Brandon
A única coisa que passa pela minha cabeça durante a madrugada é uma forma de convencer Danielle a passar o dia na cama comigo.
Eu a olho dormindo e parece que isso faz todo sentido do mundo. Eu esperei ela dormir e agora não consigo pregar o olho, aterrorizado com a ideia de que ela vá embora sem eu ver novamente. Não quero acordar sozinho. Não quero acordar sem ela.
Eu olho seu corpo deitado na cama, me acomodo ao lado dela e sinto seu cheiro até cair no sono em exaustão. Eu achava que o sono é superestimado, agora, nas vezes que eu tive Danielle em meus braços eu praticamente desmaio e tenho o melhor descanso.
O quarto se ilumina pela manhã pois não há barreiras para segurar a claridade. Eu abro os olhos certo de que dormi umas oito horas, e na verdade foram três. Danielle se move lentamente e esfrega os olhos até que os abre e me encontra.
- Bom dia, senhor. - ela fala como de costume quando chega ao escritório.
- Bom dia. - respondo sem meu usual mal humor, apesar da voz dela me causar o suspiro e o arrepio de sempre. - Com fome?
- Sempre. - ela sorri.
Era tudo que eu queria. Acordar com seu sorriso.
Aviso que tenho uma visita para o café e levo Danielle enrolada no lençol até meu quarto, onde ela entra no meu closet e escolhe uma calça e uma camiseta para si. Também me visto e vamos comer. Ela olha a mesa posta. Eu não cozinho, obviamente.
- Todo dia você toma café assim? Como se estivesse em um hotel? - ela senta numa cadeira e é servida de café. - Pode deixar que eu mesma faço isso. - ela diz ao mordomo e ele assente.
Faço um sim com a cabeça e ela parece surpresa.
- Você realmente gosta de ser servido. - ela observa a si mesma.
- O que você pretende fazer hoje? - pergunto enquanto ela escolhe o que comer.
- Eu ia comprar o jornal e procurar empregos, já que vou ser demitida pelo meu detestável chefe atual. - ela enfatiza o adjetivo que me provoca e eu sorrio.
- Que sujeito nefasto. - brinco.
- Nefasto e atrevido. - ela ri maliciosamente, me perturbando o juízo.
- Estou com uma vaga de assistente aberta. Se interessar a você. - eu não quero mais demitir Danielle. De fato, quero vê-la todos os dias. - Ouvi dizer que você toca vários instrumentos perfeitamente bem, pode ser justamente o que estou precisando.
Ela se levanta e peço ao mordomo que nos dê licença. Danielle sobe no meu colo colocando as pernas ao redor do encosto da cadeira. Ela nem precisa dar a pequena projetada de seu quadril pra frente, só pelas suas palavras eu já estava excitado.
- Eu toco perfeitamente bem. - ela morde meu lábio e tenho o impulso de rasgar suas roupas e jogá-la sobre a mesa no mesmo instante. Sua mão entra na minha calça e me agarra com força. - O melhor que eu já toquei foi este aqui.
- Perfeitamente bem. - eu não seguro o gemido que sai de mim enquanto ela me toca. Então ela para e se levanta. A olho pasmo. Duro e insatisfeito.
- Justamente o que você está precisando? - ela pergunta se sentando na mesa à minha frente.
Eu avanço sobre ela, meio aturdido com sua forma de mexer com a minha cabeça e me deixar rodando como um pião. Danielle é sagaz. Me deixa boquiaberto com sua perspicácia e seu jeito de me fazer realizar exatamente o que ela quer. Ela me excitou e agora faz parecer que eu a procurei, sem nenhuma cerimônia. Ela gosta que eu demonstre que a desejo e eu faço isso sem hesitar, me entregando pra ela com um laço vermelho de presente.
Ardilosa e completamente enlouquecedora.
- Você mexe comigo. - digo depois do beijo que formiga a minha boca. - E eu te quero. Fica aqui hoje. - peço indefeso.
- Só se você me amarrar. - ela sorri e se levanta me oferecendo uma piscada.
Eu não sei se ela está falando figurativamente porque quer ir embora, ou se realmente quer que eu a amarre, mas essa atitude esquiva quase me explode de vontade de foder Danielle até um completo esgotamento.
Ela lê meu comportamento, meu olhar, ou meus gestos e vai indo para o quarto. Sua forma de se mover dentro da minha casa não me perturba. Geralmente não gosto que as pessoas fiquem muito à vontade no meu ambiente. Mas acho graça em como ela atravessa os ambientes como se fosse dona deles.
- Você vem? - ela pergunta e eu vou. Obviamente eu vou.
Paro o carro na frente do prédio de Danielle quando a noite começa. Ela me olha com os cabelos molhados do banho recém tomado e me beija. Quase acelero de volta para minha casa ou peço pra subir. Mas acho que ela precisa de um descanso de toda intensidade.
Sei que vou me torturar depois lembrando dela, mas preciso colocar a minha cabeça em ordem.
- Eu te devolvo as roupas junto com a camisa que ainda está comigo. - ela fala tão logo nossas bocas se soltam.
- Não tem problema. - digo torcendo para que continuem com o cheiro dela quando ela me devolver.
- Parou de ser possessivo com as roupas? - ela brinca e sorrio. - Até amanhã, senhor.
Danielle desce do carro e acompanho com o olhar. Acho que fiz uma troca razoável. Eu era possessivo com as roupas e deixava a minha namorada, como ela mesma disse, "solta". Agora posso deixar as roupas por aí e ser possessivo com a namorada. Sei que eu mesmo não quis falar sobre o rumo dessa nova interação entre nós. Mas eu sei o que eu quero de Danielle. Somente tudo.
A vejo se aproximar da entrada do prédio e uma garota alta e magra se levanta de um dos degraus.
Eu continuo observando, pelo jeito da morena de cabelos curtíssimos, ela estava aguardando Danielle. Ela olha para trás e me dá um pequeno "tchau". Então elas se abraçam. Eu fico meio perdido. Parecem amigas, mas aquele abraço é bem típico de pessoas que não se vêem há muito tempo. Meu estômago se contorce em ciúme. E um tanto de possessividade.
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Peculiar
ContoDanielle é peculiar. Com a ajuda de Clara, sua amiga da adolescência, ela se tornou destemida, encarando de frente os desafios de sua vida e a incansável luta de ser uma mulher fora dos padrões. Ela prefere ser chamada de gorda mesmo. Por que? Porqu...
