capítulo quarenta e seis

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Helena

Cheguei na rocinha, e nem foi esse bicho todo de sete cabeças pra entrar, eu em, podia ser até alemão que eu acho que não ía dá em nada.

Subi e fui atrás de uma pensão pra ficar, achei e foi babado.

Eu ia colar no baile mais tarde, queria ver a cara dessa piranha, ver se ela era tudo isso mesmo, porque se ele tem tudo em casa, vai atrás fora porque?

(...)

Conheci uma mapoa que aparentemente odiava a mona lá também, e ainda me contou maior babado, nem amei né?

Parece que a mona lá teve um envolvimento com o chefe daqui.

Tadinha, quero nem ver o que vai acontecer com ela, mas é assim mesmo, se errou, tem que ser cobrado.

Fomos para o baile e eu vi a piranha lá.

Gostosa até, não vou negar, mas eu sou mais eu.

Fiz a graça com ela, só pra ver aonde eu tava me metendo, e pelo visto a mona é toda mole, fez nada, eu em.

Resto do baile eu curtir legal, alguns caras chegaram em mim, até pensei em dar o troco no fp, mas vai que ele descobre, deus me livre, tô fodida, dispensei todos e segui plena.

Mais tarde eu sai do baile e guiei pra pensão, tava cansadinha já.

(...)

Tainá me chamou pra vim aqui no mercadinho e eu vim né, avistei a piranha entrando, e já fiquei no ódio.

Fui pra cima dela e falei um monte de coisa, e ela ainda fez a cínica, que ódio cara.

Só não cair na mão com ela, porque de cara ela tinha mais corpo que eu, e também eu não queria chamar atenção ali.

Puxei a Tainá e sai.

Tainá: Você conhece ela de onde?

Helena: Nem conheço, essa piranha tava em cima do meu marido.

Tainá: E você é de qual morro?

Helena: Sou de morro não menina, moro em um bairro pertinho daqui. --- Sorri falso.

Eu em, vou nem dá trela, tá na cara que a mona é falsa falsa.

Helena: Mas fala mais dessa mona aí.

Tainá: Ela mora aqui, tem um salão com a irmã dela e outra aí, amiga eu acho, nunca vi brigando na rua, nem batendo boca, na verdade ela é na dela, mas pelo visto é piranha pura, nunca fui com a cara dela não, se achava muito porque sentava para o chefe.

Helena: E eles terminaram porque?

Tainá: Parece que rolou mó b.o, ele traiu ela, alguma coisa assim e hoje nem se falam mais.

Tainá: Otária mesmo, ele nunca foi fiel com nenhuma, porque com ela ia ser diferente?

Helena: Hum, e tu não gosta dela porque?

Tainá: Sempre quis ser muita merda, narizinho empinado, puta igual.

Helena: kkkkkk, achei mesmo.

A gente foi andando e passamos em frente ao bar.

Tainá: Olha alí os de frente. --- Falou e apontou com a cabeça.

Olhei na direção que ela apontou e vi um monte de mavambos sentados.

Tainá: O branquinho é o Ret, dono do morro. --- Assenti. --- Bofe fortíssimo.

Helena: Bonitinho até, mas vou embora, tô cansadinha.

Tainá: Que isso, vamos pra lá?

Helena: Eu não.

Tainá: Vamos cara, vem. --- Falou me puxando em direção ao bar.

Assim que entramos algumas pessoas olharam pra gente, principalmente pra mim.

Ela me arrastou pra mesa, e sentamos.

Fiquei ali batendo papo com ela, e veio alguns vapores pra nossa mesa.

Chegou dois baldes na nossa mesa, não sabia quem tava mandando, mas nós estávamos aceitando né?

Olhei para o lado e aquele cara tava me olhando, tratei logo de virar a cara, eu em, vou sustentar não, sou nem louca.

Tava rindo, bebendo e só sentido o olhar dele pesar sobre mim.

Virei de novo e ele continuava me encarando sem esboçar nenhuma reação, ele chamou outro cara lá e falou alguma coisa no ouvido dele, o cara só assentiu saiu.

Aí foi minha deixa né.

Me levantei e tratei logo de sair dali.

Tainá: Vai pra onde cara? Tá louca?

Helena: Vou embora amiga, tô super cansada, a gente se ver amanhã.

Dei um beijo nela e sai.

Virei a esquina e quando eu entrei no beco, vi só o farol de uma moto ligando e parando atrás de mim.

Virei e era o mesmo cara, meu cu trancou na hora né?

Ret: Sobe.

Helena: Eu não, nem te conheço.

Ret: Sobe logo porra. --- Falou gritando.

Subi com o cu na mão.

Onde foi que eu fui me meter meu deus.

A meta continua a mesma, assim que bater eu volto.

Só precisamos de nós. {M}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora