o milagre de dona Helena

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CAPITULO 22

Naquela mesma noite tomei minha decisão, vou proteger minha casa, mesmo que eu tenha que abrir mão do meu orgulho e me sacrificar.
O dia amanheceu Chovendo, olho pela janela nuvens tão densas e pensadas quanto o meu coração. Minha mãe já havia saído para levar Daniel para escola. Me encaro no espelho, minhas olheiras estão enormes, meu olhos estão fundo e cansados. Fecho o olhos respiro fundo, me lembrando da decisão que tomei. No caminho do trabalho vou pensando em quantas mulheres já devem ter passado na vida de Átila, e que eu seria só mais uma. Tento desviar meu pensamento me concentro nos pingos de chuva que escorrem pela janela do Ônibus.
- Bom dia. Cumprimento Ilda na recepção
Passo pela sala de Átila, bato na porta e abro ele não está. Vou até a copa pegar um café, Escuto uma respiração em meu ouvido, me assusto me arrepio. Uma mão passa por minha cintura e pega um copo descartável. Reconheço o relógio Átila atrás de mim, mesmo não estando com o corpo colado ao meu sinto seu calor.
Respiro fundo, me viro para ficar cara a cara com ele. Encaro, também a tensão e devastadora ele ergue o queixo.
- não se usa mais bom dia dona Ruth?. Ele diz sarcástico.
- não se usa mais pedir licença Senhor Átila?. Cerro os olhos. Respondo no mesmo tom. Ele bufa, e se vira para pegar café na máquina.
Vou saindo da copa
- o que você acha que eu sou?. Me viro fazendo uma expressão de desentendida. Ele suspira irritado.
- paciência nunca foi uma virtude minha. Entendo a referência, ele quer uma resposta. Antes que eu diga alguma coisa Ilda entra na sala ficamos parados.
- Bom dia!
- bom dia, ele diz se virando para pegar mais café. Sorrio de volta Ilda parece perceber o clima de tensão e logo sai. Observo suas costas, seus ombros tensos. Vou me virando lentamente para sair enquanto ele está distraído. Ainda não consegui reunir a coragem que preciso para responder. Escuto ele rir
- onde eu estava com a cabeça, fazer uma proposta dessas a você. Ele se vira
- Está na cara que você acabará como ' A tiazona'. Percebo o seu jogo está fazendo para me provocar.
- ' O Senhor' está com tanto medo assim da rejeição. Ele me olha furioso
- Rejeição!? finalmente uma resposta. Ele diz arrogante.
- resposta? . Digo sarcástica
Saio da sala, eu não sei como aprendi a raciocinar ao lado desse homem é dizer tudo isso. Consegui deixá-lo irritado, bem irritado homens em geral não tem paciência para esses joguinhos.
Vou para minha sala me concentro no meu trabalho, Átila não me chama a uma hora o que é estranho.
Abro a Caixa de e-mail vejo a última resposta do banco. Preciso Reunir coragem para dizer, não sei nem como dizer.
Átila me liga
- Oi!
- venha até aqui. E desliga o telefone. ' Aí meu Deus o que será dessa vez. Bato na porta e abro, ele me encara.
- me traz um cafézinho. Ele diz esnobe.
Nunca me pediu isso, ele não é disse tipo, sempre pegou seu próprio café. ' O jogo' penso
- Sim, Senhor. Digo com um sorriso cínico. Ele arqueia uma sobrancelha. Até quando está irritado esse cão é bonito, chega a ser irritante. Saio da sala e vou até a copa buscar seu ' cafézinho'
Bato na porta e entro, coloco no café sobre a mesa dele. Eles não desgruda os olhos da tela do computador. Ele que sempre foi muito educado, não diz um obrigado.
Pigarreteio, limpando a garganta.
- algo mais senhor?.
- pode voltar para sua sala. Ele diz em um tom seco. Entro em minha sala assim que sento o telefone toca.
- sim, senhor Átila?.
- venha até minha sala?. Reviro os olhos e coloco o telefone no gancho com raiva. Ele está me deixando irritada, escancaro na porta e entro.
- a porta!
- volto para fechar a porta.
- não tomo com açúcar. Ele diz me entregando o Pires e a Xícara.
- como o senhor quiser. Digo pegando a xícara, tentando conter a raiva.
Saio da Sala dando passos pesados, bato a porta. Volto para a copa e pego seu café sem açúcar.
Entro na sala, fecho a porta e entrego o café, os olhos dele tem um brilho de escárnio. Percebo que ele está se divertindo, coloco o café sobre a mesa e saio. Ele não tira os olhos de mim, observa todos os meus movimentos. Quando me viro sinto o seu olhar sobre meu corpo.
Volto para minha sala, assim que sento o telefone toca de novo, dou um soco na mesa.
Não atendo, simplesmente me levantando e vou até a sala dele. Escancaro a porta furiosa, quando entro vejo o sorriso bobo em seus lábios, como um garoto pirracento. Sinto meu rosto corar.
- Pois não, Senhor Átila! digo com os dentes cerrados.
- esqueci de dizer obrigado pelo café. Ele diz Cínico.
Faço a melhor cara de Bosta que consigo, ele não se aguenta e solta uma gargalhada.
Saio da sala e bato a porta, volto para minha sala sento na cadeira com receio esperando o telefone tocar. Fico encarando o telefone por uns dois minutos, esperando.
Resolvo voltar ao trabalho, abro o e-mail, uma nova mensagem me alertando do prazo de despejo.
Respiro fundo, nervosa me levanto e ando de um lado para o outro. Sinto frio no estômago, minhas mãos estão suando, reúno toda a raiva e angústia. Respiro fundo no ápice da minha insanidade crio coragem.

Abro a porta com tudo, Ele olha pra mim assustado, Olho para ele respiro fundo pra tentar conseguir falar.
- Aceito sua condição! . Ele arregala os olhos, sorri com malícia.
- mas eu também tenho as minhas. Ele ri
- espera!, quer dizer que você tem condições para aceitar as minhas condições de algo que Você me pediu!? .
- um acordo então!? digo entrando na sala. Ele oferece a cadeira na frente da mesa, Como faz quando vai negociar, com seus clientes eu recuso. Fecho os olhos para me concentrar no que vou dizer.

- será só entre nós dois, não quero ménage, não quero sado, não quero brinquedos, fantasias, sem anal DP e oral. Nem eu acredito em tudo que falei em voz alta. ele se diverte.
- oral não!? . ele resmunga
- não vou fazer em você. digo esnobe.
- tudo bem. Ele passa a língua no lábio inferior. Uma onda tênue de calor percorrer meu corpo.
- outra coisa, você tem que me prometer que isso não afetará a nossa relação de trabalho. Sem insinuações, não quero falar mais disso. Ele faz que sim com a cabeça.
- Tudo em espécie ?. Ele esfrega o polegar no queixo como de costume.
- hoje pergunto?
- não hoje não, estarei ocupado, reunir essa quantia em espécie não é tão simples tenho que ligar para o banco é perigoso. Eu transfiro para sua conta.

- em espécie. Digo convicta, Ele suspira
- você não confia em mim?. ele franze a testa
- não tem perigo se só nós dois soubermos. Ele bufa irritado.
- ok. ele diz
- amanhã às 20:00 mando alguém te buscar na sua casa. Faço que sim com a cabeça e saio da sala, quase que correndo. Vou até o banheiro estou toda vermelha, sinto meu sangue arder, lavo meu rosto não acredito no acabei de combinar.
(você não tem outra escolha), minha consciência me conforta. Desabo sobre a pia do banheiro, não consigo conter as lágrimas. Lembro da promessa que fiz,
- me perdoa Deus. Digo baixinho. As lágrimas escorrem.
- Ruth! . Ilda entra no banheiro
- estão te chaman...
- o que aconteceu menina?
- nada está tudo bem, digo enfiando a cara na pia jogando água no rosto.
- meu Deus olha o seu estado. Não consigo conter o choro desmorono. Ela me abraça.
- o que aconteceu?
- foi sua mãe de novo?
- não digo entre soluços
- então o que é?
- foi o Átila?
- escutei você falando alto na sala dele, Porta batendo.
- não, foi nada.
- ei, ei ... calma
- respira fundo. Tento me controlar
- está tudo bem, eu vou ficar bem é só uma fase ruim. Me dá um tempo, segura as pontas que eu já vou . Digo tentando convencer ela.
- não, não. ela diz pegando em minhas mãos.
- você está tremendo.
- não Ilda, eu vou ficar bem. Minha voz sai trêmula. Me viro e volto a me encarar no espelho.
- por favor, eu só preciso de um tempo.
- ILDA !. Escutamos Átila gritar de fora do banheiro.
- vai Ilda, por favor!
- tá bom. ela vai em direção a porta
- Ilda! ela se vira
- não comente nada com Átila. Que me viu chorando Por Favor.
- Tá bom! . Ela fecha a porta.
Eu estava tremendo, estava toda vermelha, meus olhos estavam inchados. Eu sentia meu estômago embrulhar, nervosismo e raiva.
Preciso me acalmar, respiro fundo dez vezes, vi isso em um vídeo. Funciona me acalmo, jogo água no rosto novamente. É nítido que eu estava chorando meu olhos ainda estão marejados. Resolvo sair do banheiro, vou até a copa tomo um pouco de água. Volto para minha sala, tento insistentemente me concentrar.
Começo a organizar minha sala, Arrumar as coisas me acalmam, organizo todas as gavetas, me mantenho ocupada. Consigo voltar a me concentrar. O sinal da fábrica toca, 17:00 finalmente vou para casa.
Sai com tanta pressa, que tive que voltar pra pegar meu celular. Sinto raiva do meu pai isso tudo é culpa dele.
Quando chego em casa minha mãe está arrumando as coisas na caixa.
- Mãe! digo correndo em sua direção, eu a abraço.
- não vamos nos mudar, pare de montar essas caixas.
- o que como?. Desabo de chorar tento fingir que é de alegria.
- conseguiu o empréstimo ?. faço que sim com a cabeça. Ela me abraça. Felizes ela e Daniel comemora.
- não vamos mais embora vovó.
- não!. Eles começam a rasgar as caixas de papelão. Sorrio com a alegria deles.
- Deus nunca nos abandonaria. Suas palavras são como uma faca, em meu coração. Não consigo olhar ela nos olhos, começo a pensar o quão difícil vai ser esconder isso dela. Me tranco no quarto choro o resto da noite.

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