35 - Victória.

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*ESPECIAL.

— Capitã Victória Silva! — O Major falou apertando minha mão

— Major! — cumprimentei dando um sorriso de lado, sem muita emoção

— Estava esperando a senhora chegar, temos coisas a ser resolvidas! — concordei me sentando na cadeira — Precisamos urgentemente realizar uma operação na R, a equipe convocada é a Arcanjo! — disse sério, puta que pariu

— De qual motivo se trata, Major? — questionei

— O filho do Doutor Carlos, está fechando tem um tempo no tráfico de lá....— coçou a barba e me encarou — Você sabe como é, doutor Carlos é meu parceiro de muitos anos, agora doente, só quer ver o filho! — franzi a testa — Vamos tentar capturar o garoto e trazer ele até o pai — tossi

— Como? Vai armar toda uma operação apenas para pegar um bandidinho? Não é possível — ele concordou — Botar todo mundo em risco por causa de um moleque? — perguntei séria

— Eu não posso deixar o Carlos na mão, Capitã! Ele me pediu isso! — neguei com a cabeça e ri, inacreditável — A sua equipe é quem vai! Está tendo uma guerra de facções no local, como confirmado agora, pela manhã vai ser o momento exato para vocês entrarem — concordei — O nome dele é Charles, assim que tiver uma foto dele passarei à você. — levantou-se

— Certo! Avisarei a todos! — falei me levantando

— Você sabe, o tal do piriquito que comanda a área lá é sanguinário, não dá mole para ninguém! — concordei engolindo a seco, Richard, meu irmão. — É tudo em sigilo, essa porra não pode vazar, só faz o que está sendo destinado e mete o pé, nem preso o moleque pode ficar! — apertou minha mão

— Ok! Licença para me retirar — ele concordou

Sai da sala com a cabeça à mil, desde ontem quando estavam especulando essa possível operação, eu tentei contato com o Richard e não consegui de maneira alguma.

Agora, tendo certeza que minha equipe foi escalada para essa operação, o meu desespero se torna maior, desde quando entrei para o Operações Policiais Especiais, eu nunca fiz operações na comunidade que meu irmão é frente, e sempre dei graças a deus por isso.

Chega ser desesperador pensar em trocar tiro com ele, apesar de não termos contato e eu ter tirado o nome do meu pai da certidão, ele não deixa de ser meu sangue, quando o aviso chegou pela noite, eu já sabia que seria problema, e eu estava certa.

Nunca me imaginei sendo Policial, ou melhor, Capitã da melhor equipe do Rio de Janeiro, tudo aconteceu bem do nada, eu me apaixonei pela profissão.

Procurei ser mais reservada possível, não tenho redes sociais e vivo as ocultas, minha vida é meu trabalho, quase não falo com a minha mãe, o Richard então, nem sonha que eu sou policial, não boto minha cara na mídia, procuro sempre me esconder não envolver família no meu meio, pois sei que esse meio é uma bomba relógio.

— Boa noite, Capitã! — falaram quando eu passei

— Equipe, pelo nascer do dia estaremos em operação no morro R, equipe 02 irá chegar por cima junto ao Guilherme e equipe 01 por baixo junto a mim — falei arrumando meu colete

— Qual é a intenção dessa operação, Capitã? Eles já estão se matando entre si — eles riram

— Você gosta de trabalhar ou não gosta, 09? — debochei rindo — A sua função é essa, jogar água no fogo — falei fechando a cara

— Acha que essa porra vai dar certo? As equipes subindo assim do nada? — Guilherme perguntou baixo para mim

— Se der errado deu, é guerra ou paz — botei o colete no peito dele — Não pode rolar sangue nessa porra, Guilherme! Temos que descer lisos — ele arregalou os olhos

— Tá maluca, Victoria? Tem duas facções em um morro só, vai ser impossível — neguei com a cabeça

— Faz o impossível virar possível, sem sangue! — falei me retirando

Fui para parte de fora, a chuva agora caindo fraquinha, acendi um cigarro e suspirei, agora será inevitável, seja o que o tiver para ser.

VICTÓRIA.

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Richard: Escolhas.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora