014 - I love You

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Harry's point of view.

— Você é tão doce. — Beijei sua nuca após afastar seus cabelos trançados. — Estou envergonhado pelo jeito que agi.

Não deixava de ser verdade. Eu nunca achei que algum dia sequer faria menção de machucar uma mulher. Aquilo não podia se repetir, nunca mais. Primeiro, por não fazer parte de meus princípios, depois, por quase estragar meus planos com Grace.

Chegava a ser cômico eu, que estava seduzindo a pobre Grace em busca de informações, falar sobre princípios.

Apesar de saber que era completamente errado o que eu estava fazendo, sabia também que eu era apenas seu primeiro amor. Grace era jovem, linda, e iria passar por tantos caras na vida, que eu nem ao menos seria lembrado após alguns anos. Mexer com seus sentimentos era inofensivo para mim, já machucá-la fisicamente não, aquilo estava fora de questão.

— Já disse que está tudo bem. — Riu fraco, virando-se levemente para conseguir me encarar. — Entendo que está preocupado.

Respirei fundo ao senti-la se remexer novamente, voltando a encostar as costas em meu peito. Eu estava tentando ao máximo não ter uma ereção ao tê-la sentada em meu colo e se mexendo tanto em cima de mim. Seu bumbum estava tão próximo de minha virilha, que eu resistia fortemente a minha vontade de puxá-la mais para perto. Grace provavelmente não fazia ideia do que estava me causando.

Tentei pensar em outras coisas, qualquer coisa que não fizesse meu amiguinho debaixo ganhar vida própria. Logo, voltei a me situar no assunto em que falávamos, e aquilo foi o bastante para me fazer perder completamente o tesão que estava sentindo.

Acho que tinha me acomodado muito com o passar dos dias. Nada de novo aconteceu naquele período. Era a mesma rotina chata de sempre, acordar, ir ao banheiro, tomar café da manhã, almoçar, tomar meus remédios, trocar curativos e encarar o teto até o jantar, ir ao banheiro mais uma vez e depois dormir.

A única coisa que me tirava daquela monotonia mórbida era Grace. Não podia negar que ela me distraía, eu claramente tinha aquela mesma função para ela. Eu até gostava de sua companhia, Grace era divertida, e com ela eu podia ser quem eu quisesse, porque quando eu conseguisse fugir, nunca mais a veria na vida e ela nunca teria como saber se o que eu lhe contei era verdade ou não.

Era como voltar a minha infância, contando mentiras inventadas para meus amigos de escola. Não era como se eu tivesse usado muito esse recurso na hora de fazer amigos, o simples fato de ser filho de um piloto do exército já me deu uma popularidade enorme nos meus tempos de estudante.

— Estou preocupado com meus colegas. A neve já vai começar a cair e falhei na minha missão.

Era desesperador saber que Juliet já estava adiantando seus passos no plano de me mandar diretamente para as mãos do exército Russo. Eu achei que teria mais tempo quando fiquei sabendo que os telefones já não funcionavam mais. Eu estava realmente certo, a culpa era toda minha, fui eu que me deixei descansar ao invés de conseguir pensar num jeito de sair e tentar reaver o sistema de comunicação de minha aeronave.

Juliet iria finalmente ficar fora de casa por algumas horas. Mas eu não sabia se minha perna iria me permitir sair e ir tão longe atrás de minha aeronave. Ainda mais no meio da noite, onde a escuridão reinava no local.

Encarei a menina aconchegada em meu peito e tive mais uma ideia. Infelizmente era um tiro no escuro. Mas eu tinha que tentar, afinal, era minha última tentativa de sobreviver. E mais uma vez, lá estava eu, dependendo unicamente de Grace. Ela infelizmente era minha única chance.

The enemy | H.S.Onde histórias criam vida. Descubra agora