Danielle
As palavras exatas de Larissa não saíam da minha cabeça, eu a ouvi claramente antes de entrar no escritório "última mulher no mundo que você olharia". Eu sou a última mulher no mundo que Brandon olharia.
Eu nem sei porque estou rolando na cama pensando nisso. Entrei no escritório antes que Brandon pudesse responder a ela que tinha dormido comigo. Mas me arrependo. Eu devia ter aguardado qual ia ser a resposta dele. Se teria coragem de admitir que transou com a gorda pra namorada linda e magra.
Por que isso me incomoda tanto, eu não sei.
Pego o celular e penso em qualquer desculpa para ligar para Brandon, mas passamos o dia distantes, minha cabeça viaja na conversa que estava acontecendo entre ele e Larissa, mas o conteúdo anterior àquela frase que me incomoda fica somente para a minha imaginação.
Eu vou passar os próximos dias longe dele, organizando essa festa, e a única coisa que eu consigo pensar é que estou completamente insatisfeita com isso.
Escrevo uma mensagem pra ele e apago. Em seguida outra e apago.
Dou um suspiro alto. Ele deve estar bravo comigo. Eu fui o motivo da briga com a namorada dele.Isso não deve tê-lo feito feliz. Largo o celular e tento parar de pensar nele, mas é inútil.
Me levanto da cama e pego uma taça de vinho, coloco uma música e escolho um dos meus vários brinquedos sexuais. Eu quero e preciso relaxar e nada ajuda mais do que um orgasmo, ainda mais um pensando nos olhos intensos e misteriosos de Brandon.
Me arrepio com as lembranças da noite anterior, me contorço pensando na mão dele em mim, na sua boca com um beijo raivoso e bruto. Ele é mesmo assim. Bruto e intenso. Quanto mais eu penso maior é meu desejo. Meus gemidos são altos e carregados de memórias do corpo de Brandon em mim. Me acaricio e viajo nele como se o que está no meio das minhas pernas fosse ele.
Largo meus braços pro alto e respiro fundo tentando me recuperar, o sono vai chegando e sonho com ele. Misterioso e cheio de uma fúria que me assusta e arrebata ao mesmo tempo.
Em uma semana de pouquíssimo ou nenhum contato com sr. McAllister eu finalmente termino todos os detalhes da festa. A banda que vai tocar é completamente perfeita, com sons sensuais e fortes. No dia da festa estou no clube acertando todos os últimos detalhes. Há muitos espelhos, veludo e couro, spikes, vendas e máscaras por todos os lados.
Nos pequenos palcos laterais há gaiolas com tiras de couro, amarras e algemas, dentro delas ficarão dançarinas e dançarinos profissionais. Dá pra respirar a sensualidade que o ambiente ganhou, com as luzes e a música, tenho certeza que a experiência será de arrepiar.
- Estou impressionado. - a voz de Brandon me provoca os ouvidos. Olho para a entrada e ele está observando os detalhes. Minha respiração dá uma vacilada por causa da taquicardia que me acomete.
Somente o acompanho com os olhos. Ele sobe num dos palcos e olha as gaiolas. Sabe Deus o que se passa em sua cabeça. Se for um terço do que passou na minha, vamos direto ao inferno.
Ele me olha e me aproximo, somente sua proximidade com os itens de decoração já me fazem ter ideias obscenas do que eu gostaria de fazer com ele. Meu braço se eriça inteiro quando ele fica a alguns passos de mim.
- Riggs, ótimo trabalho. - ele elogia e parece distante e controlado como sempre. "Riggs.", quer mais controle do que isso? Sinto um furor me invadir. Eu estava ótima, perfeitamente bem e sã antes dele me confundir inteira com seus desejos sombrios e nossa foda deliciosa. Me afastou dele por dias e agora vem de "Riggs" pra mim?
- Poderiam todos nos dar licença, por favor? - peço aos mais ou menos quinze trabalhadores que estão ali.
Todos saem enquanto olho nos olhos de Brandon. Ele não desvia.
- Diga pra mim por que exatamente você vai me demitir. - eu tenho certeza que ele vai fazer isso. Tenho uma intuição fodida e uma amiga no departamento pessoal da empresa que me avisou que ele solicitou minha dispensa.
Ele faz a força mais absurda do mundo pra continuar impassível, mas eu vejo sua respiração descompassar igual à minha.
- Eu não consigo me controlar perto de você.- ele diz tão naturalmente que me assusta.
Fico indignada e muito brava. Controle. É tudo sobre quem manda em quem. Quem deve obedecer. Sim, senhor. Não, senhor. Senhor! Ele consegue dizer que não consegue se controlar desse jeito, sem sangue pulsando nas veias?
Eu avanço sobre ele e o beijo tão brava que mal consigo respirar. Nunca senti esse tipo de coisa por ninguém na vida. Mas ele me arranca do sério.
Ele me responde o beijo ainda mais forte. Andamos devagar ainda com as bocas se comendo loucamente.
Quando estamos dentro da gaiola eu o encaro.
- Eu vou te mostrar... - digo ofegante prendendo um braço dele no bracelete de couro. - Que o controle... - prendo o outro. Ele parece ultrajado, mas me deixa puxar as cintas e imobilizá-lo com os braços pro alto. - É superestimado.
Eu o beijo novamente e mordo seu lábio inferior com força. Então dou um sorriso irônico.
- Danielle. - ele diz e saio da gaiola. - Danielle! - ele grita.
- O controle é uma ilusão, "senhor". - digo ardendo em desejo de tê-lo em mim, mas furiosa. - E seu controle vale mais do que o resto, eu já entendi.
- Danielle, me solte. - ele ordena.
- Você não manda em mim. Nunca mandou e nunca vai mandar. - eu o encaro entre as grades e ele bufa. - Você não manda nem em si mesmo, porque você está lutando pra não gostar da assistente indomável e gorda. E quer saber? Você gosta. - eu grito e ele me olha de um jeito absurdamente raivoso. Eu nunca vi essa expressão em alguém na vida.
Eu sei que passei dos limites.
Tem certas linhas que cruzamos, que mesmo voltando para trás delas já se sabe que nada será igual. Esse é um momento típico.
Nossos olhos trocam faíscas por alguns instantes.
- Você gosta de mim. - falo e ele quase cospe fogo. - Me demitir só te dá a impressão que você manda nisso também. Mas não manda.
"Corra, Danielle.", meu cérebro ordena. Eu amarrei o homem. Que porra eu estou fazendo? Começo a oscilar entre a raiva e um arrependimento enorme.
- Me solte agora. - ele manda mais uma vez.
Eu viro as costas e vou embora. Eu sei que daqui a pouco vai aparecer um monte de gente lá dentro e ele estará a salvo. Eu não posso dizer o mesmo de mim.
Meu ânimo pra ir a esta festa é nulo, ainda mais depois do que eu fiz. Mas eu não vou deixá-lo achar que tenho medo dele. Me arrumo numa roupa que me faz extremamente auto crítica. É um top e hot pants pretas, com um vestido transparente por cima. Parece que estou tomando todo tipo de decisão errada na vida, da roupa à prender o chefe em amarras de couro dentro de uma gaiola.
Até penso em me trocar, mas resolvo fechar o dia com chave de ouro. Demitida, devassa e dominadora. Ah, calma, faltou o mais importante: Doida.
Eu não conheço ninguém na festa, algumas poucas pessoas do escritório e Mark, com quem me recuso a estabelecer qualquer tipo de conversa. Então danço sozinha algum tempo e vou ao bar periodicamente pegar drinks diferentes.
Realmente eu estava certa, com a iluminação e a música o ambiente é irresistível, sexy e elegante.
Olho pra gaiola ao meu lado e meu estômago se revira. Eu não o vi a noite toda mas o procuro incessantemente nos camarotes acima. Minha espinha quase não aguenta os arrepios que a percorrem quando acho que ele pode aparecer.
Me canso dessa busca inútil. Pago a conta e quando saio um dos seguranças me aborda.
- Srta. Riggs, por favor. - ele abre a porta do carro parado na saída do clube.
Sei exatamente o que é isso e tenho vontade de me negar a entrar, mas não consigo fugir.
Eu subo as escadas da casa de Brandon e vou passando pelos cômodos como da primeira vez. Instintivamente vou pro aquário do sexo, depois de passar pela piscina iluminada. Apenas encosto na porta e ela se abre.
O lugar é completamente transparente. Parece que estamos flutuando sobre o solo. Nunca estive num lugar assim. Ao mesmo tempo que é excitante e diferente, é meio esquisito. Algumas placas são mais reflexivas que outras e essa quantidade de espelhos me faz olhar com uma careta para minha imagem.
Brandon está de pé na frente da cama. Seu cabelo está levemente desarrumado e ele está de jeans e camiseta. Eu adoro essa visão menos formal dele. Olho instintivamente para seus pulsos e mordo o boca.
- Eu sinto muito. - digo envergonhada.
- Você estava certa. - ele diz com a voz firme, olhando meu corpo. - Eu gosto de você. Muito.
Eu tremo, apesar de saber e eu mesma ter dito isso. Saindo da boca dele parece que é como se alguém me contasse de um milagre. Homens como ele não gostam de mulheres como eu. Homens como Mark não gostam de mulheres como eu. Acho que é por isso que eu só namorei mulheres a sério até hoje. Mulheres são mais flexíveis com as imperfeições dos corpos das parceiras.
Brandon anda até um armário ao lado da porta, na única parede de concreto do cômodo e o abre. Eu estremeço.
Eu estava certa. A quantidade de amarras, cintas, açoites, algemas, e outros brinquedos sexuais dentro do armário me dão um choque que percorre meu corpo e me rouba as palavras. Ele gira uma algema no dedo, levando-a consigo.
Brandon começa a tirar a camiseta e os sapatos. Meu corpo tonteia antes de se excitar inteiro, mas minha cabeça está preocupada com o que ele vai fazer, com a algema e com o restante do armário.
Ele se aproxima de mim e respira fundo. Estremeço. Estou curiosa e completamente apavorada.
- Você está certa. Eu tentei de todos os jeitos ignorar o que eu estava sentindo. - ele para exatamente na minha frente e eu tento controlar meu coração que dá milhares de batidas por minuto.
Brandon me olha e prende um lado da algema no próprio punho.
- Estou abrindo mão do meu controle pra te dizer que eu gosto de você. - então ele coloca a outra argola na minha mão. - Faça o que quiser de mim.
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Peculiar
Short StoryDanielle é peculiar. Com a ajuda de Clara, sua amiga da adolescência, ela se tornou destemida, encarando de frente os desafios de sua vida e a incansável luta de ser uma mulher fora dos padrões. Ela prefere ser chamada de gorda mesmo. Por que? Porqu...
