Capítulo 30

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Se apaixonar... Nós conseguimos descobrir sobre o espaço a milhões de quilômetros daqui, mas não descobrimos tudo o que acontece conosco quando nos apaixonamos, sempre terá algo novo a se descobrir dentro de nós mesmos.
Pela primeira vez estava experimentando isso e uma das coisas que a paixão fez comigo foi eu fantasiar demais e querer revelar aquilo que se encontrava dentro de mim, que estava crescendo cada dia mais, eu tinha impressão de que ia explodir se continuasse a guardar tudo para mim. Principalmente me apaixonando cada vez mais pelo Christian.
E a paixão me fez decidir uma coisa que se eu estivesse no meu normal não faria. Eu estava totalmente decidido a contar ao Chris o que eu sentia.
Podem estar se perguntando agora do porquê eu queria fazer aquela loucura. Nem eu sabia! Mas decidi depois de uma noite de sexta em que me juntei a ele. Chris tinha encostado o seu carro na parte da garagem aberta do nosso condomínio onde quase ninguém colocava os carros. Ele se sentou no capô do carro e ficou deitado sobre o vidro, olhando para o céu.
Aquele era o nosso cantinho, sempre ficávamos ali quando queríamos ficar sozinhos ou aproveitar a companhia um do outro. Eu tinha ido chamar Chris para jantar, mas acabei não resistindo a ficar por lá com ele.
Olhava para o céu escuro e via a Lua que nos iluminava, me sentia longe de tudo ali... Era uma sensação muito boa.
- Percebeu que já vai fazer seis anos desde o dia em que nos conhecemos?- Perguntou Chris sorrindo, sem tirar os olhos do céu onde se perdia em algumas estrelas que apareciam ao longe.
- Claro que me lembro... Falta só alguns dias. Talvez já estivesse escrito nas estrelas que aqueles dois meninos que sentavam atrás de mim atacassem um aviãozinho com um desenho horrível e escrito "velha bigoduda" na senhora Grent, afinal eu sofria bullying com aqueles dois. Rychard nem se importava se eu estava sozinho já que era da turma do fundão. Mas então nossa professora decidiu separar os dois bagunceiros e trocar um deles de lugar com o novato caladão... Você era tão diferente naquele tempo! Magrinho...- Falei rindo e pensando naquela época.
- Ah, mas foi graças a estar escrito nas estrelas que o novato caladão ia entrar na história que você parou de sofrer bullying, mesmo magro eu sabia dar um chega para lá em garotos irritantes, mas não estava nos meus planos virar amigo do "sabe tudo" da classe. Você tinha cara de mauricinho!- Ele me olhava divertido.
- E você de valentão, pensei que tinha trocado um chato por um irritante!
Demos risada.
- Foi uma das melhores coisas que eu fiz ter virado seu amigo...- Ele falou olhando para mim.
Senti meu coração acelerar e sorri para ele. Já tinha me acostumado com tudo o que Chris me causava e eu gostava daquela sensação.
- Lógico que só valeu a pena por causa das colas que você me dava, passar de ano ficou molezinha!- Falou ele zoando e eu dei um empurrão no braço dele, que riu.
Continuei vendo ele sorrir com o rosto virado para o céu.
- Também foi uma das melhores coisas que eu já fiz ter me aproximado de você, Chris... Muita coisa teria sido diferente se eu não tivesse você ao meu lado.
Ele olhou para mim sorrindo.
- Acha que... algum dia a nossa amizade pode acabar?- Perguntei preocupado.
Chris estranhou.
- Acabar?
- Sim, tipo... se algo acontecesse e um de nós se magoasse com o outro. Acha que nossa união resistiria a tudo?- Perguntei isso com medo dele se magoar caso soubesse do que eu sentia por ele.
Chris ficou pensativo, ele tinha medo disso da mesma forma que eu, porque também tinha lá seus segredos.
- Acho que amizades verdadeiras resistem a tudo, Ryan. E acredito que o que temos é muito mais que verdadeiro... Então também é mais forte que qualquer problema.
- Será que para qualquer problema mesmo? Até... coisas do coração?
- Como assim?- Perguntou Chris com medo de eu já ter descoberto.
- Bom, é que... eu sempre escuto falar que quando paixões entram no meio, os amigos se afastam!- Dei uma desculpa.
- Ah! Você está falando quando encontrarmos alguém para namorar sério!- Disse ele mais aliviado.
- É... Mais ou menos isso.- Resmunguei.
- Espero que o que temos sempre fique cada vez mais forte, mesmo com mais pessoas no meio ou com paixões envolvidas... Acho que já devo ter dito, mas repito. Não podemos mandar no coração. Mas podemos manter por perto quem já está nele.- Falou Chris sorrindo.
E de novo um sorriso involuntário surgiu no meu rosto.
- É... Podemos.
E naquela hora acreditei que meu coração tinha escolhido certo e que eu devia revelar tudo ao Christian, que ele iria conseguir entender. Porque eu percebi naquele momento que meu coração não sabia mentir perto do dele...
Na manhã seguinte, Julie e eu estávamos subindo até o nosso apartamento, ela tinha vindo de Uber, entramos e cumprimentamos o Chris. Ryck não estava conosco naquele dia, teve que ir fazer um show com a sua banda e o mais engraçado é que, passe o tempo que passar, a frase do Ryck nunca mudava.
"Nossa, velho! O sucesso está batendo na porta, em 2 ou 3 shows nós vamos decolar com tudo!"
E estávamos nessa de 2 ou 3 shows desde então.
- Você lembrou de pegar a parte do trabalho com o Arthur, Chris?
- Hã... Tinha trabalho para fazer?- Perguntou ele se fazendo de inocente.
- Caramba, já é para o começo da semana e eu precisava da pesquisa dele para fazer a minha!
- Mal aí, Ryan! Eu esqueci!
- Ótimo... Será que ele está em casa?
- Deve estar jogando no pc como sempre.
- Ok, então eu vou resolver logo esse negócio do trabalho e aproveitar para comprar as coisas que estão faltando.
- Quer que eu vá?- Perguntou Chris se levantando.
- Não precisa, eu vou de táxi. Afinal, também tem o banheiro para lavar, sabe?- Sorri para Chris que fez uma cara de sofrimento.
Peguei minha carteira, chaves e saí. Chris olhou preocupado para Julie, que também o olhava. Estava querendo ir também para não cair na tentação de ficar sozinho com ela. Nem Eliza estava lá para ajudar Chris naquela tarefa difícil, naquele sábado era a festa da faculdade dela.
Ele sorriu tentando disfarçar o nervosismo. Julie fez o mesmo.
- Então...- Falou Chris.
- Então...- Falou Juh.
Mais um minuto em silêncio.
- Ah, já viu esse filme? Acabou de lançar, todo mundo está falando que é incrível! Ia assistir com o Ryan, mas ele sempre tem trabalho da faculdade para fazer...
- Ai, que da hora! Ouvi falar muito desse, queria mesmo assistir.
- Vou colocar, então.
Chris foi colocar o filme, enquanto Julie olhava para ele preocupada. Estavam tensos da mesma forma por estarem sozinhos.
Terminou de por o filme e Chris foi se sentar na outra ponta do sofá, mantendo uma certa distância. Juh notou, mas não falou nem demonstrou nada, mesmo não gostando nadinha daquela distância toda.
O filme começou e foi passando, os dois estavam tentando manter a atenção na tela. Mas os pensamentos não saiam da pessoa ao lado.
- Não entendi! Como assim ele morreu? Ele não podia morrer! Cadê o sentido do filme?- Disse Julie agitada no sofá.
- Ele se sacrificou para salvar a equipe...- Falou Chris olhando para ela.
- Não, mas ele prometeu para a garota que voltaria! Que cruel!- Falou Julie, o filme agora estava na metade.
Chris deu de ombros e falou se aproximando um pouquinho só:
- As vezes temos que fazer sacrifícios para seguir o que é certo, ninguém aceitava a relação deles mesmo...
- Não, mas ele podia ter lutado mais por ela. Desse jeito eles nunca iriam ficar juntos mesmo!
Julie voltou a olhar para a tela, mas também deu uma leve aproximada.
- Mas todos achavam a relação deles errada! É horrível quando ninguém aceita o que você sente.- Comentou Chris encarando ela e se aproximando mais, apenas para ficar melhor de dialogar.
- Pois eu acredito que quando o sentimento é verdadeiro o resto deixa de ter tanta importância. As pessoas não sabem como nos sentimos...- Falava Julie olhando para Chris e diminuindo mais a distância entre eles. Antes estavam falando do filme, mas agora estava passando para algo mais pessoal.
- Acredita nisso? Acha mesmo que vale a pena tentar algo, mesmo sabendo que todos vão apontar o dedo dizendo que é errado? Os dois lados podem sair perdendo, Juh...
- Talvez seja algo que devemos apenas arriscar para ver no que dá ou então nunca saberemos como seria aceitar o que sentimos...
A cada palavra os dois se aproximavam um pouco um do outro, agora já estavam um do lado do outro no sofá. Chris ficou olhando para os olhos dela por alguns minutos, pensativo e se sentindo dividido.
- Não se importa das pessoas acharem errado?
Julie deu de ombros.
- Acho que as pessoas achariam bem errado eu te achar incrivelmente atraente desde a primeira vez que te vi, ou se soubessem que amei cortar legumes só porque tive o melhor professor de todos, ou também se soubessem que meu coração acelerou como nunca com o nosso beijo e também sem motivo quando você me olha... como está fazendo agora.- Julie olhava para os olhos dele.
Chris admirou seus intensos olhos azuis, pensativo e tentou não sorrir, mas falhou na missão.
- Normal, acho que também achariam bem errado se soubessem que adoro seu sorriso, ou que gosto até mais do que deveria quando seu irmão manda eu cuidar de você a noite inteira nas festas, podendo dançar direto com você... Mas com certeza achariam super errado se soubessem que eu vivo imaginando como seria beijar de novo sua boca até te deixar sem ar...
Julie mordeu seu lábio inferior rosado enquanto olhava para a boca dele e para seu olhar intenso.
- Acho que mais do que nunca adoro coisas erradas...
Chris se aproximou mais dela e não resistiu, a beijou com vontade, se entregando aquele momento apenas. Julie se envolveu no beijo dele com ainda mais entrega, deixando que seus lábios transmitissem o quanto queriam aquilo, mas que por muito tempo negaram.
Juh passava a mão pelo rosto dele, enquanto Chris a puxava mais para si e descia com sua mão pela cintura dela. Aquele beijo ardente e demorado foi ficando cada vez mais intenso, eles não queriam parar, pelo contrário.
Julie acabou se deixando ser puxada e foi para cima dele, em seu colo, os dois já estavam ofegantes como nunca e a sensação de que estavam fazendo algo proibido só aumentava ainda mais a intensidade daquele momento. Os beijos e carícias descontroladas já passavam dos limites, Chris descia a alça da blusa vermelha que Julie usava e beijava sua pele por aquela região, fazendo Julie suspirar e ele a querer descer mais do que aquilo. Mas Chris parou por um segundo e falou ofegante:
- Eu não posso... Seu irmão, Julie...
- Ele... precisa saber?- Perguntou ela beijando o pescoço de Chris.
Ele a olhou sentindo o desejo aumentar ainda mais, a puxou para mais um beijo cheio de vontade e se levantou segurando a Julie, colocou suas pernas em volta da cintura dele e foi seguindo ao seu quarto. Os dois já haviam perdido o controle da situação, já não se importavam com nada.
Chris a deitou em sua cama, tirou a blusa em que Julie estava vestida e a admirou, gravando cada detalhe e curva do seu corpo. Julie se encolheu um pouco, estava corada e nervosa por nunca ter feito aquilo ou chegado aos finalmente com ninguém, Chris estava sendo o primeiro a ver ela assim, mas seu desejo falava mais alto que seu nervosismo.
- Você é perfeita, Julie...- Falou Chris beijando a parte de cima dos seios dela que ainda estava de sutiã.
Julie desabotoou a camisa que Chris estava usando, enquanto ele a erguia e tirava seu sutiã.
Chupava seus seios e os acariciava sem parar, Julie não conseguia mais conter os gemidos e suspiros, dava leves puxões no cabelo dele quando sentia muita pressão, o que só os excitava ainda mais.
Ele desceu beijando seu umbigo e fazendo ela se arrepiar. Chris desabotoou o short que Julie usava e o tirou, deixando ela seminua, ele poderia admitir que Julie era uma das garotas mais bonitas que já tinha visto assim, mas naquele momento para ele, Julie era a mais bela de todas.
Voltou a beijá-la com vontade, enquanto seus dedos deslizavam por entre suas pernas de encontro a sua intimidade, Julie já não tinha mais controle nenhum, deixava ele por conta de tudo. Segurava firme no lençol e gemia, respondendo a cada toque de Chris.
Chris a deixou totalmente nua e continuou descendo com seus dedos por aquela parte, que já se encontrava bem molhada. Desabotoou sua calça e subiu beijando o pescoço de Julie e sua boca, enquanto esticava a sua mão até a mesinha de cabeceira e pegava uma camisinha na gaveta.
Perguntou ofegante ao seu ouvido:
- Tem certeza disso?
Julie pensou pou alguns segundos se sentindo nervosa, mas abaixou o ziper dele enquanto concordava com a cabeça e o olhava com desejo.
Chris abaixou sua roupa, mostrando o quanto estava excitado. Julie mordeu o lábio inferior ao ver, estava preocupada, principalmente de doer demais pelo tamanho, mas se deixou envolver de novo pelos beijos carinhosos e carícias que faziam ela esquecer de tudo ao redor, enquanto Chris se ajeitava sobre ela.
Chris ergueu um pouco as pernas de Juh e aos poucos foi introduzindo e a penetrando. Julie soltou um gemido um pouco mais alto quando sentiu uma leve dor e ele a envolver por inteiro, Chris colou o corpo no dela e entrelaçou os dedos das mãos dos dois que estavam acima da cabeça de Julie, continuando firme em um movimento bem devagar e profundo, para frente e para trás sem parar, enquanto ouvia Julie suspirar e gemer ao seu ouvido, mas em momento algum deixaram de segurar a mão um do outro. Naquele instante eram um só, se entregaram de corpo e alma ao que acreditavam... Ao que sentiam.

Chris tombou para o lado bem ofegante minutos depois, os dois com a respiração pesada, ofegantes e suados. Olhavam para o teto pensando em tudo, só depois de alguns minutos que caiu a ficha do que haviam feito.
- Fizemos besteira?- Perguntou Julie.
- Acho que fizemos...- Chris estava em choque.
- Eu perdi a virgindade com o melhor amigo do meu irmão...- Falou Julie arregalando os olhos.
- Eu tirei a virgindade da irmã do meu melhor amigo...
- Estamos ferrados!- Falaram os dois juntos deixando toda a preocupação vir a tona.
- Meu Deus, meus pais não podem nem sonhar que isso rolou!
- Seus pais? Eu não estou só preocupado com eles, todos confiam em mim porque acham que eu nunca seria capaz de algo assim, você é menor de idade, Ryan vai me matar, temos até uma lei sobre nunca comentar coisas como "sua irmã é gata". Imagina então isso?! Ele não vai mais nem olhar na minha cara!- Falou Chris passando as mãos sobre o rosto aflito como nunca.
Os dois respiraram fundo, preocupados.
- Então...- Falou Juh.
- Então...- Falou Chris.
Mais um momento em silêncio.
- O que fazemos agora?- Perguntou Julie o olhando.
- Eu não sei...
Ela pensou mais um pouco, mordeu o lábio inferior e falou confusa:
- Talvez... devamos deixar isso em segredo. Pelo menos por enquanto. Ninguém precisa saber...
Chris olhou para ela, não queria ter que esconder o que aconteceu, mas os dois não tinham escolha.
- Talvez...
Voltei para o apartamento depois que fui no Arthur e no mercado, ele veio comigo.
- Cheguei!- Falei animado.
- Fala, galera!- Arthur entrou cumprimentando.
Chris e Julie estavam sentado um em cada lado do sofá.
- Oi...- Cumprimentaram eles sorrindo e tentando esconder o nervosismo.
- E aí? O que estão fazendo?- Perguntei.
- Só assistindo aquele filme novo!- Comentou Juh sem conseguir olhar para mim por muito tempo.
- Pô, cara! Esse filme é top! Viciei, já assisti umas 10 vezes!- Falou Arthur indo sentar entre eles para assistir a décima primeira vez.
Entrei no quarto do Chris para deixar a parte do trabalho do lado do pc e falei bravo:
- Não acredito, Christian!
Ele me olhou preocupado e ficou morrendo de medo de ter deixado algum vestígio no quarto.
- Você não lavou o banheiro?- Falei cruzando os braços e o encarando.
- Eu fiquei ocupado... com o filme! Vou lavar ainda.- Falou ele nervoso e se encolhendo um pouco.
- Dá um desconto que esse filme é muito bom, Ryan! Chega mais! Bora assistir também.- Falou Arthur.
Revirei os olhos, mas acabei indo mesmo e me sentei ao lado de Chris. De vez em quando ele me olhava preocupado, depois fitava a Juh que também estava com cara de pensativa. Se perguntava sem parar se ele havia cometido um grande erro. Será que aquilo poderia acabar com a nossa amizade?

Entre Segredos e MentirasOnde histórias criam vida. Descubra agora