmera?- Falou ele tirando o celular do bolso e gravando.
Arthur aproveitou para gravar Eliza falando um monte de besteiras. Assim que conseguiu o que queria, guardou o celular rindo, mas se voltou a ela ficando um pouco mais sério.
- Por que bebeu tanto, Lizi?
- Porque eu não ligo!- Ela deu de ombros.
- Foi por causa do Ryan, então? Ainda gosta dele.
- Não! Eu só...- Eliza ficou pensativa- Foi estranho, ok? Foi muito estranho imaginar que logo ele estaria namorando com alguém. Eu senti inveja da Anne, mesmo sabendo que o Ryan não pega a Anne como o "Ryan" pega a Anne, entendeu?
- Hã... Nem uma palavra.
- Que seja...- Falou ela desanimada e se sentando na tampa fechada do vaso sanitário.- Só é horrível me sentir assim, tão sozinha... Por que será que o Ryan nunca conseguiu sentir nada por mim?
Arthur se agachou na frente dela e fixaram seus olhos.
- Eliza, você não está sozinha. Só escolheu a pessoa errada para se apaixonar... Você nem imagina o tanto de caras que fariam de tudo para ter uma chance com você.- Falou Arthur a observando. Os dois ficaram assim por alguns minutos, simplesmente se olhando, mas ele falou- Não consigo ter uma conversa séria com você estando com a camisa aberta desse jeito... Só acho que essa imagem é mais excitante que o banheiro.- Brincou ele.
Eliza deu risada.
- É sério, sem strip-tease, cachaceira!- Falou ele se aproximando mais, um pouco tímido para fechar os botões da camisa dela.
Eliza passou a mão pelos cabelos dele de novo, enquanto observava Arthur fechando sua camisa.
- Sabia que eu nunca transei em outros cômodos da casa que não fossem o quarto?
Arthur olhou para ela, com uma interrogação no olhar e sem saber exatamente o que estava acontecendo ali.
- Você está muito louca, né?
- Bem louca.- Afirmou ela.- Você é sexy...
- Ok, passou do nível de loucura que eu esperava! Mas pode repetir isso olhando para essa câmera?- Falou ele tirando o celular do bolso de novo.
- Não...- Falou Eliza mole de tão bêbada que estava e afastando o celular dele- É sério, Arthur...
Arthur estava confuso e tentando levar na brincadeira, mas Eliza começou a puxar ele pela blusa, mais para si e a beijar seu pescoço.
- Ei! Calma aí! Já entendi a parte em que sou sexy, mas vamos diminuir um pouco o fogo?
- Você não quer me beijar?
- Bom... eu...
Arthur não conseguiu negar, ela percebeu que ele queria, entãocomeçou a trazer ele mais para si tentando aproximar seus lábios, enquanto Arthur não sabia como reagir. Eliza acabou beijando ele mesmo, dessa vez Arthur não conseguiu resistir e a beijou de volta, mesmo sentindo o gosto forte da bebida. Sabia que era errado se aproveitar daquilo, mas mais errado mesmo era não querer parar...
Eles continuaram naquele beijo que foi ficando empolgado até demais, quando Arthur percebeu que os beijos e as carícias passaram do limite e que estavam levando para algo mais grave, voltou ao controle:
- Espera... Espera...- Arthur se afastou um pouco.- Chega, Eliza.
- Eu preciso de você, Arthur...
Arthur olhou para ela, pensativo.
- Não... Você acha que precisa. Mas só quer fazer isso para tentar esquecer o Ryan...
Eliza ficou quieta, olhando para ele.
Arthur deu uma risadinha um pouco desanimado.
- Eu sei que não deve ser fácil ter essas recaídas, Lizi... Mas isso não vai fazer bem para você. E eu não posso fazer isso, pelo menos não dessa forma.- Ele pensou um pouco tirando uma mecha do cabelo negro dela que caia sobre seus olhos- Mas... quando não estiver mais tão louca, conseguindo raciocinar a ponto de decidir se me odeia ou não após eu te provocar com aquele vídeo só um tiquinho e, mesmo depois de tudo, ainda me achar sexy, a gente pode conversar!
Eliza deu risada.
- Você é um palhaço...
- Minha mãe me diz isso direto!- Ele observou Eliza sorrindo de leve, mas com os olhos quase se fechando- Agora vem, vou te colocar para dormir porque você já está quase capotando sentada na privada. E por mais que banheiros sejam excitantes, não posso te deixar aí.
Quando Eliza abriu os olhos novamente já tinha amanhecido, estava deitada na cama, em cima do peito de Arthur. Olhou para ele e soltou um grito desesperado, se ergueu meio atordoada e atacou o cotovelo no nariz dele sem querer.
- Ai ai!- Ele já acordou assim.
- Arthur! O que faz no meu quarto? Espera, eu não estou no meu quarto...
Ela olhou ao redor, mas parou sentindo sua cabeça latejar.
- Hum... Acho que você quase quebrou meu nariz- Falou Arthur meio fanho.- Estamos no quarto de hóspedes do sítio, lembra? Aniversário da Juh? Festa? Bebedeira? Strip-tease?
Conforme ele foi falando isso, as lembranças foram voltando e Eliza se apavorando.
- Ai, meu Deus...
Arthur se sentou na cama, passando a mão no nariz.
- Ai, meu santo Deus! Por favor, me diz que nós não chegamos a...
- O que? Não! Não... Quer dizer, você estava doidinha para ter uma noite de aventuras comigo, até entendo, sou muito sexy, mas só te fiz companhia e acabei dormindo também.
- Tem certeza?
- Absoluta! Só ficamos conversando deitados! Claro que você pediu para tirar a roupa e eu como sou uma boa pessoa, deixei, mas...
- O que?!
- É mentira! Estou brincando! Estou brincando!- Falou ele quando ela já ia começar a surtar.
- Ai, eu sou louca...
- Sim, mas o pessoal adorou o banheiro excitante.
- Você mandou o vídeo?!
- Tipo... só para os nossos amigos mais próximos, sabe?
Eliza espancou ele um pouquinho.
- Eu vou te matar, Arthur!
- Por que? Não tem nada demais em fazer um vídeo assim! Sério, muitas pessoas já pagaram micos muito piores que esse, pelo menos você não beijou um tiozinho que tinha cabelão achando que era uma garota!
Eliza olhou para ele estranhando.
- Você já beijou...
- Não, eu falei que pelo menos você não beijou um tiozinho que... É eu fiz isso, ok? Estava escuro e eu não consegui perceber que a "garota" tinha barba.
Eliza começou a rir do nada.
- Nossa, pelo menos isso fez eu me sentir menos pior... Meu Deus, o Ryan deve achar que eu sou uma estúpida...- Ela colocou as mãos sobre o rosto, aflita e arrependida.
Bem nesse momento eu bati na porta e entrei.
- Lizi? Você está melhor?
Ela apenas me olhou toda envergonhada e concordou com a cabeça. Me aproximei, sentando na cama de frente para ela.
- Caramba, você me deixou preocupado! Será que você vai virar uma Julie 2 que vou ter que ficar tomando conta para não beber, mocinha?
- Desculpa, Ryan... Realmente passei dos limites.
- O importante é que parece melhor, está com dor de cabeça?
- Sim, parece que vai explodir.
- Daqui a pouco vou pegar um remédio para você, sabe que não pode beber assim!
Passei a mão no seu rosto realmente preocupado com ela.
- Eu sei... Olha, me desculpa por aquilo que eu falei ontem.
- Vamos deixar isso para lá, ok?
Eu sabia que ela havia bebido por minha causa...
A abracei e ela não parecia querer me soltar tão rápido, então não me afastei. Olhei para Arthur, que estava nos observando, era quase como se eu conseguisse ver em seus olhos um desejo de poder estar no meu lugar naquele instante. Ele se levantou e falou meio sem jeito:
- Bom, eu... vou descer, o pessoal deve estar precisando de ajuda para limpar lá em baixo.
- Obrigado por ter cuidado dela, Arthur.
Ele apenas concordou com a cabeça e saiu meio pensativo.
- Acho que estou cheirando a bebida...
- Um pouquinho, acho que seria bom você tomar banho no banheiro excitante.- Falei provocando de leve.
Lizi se jogou na cama e escondeu o rosto no travesseiro.
Dei risada, mas parei a olhando.
- Mas agora é sério, Lizi... Não beba mais assim, tá? Não quero te ver mal...
Ela deixou só um olho descoberto. Me olhou pensativa e concordou com a cabeça.
Eliza estava passando pela mesma coisa que eu. Tem pessoas que sabem esquecer fácil uma paixão não correspondida, já para outras é uma tarefa extremamente difícil, principalmente quando é uma pessoa tão proxima quanto um melhor amigo...
Depois disso, voltamos para a rotina na faculdade.
Eu me encontrava no começo da semana. Estava meio aéreo, eu tentava não me deixar abater por minha vida estar uma bagunça, mas as vezes era tão difícil... que eu não conseguia.
Estava sentado em uma parte do campus mais isolada, tentando ler um livro para a aula de Literatura, mas não estava me concentrando. Fechei o livro irritado e respirei fundo, olhando para o azul do céu.
Professor Jones estava bebendo seu café matineiro ali perto e me viu ali, debatendo comigo mesmo. Se aproximou um pouco e perguntou:
- Está de ressaca literária, Ryan?
Olhei para ele e dei de ombros dizendo:
- Não exatamente... Acho que estou de ressaca de mim mesmo, da minha vida.
Ele ergueu uma sobrancelha e resolveu se sentar ao meu lado.
- Algo lhe incomoda? Está tendo algum problema na faculdade ou com sua família?
- Bom... A minha vida pessoal está uma bagunça em todas as áreas e eu só consigo pensar nisso.
- Hum... E você conseguiu pensar em alguma solução para seus problemas de imediato?
Olhei para ele, pensativo.
- Na verdade, não...
- Então não adianta nada você ficar se maltratando e encher seus pensamentos com esses problemas. Com isso você acaba fazendo eles se tornarem muito maiores do que realmente são! Sabe o que eu faço quando tenho problemas? Relaxo, vou sair, espairecer em um lugar que eu goste, conversar com pessoas que me entendam. Quando vou ver, os problemas acabaram se resolvendo sozinhos ou eram tão simples de se resolver que eu não percebia!
Pensei bastante sobre o que o professor Jones estava me dizendo.
- Realmente. Faz sentido...
- Só não se preocupe tanto, ok? Tudo passa! Agora boa sorte aí com sua leitura. Te vejo na aula!
Ele se levantou e se afastou indo em direção as escadas. Mas parou vendo o zelador da faculdade colando alguns cartazes na parede. Alguns eram sobre irmandades, de festas, outros sobre olimpíadas e esportes que as classes teriam, mas um me chamou a atenção.
Professor Jones subiu as escadas e logo o zelador também terminou seu trabalho e foi embora. Aproveitei que estava sozinho e me aproximei para ver melhor.

"Integração e união LGBT"

Observei o coração colorido com as cores do arco-íris ao lado de um texto que explicava um pouco sobre um tipo de comunidade feita para as pessoas LGBTs da faculdade. Não sabia que tinhamos aquilo... Eles convidavam para entrar em um aplicativo e fazer novas amizades, juntando forças contra o preconceito e homofobia. Mas principalmente para se integrar mais.
Pensei a respeito... E me lembrei de Ramon, foi tão bom conversar com uma pessoa que me entendia, eu realmente pensei em tentar procurar ele de novo, entrar em contato... mas a distância seria algo extremamente difícil de lidar e não tinha como saber se o próprio Ramon iria querer algo sério e passar por isso... Então eu só queria poder sentir aquilo de novo de conhecer pessoas que me entendiam. Talvez fazer mais amizades! Se eu não gostasse era só apagar o aplicativo onde fizeram essa comunidade.
Tomei a decisão de tentar. Olhei para os lados e marquei o nome do aplicativo, sentindo meu coração acelerar sem motivo. Talvez eu já estivesse sentindo que minha vida iria continuar a mudar...

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