Minha ajuda chegaria mais tarde, portanto eu ainda poderia aproveitar minhas últimas horas ao lado dela. Não tinha sido bem do jeito que eu imaginei que seria. Achei que a última vez que a veria estaríamos vestidos. Naquele momento me caiu a ficha de que havíamos realmente acabado de transar. Era loucura!
Bati em minha própria testa repreendendo-me por ter deixado me levar tão facilmente e quebrado minha promessa. A observei por um tempo, Grace ressonava calma, coberta até o pescoço pelo grosso cobertor, parecia até um anjo. Que eu tinha acabado de corromper.
Neguei com a cabeça rindo baixinho. Não acreditava que ela tinha entrado naquele quarto e me feito ceder daquela maneira. Estiquei meu pescoço e pude ver o vestido vermelho jogado no chão, nem tive tempo de vê-la vestida nele direito. Ela parecia saber que eu não resistiria.
Eu definitivamente havia criado um monstro.
***
Grace remexeu-se sobre mim, atraindo minha atenção.
Eu estava no mundo da lua. Era apenas uma metáfora para simbolizar meus pensamentos tempestuosos, minha mente estava a mil por hora tentando assimilar o fato de que eu estaria livre. Se tudo desse certo, eu poderia sair daquele inferno.
Pensar que veria meu pai novamente e meus colegas, fazia-me querer apressar os ponteiros do relógio e o próprio sol para que amanhecesse logo. Ir para casa, rever minha mãe e irmã ainda poderia ser considerado por mim apenas um sonho, afinal, ainda tinha uma guerra na qual eu teria que lutar.
Mesmo sendo inexperiente, eu preferiria morrer em combate do que aceitar meu destino naquela casa e não fazer nada a respeito. Morreria com honra.
— Não tinha visto que acordou. Pode voltar a dormir...só se passou meia hora. — Não sabia ao certo se tinha sido aquele tempo mesmo, fato era que Grace tinha acabado de cair no sono.
— Não quero dormir mais — Tirou os braços de debaixo das cobertas e ficou ali, encarando-me com seus olhos azuis entreabertos, sorrindo abertamente. Encarei seus lábios, tempo o suficiente para que ela estranhasse. — Porque está me olhando desse jeito?
Ri junto dela, que tampava o próprio rosto vermelho com as mãos.
Algumas coisas nunca iria mudar.
— Você que está me olhando. — Respondi, ainda rindo. A verdade era que nem mesmo eu sabia o motivo.
Grace se remexeu sobre o colchão e seu corpo quente deslizou sobre o meu. Era uma sensação tão gostosa, quase inebriante, não me lembrava mais como era dividir a cama com uma mulher, sentir seu corpo nu contra o meu, seus seios contra o meu peito, sua respiração. O calor humano que emanava dela, era viciante.
Ela também sentiu o que senti. Mas de uma forma diferente. Grace me olhou sem graça, sorrindo do mesmo jeito que sorriu quando a beijei pela primeira vez, ou quando a toquei pela primeira vez. Estava maravilhada com as novas sensações que estava experimentando. Era maravilhoso participar de suas primeiras experiências, ver como ela reagia a cada estímulo meu.
Me perguntei como eu conseguia me lembrar exatamente de seu rosto, seus olhos, do modo como ela reagiu a primeira vez em que fizemos algo juntos. Eu não costumava gravar aquele tipo de coisa, mas naquele instante conseguia me recordar nitidamente da menina que conheci há um tempo atrás.
Estava, de certo modo, assustado com aquela novidade. Cheguei a sentir meu coração palpitar por um instante. Acho que a euforia de ir embora estava mexendo com minha cabeça.
Talvez, aquele fosse o motivo de eu não conseguir tirar os olhos dela, de ter conseguido gravar sua imagem desde o princípio. Era meu cérebro tentando eternizá-la no meu subconsciente, eu não sabia bem se acreditava bem na ideia de guardar alguém no coração, então aquele argumento me parece ser mais plausível.
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The enemy | H.S.
RomantikO ano é 1940, o mundo vive os horrores da Segunda guerra mundial. Com temperaturas insuportavelmente baixas, a União Soviética decide ordenar que todos deixem suas casas e destruam qualquer coisa que possa ser proveitosa ao inimigo. Grace Dubrov é l...
