039 - Why won't you ever say what you want to say?

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Grace's point of view.

O par de mãos que meu corpo conhecia tão bem passava pela minha pele descoberta pelo vestido, que erguido até meus quadris, deixava minha calcinha a mostra. Eu estava arrepiada, da cabeça aos pés, esfregava uma coxa na outra, completamente molhada e sedenta pelo corpo inclinado sobre mim. Aqueles lábios, o mesmo sabor que estava gravado em minha memória, Harry me beijava com volúpia, como se eu fosse a única coisa que ele precisava para viver, como se estivesse morto de saudades. Meus batimentos cardíacos quase me rasgavam o peito, eu estava morta de saudades e os seus lábios nos meus pareciam realmente ser o que mantinha viva, tamanha era a minha necessidade de tê-lo. Será que ele podia sentir o que eu estava sentindo? Eu mal conseguia respirar, meu oxigênio deixou de ser a maior necessidade de meu corpo e passou a ser ele. Sua boca grudada na minha, suas mãos em mim, apertando-me e puxando-me para perto.

Levantei meu tronco com uma rapidez impressionante, abri meus olhos esbugalhados, tinha levado um susto e tanto. Como eu poderia estar entregue a Harry tão rapidamente, depois de tudo o que ele me fez? A resposta me veio assim que varri o quarto com os olhos, certificando-me de que eu era a única naquele cômodo e que tudo não tinha se passado de um sonho. Havia sido tão real, que minha respiração estava desenfreada assim como meu coração.

Aliviada, levei as mãos a cabeça, enquanto sentia a costumeira tontura me atingir em cheio. Ainda bem que estava na cama, daquela vez tinha sido tão forte que poderia ter me levado ao chão inconsciente. Sabia que era um dos sintomas da gravidez, mas também tinha perdido as contas da última vez que tinha comido algo. Eu apenas dormi desde que encontrei abrigo. Uma enorme ânsia de vômito veio a tona, fazendo-me soluçar em vão e projetar meu corpo para fora do colchão, um gosto amargo tomou minha boca. Não havia nada para sair dali, de estômago vazio, a única coisa que veio foi a dor. Ainda nauseada, coloquei os pés no chão pronta para tentar levantar, tinha que lavar o rosto, quem sabe não me faria melhorar para que eu pudesse sair e tentar conseguir comida.

Apoiei-me em alguns móveis no caminho até a porta do banheiro, porém fui interceptada por Harry, que estranhamente entrou carregando consigo uma bandeja, assim como eu fazia com ele na casa de Juliet. Notar aquilo só fez meu estomago se revirar ainda mais. O que não passou despercebido por ele, que largou a comida em cima da cama e correu para me pegar, já que me curvava tentando equilibrar minha cabeça que girava e abafar a dor que vinha do meu estômago.

— Está tudo bem, Grace? — Agarrou-me pela cintura, causando-me sensações que nem ao menos sabia que se dava para sentir na situação que me encontrava. Coração bobo, reagia até mesmo nos momentos mais inoportunos.

— Estou bem. — Respirei fundo algumas vezes, endireitando-me ainda sob seu olhar analítico. — Eu só preciso ir ao banheiro... — Minha garganta doía a medida em que forçava minha voz a sair, por hora, talvez fosse melhor não falar muito.

Fui guiada até a porta, que foi aberta revelando um banheiro simples, porém espaçoso. Harry me deixou de frente a pia e pude me encarar no espelho. Eu estava péssima, com o rosto inchado de tanto dormir, olhos opacos e pálida feito um papel. Meu cabelo era um caso a parte, tentei não reparar no estrago feito por Juliet, lembrar-me daquele momento ainda me machucava muito.

— Pode ir. — Indiquei a saída à Styles, que para a minha irritação, não moveu um passo sequer para longe de mim. — É só uma tontura... — Apertei meus olhos, sentindo mais uma vez tudo girar, meus dedos agarraram a cerâmica gélida com tanta força que as pontas ficaram esbranquiçadas. Parecia que eu iria cair a qualquer momento. — Vai passar. — Sussurrei, não sabia se aquela sensação realmente iria embora ou se era uma prece minha para que acabasse logo.

— O que? Isso já aconteceu antes? Precisamos chamar Niall, há quanto tempo você tem passado mal assim? — Seu toque firme em meus quadris fazia-me lembrar de que estava segura, que não iria ao chão porque Harry não me deixaria cair.

The enemy | H.S.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora