019 - You can be a sweet dream or a beautiful nightmare

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O horário do almoço já tinha chegado, apesar de achar uma perda de tempo, Juliet me pediu para que levasse o almoço do soldado antes do meu, o que não me importava, afinal o que eu mais queria era ficar com ele. E quanto mais cedo melhor.

— Boa tarde, o senhor pediu comida? — Quando me viu, se sentou e eu pude perceber algo diferente nele. — Cortou o cabelo, foi?

Estava lindo, como sempre foi. Mas confesso que ficou ainda melhor com os fios mais curtos. Evidenciou sua mandíbula marcada e deixou seu rosto maravilhoso em evidência.

— Ela resolveu brincar de barbeiro e fez o serviço completo. — Murmurou mau humorado e virou o rosto, revelando um pequeno curativo na bochecha. — Achei que ela iria cortar minha garganta com aquela navalha. — Não consegui segurar e soltei uma gargalhada, tampando minha boca para abafar o som. — Fica rindo aí, aquela mulher é louca!

Exagerado.

— Oh, meu Deus. — Fui até ele pegando em seu rosto e beijei o curativo com cuidado, logo desci meus lábios para os seus e aprofundei o beijo. Seus braços contornaram minha cintura trazendo-me mais para perto. — Acho que ela cortou seu cabelo torto.

Ri puxando os fios castanhos para cima e medindo com meus dedos.

— Eu só não sei se ela é um desastre ou se fez de propósito. — Beijei o topo de sua cabeça e me sentei ao seu lado.

— Já sei a resposta, acredite, esse corte não foi um acidente. — Harry já pegava sua comida, enquanto eu me perguntava como começar o que tinha para falar a ele. — Está tudo bem? Está séria. — Pegou meu queixo fazendo-me sorrir.

— Tenho duas noticias para te dar, você quer a boa ou a ruim primeiro?

— A ruim é eu estar aqui, me fale a boa. — Meu sorriso desapareceu e me remexi sem graça sobre a cama. — A boa, é claro, é ter você aqui comigo. — Completou todo galanteador, inclinando-se com um bico de beijo.

— Muito engraçadinho. — Desviei de seus lábios o empurrando pelos ombros. — Juliet saiu ontem.

— Como? — Engasgou-se com a comida e largou o prato de lado. — Você a viu?

— Quando desci para tomar água, na hora vim para cá — Meu rosto esquentou de vergonha — eu as flagrei saindo escondidas. Ela levou a Cornélia junto.

— Ainda não entendi o motivo de ela ter levado a menina. — Comentou pensativo.

Eu não tinha me perguntado isso...

— Não sei, agora que você falou...É realmente estranho. Cornélia me disse que havia um homem e sua esposa, e que ela a tinha enchido de biscoitos e que tinha lhe feito uma trança. Ela me disse que a mulher era carente...Será que eles não têm filhos e Juliet a levou para agradar a mulher?

— Esse homem, quem é? — Ignorou toda a minha teoria e apenas focou na parte que o interessou. Do mesmo jeito que minha mãe reclamava do meu pai. Homens.

— Não sei, Cornélia disse que ela o chamou de Feld...Feldw

Feldwebel — Ao que parece, eu era a única que não sabia pronunciar aquela maldita palavra. — É um sargento. — Respirou fundo e percebeu na minha cara a confusão estampada. — É alemão. — Mexi a cabeça sinalizando que havia entendido. — Então elas foram na casa de um sargento alemão.

— Entregaram a carta a ele.

— Então provavelmente é ele quem irá entregar aos russos.

A Alemanha e a União Soviética estavam sob o benefício do pacto de não agressão Germano-Soviético, que foi assinado no começo da guerra e consistia não apenas no que o próprio nome já dizia, mas também numa aliança durante os combates e divisão de territórios. O tal sargento devia ter contato direto com Clint, o amigo e enfermeiro russo de Juliet ou com qualquer homem de patente alta soviética.

The enemy | H.S.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora