mirar e atirar

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Povo/ Kayla

    A lua parecia estar sem cor naquela noite, o vento trazia consigo o frio da madrugada, a roupa estava toda amassada e os cabelos bagunçados pelas tentativas de cair no sono sem ter pesadelos, mesmo com os olhos cansados me recusava a dormir.

     Era fechar os olhos e ter a consciência banhada com o medo, consequência do que tive no momento que Meliarte se revelou como minha guia, as memórias da fuga residiam fundo no consciente.

     Não queria sonhar novamente com a succumbus, e como resultado pensar na guerra que não estava longe de chegar, queria poder impedi-la antes que alcançasse pessoas inocentes, mas não tinha nenhuma ideia de como.

      Estava em um beco sem saída, trancafiada em uma cela sem chave, nada parecia se encaixar, quanto mais pensava, mais perguntas eu tinha.

       Issac: Quando pedi que ficasse no meu quarto, o intuito era que voce dormisse comigo, e nao deixasse eu sozinho na cama enquanto refletia sobre a vida.

       A voz rouca pelo sono causou arrepios, bons por acaso, mas recusei a curiosidade de virar e ver como estava depois de algumas horas de sono, os ponteiros do relógio mostravam ser 4 horas da madrugada.

      Kayla: Tenho medo de dormir...

      O riso fraco ecoou pelo quarto gélido pelo vento, não era diversão ali, mas sim nervosismo.

      Issac: Onde esta a caçadora feroz que enfrentou alguns licantropos para salvar um garotinho?

      Kayla: deve ter ficado naquele templo junto com o livro e algumas coisas dela.

       O clima já desconfortável ficou pior, estava ficando insuportável respirar com toda a tensão acumulada em ambos, a guerra trás isso, pensamentos frios e que levam sempre a um mesmo caminho, a desordem.

        Issac: Tudo vai se ajeitar eu prometo.

        Seus braços me abraçaram por trás tentando transmitir tranquilidade, coisa que estava em falta a muito tempo, mesmo assim eu me encostei no seu tronco procurando o conforto que precisava no momento.

        Kayla: Quero voltar a treinar, não quero sentir a incapacidade que senti quando fiquei de cara com aquela beta.

        Issac: Então comece a treinar amanhã, tente dormir, e melhor do que pensar em coisas que só iram prejudicar seu estado atual.

        Concordei com a cabeça e me deitei na cama sentindo os braços de Zac me cercarem, ele tinha muito medo que eu fugisse e em um piscar de olhos desaparecesse de seu olhar.

————·§·————

         Sentir novamente os dedos arderem por conta da força exercida com pressão ao arco, era reconfortante para mim, ter novamente os olhos atentos ao alvo que a flecha deveria atingir me dava outro ar de liberdade, e soltar a flecha sentindo o mundo parar para que o pequeno objeto cortasse o vento indo direto para seu objetivo, era a melhor sensação que eu gostaria de ter.

      Issac não mentiu quando deixou que treinasse novamente, mas como nem tudo é um mar de rosas teria vigia para observar cada respiração dada.

Esse era o único ponto negativo da história.

         Quando novamente soltei a flecha, suspirei pesadamente quando a mesma parou a cinco dedos de distancia do meio do alvo com círculos vermelhos sangue.

Marcada Pelo Vampiro Onde histórias criam vida. Descubra agora