Jane
O garoto posiciona o corpo de maneira defensiva; ele não parece ser muito mais velho do que eu, mas é bastante alto. Com os óculos escuros fora do seu rosto, agora tenho um vislumbre da tonalidade profunda que suas íris têm.
Os olhos dele não deixam o adversário um só segundo e os pés estão apoiados no chão apenas pela ponta dos dedos para oferecer-lhe maior agilidade em combate.
Percebo na hora o que pretende fazer.
Ele teve um pensamento genial para lidar com alguém o dobro de vezes maior e o triplo mais forte do que ele. O meu "herói” estava prestes a iniciar um rope-a-dope, a técnica de mover-se por todo o espaço afim de cansar o oponente antes de começar a bater.
Foi esta a técnica que concebeu a vitória ao Muhammad Ali numa luta na década de 1970; seu adversário na época era tão intimidador quanto seu tamanho sugeria e por pouco não fez picadinho do nosso campeão.
Lion King não percebe ou se o faz não demonstra, então simplesmente dá voltas ao redor do rapaz para tentar intimidá-lo. Seu ataque é bruto e rápido, capaz de desestabilizar qualquer lutador que não estivesse atento à sua movimentação, mas isso não se aplicava ao cara que tinha sido audacioso(e até diria louco) o bastante para desafiar o gigante da Periferia.
Não deixo de admirá-lo por sua coragem, o que me deixa ligeiramente sem graça por ter sido aquela a quem ele salvara.
Eu não gostava de ser a mocinha indefesa da história e tampouco estava acostumada a exercer tal papel, bem pelo contrário; eu era a garota prodígio da Base, como alguns tomaram a liberdade de entitular, e não uma garotinha indefesa que só não apanhou mais diante de todos porque o príncipe encantado resolveu aparecer para salvá-la.
Reviro os olhos para meu próprio orgulho ferido, dizendo a mim mesma que poderia encarar este tipo de incoveniente mais tarde.
King ataca uma segunda vez e mais outra, tudo em uma só sequência, procurando não dar espaço para o adversário se defender. Ele quer se livrar logo do garoto, está enfurecido por ter sido insultado na frente de todos e não pretende sujar o seu nome em uma derrota para alguém visivelmente mais fraco do que ele. Observando-o assim de cima, agora entendo porque o acham tão letal.
Não é só tamanho ou largura que o engradecem, o grandão é hábil em suas lutas, não proporcionando tempo necessário para que a outra pessoa bolasse muitas estratégias. Eu havia passado por isso e senti na própria pele o que é ser obrigada a lutar às cegas, confiante apenas no que sabia e aprendera durante os anos.
Sou boa em desvios, mas não como o audacioso garoto a quem assisto no momento. Ele é incrivelmente ágil e seu corpo leve dança pelo ringue, mudando de direção a cada piscar de olhos; sabe que não tem muitas chances de ataque, por isso mal tenta investir. Um único movimento em falso e ele será jogado para fora.
Estou impressionada com a sua capacidade de movimentação, ele não aparenta problema algum com coordenação motora, sua destreza é de fato plausível. Para alguém vivente do meio mais pobre da cidade, havia algo de especial no garoto. Ele sabia lutar, e não só enrolava como a maioria dos caras naquele lugar, que tinham a língua maior do que o cérebro. Talvez seu pai ou alguém da sua família fosse um militar.
Observo-o se deslocar para a esquerda, direita, diagonais, cima, baixo...aproveita todo o espaço que lhe é disponível para a sua defesa e não se permite ir ao chão com o lutador mais velho, que por vezes tenta o agarrar para trazê-lo a baixo. Sabemos que no momento em que ele atingir o chão, será praticamente impossível voltar a se defender como antes, e por isso está focado em manter-se de pé.
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Mileven: Two Worlds
RandomE se na verdade, os poderes telecinéticos pertencecem ao Mike? E Dustin, Lucas e Max também tivessem habilidades especiais? Na conturbada cidade de Hawkins, jovens que serviram como experimento para o governo e falharam em suas missões, são obrigad...
