Capítulo 8: O menino que sobreviveu

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Faziam três anos que Nick estava com sua família os ajudando e suportando os surtos de Klaus. Não houve um dia em que não pensasse em Sirius, Lilian e nos marotos, em que recordasse as memórias do tempo que passou com eles, com aqueles olhos de estrela. Nenhuma carta jamais chegou desde a do casamento de Lilian e Tiago, pelo menos até hoje, quando o próprio Alvo Dumbledore apareceu em sua porta.

- Nick! Tem um velho aqui pedindo por você! – Gritou Kol das escadas para Nick no andar de cima.

Ela desceu sem entender direito. Parado na frente de seu irmão estava seu velho amigo, com a barba longa e grisalha como os cabelos, em trajes longos de um tom de violeta. Quando a viu um leve sorriso apareceu em seus lábios, não precisava de muito para saber que algo ruim acontecera.

- Dumbledore, o que houve? – Ela disse se aproximando para cumprimenta-lo com um abraço.

- Precisamos conversas, Nick – ele respondeu em um tom enigmático retribuindo o abraço.

- É claro, me acompanhe, Alvo – concordou o guiando escada a cima para um dos escritórios.

- Quem é ele? – Perguntou Kol para Nick antes que ela subisse.

- É o papai Noel irmãozinho, não o reconheceu – ela respondeu rindo da revirada de olhos de seu irmão.

Ela entrou primeiro na sala iluminada repleta de livros antigos, sentou-se em uma das poltronas perto de uma mesinha circular pequena, Alvo sentou na outra de frente para ela. Nick encheu dois copos com uísque e serviu-o. estava começando a ficar preocupada, para ele vir pessoalmente algo deu errado.

- Nick, o que tenho para falar não podia ser dito em uma mera carta. Como sabe Voldemort queria comandar o mundo bruxo e assassinar os "não dignos", mas uma profecia foi feita dizendo que uma criança nascida no sétimo mês terá o poder de derrotar o Lorde das Trevas. Lilian e Tiago tiveram um filho que nasceu em 31 de julho, um menino chamado Harry Potter.

"Voldemort soube parte da profecia, mas não a parte que ele próprio marcaria quem o derrotaria no futuro. Com isso a Ordem da Fênix escondeu os três, e nomeou um guardião-do-segredo, o único que poderia informar a localização deles para outras pessoas, foi escolhido Sirius para essa tarefa. Mas na noite de halloween Voldemort descobriu onde estavam escondidos e foi até lá com a intensão de matar o garoto que um dia o derrotaria. Ele invadiu a casa dos Potter e... assassinou, com a maldição da morte, Tiago. Quando chegou até o garoto Lilian se colocou na frente dele, o Lorde a matou também. Mas por alguma razão quando lançou a maldição em Harry, ela ricocheteou... o menino sobreviveu, e o Lorde perdeu seus poderes, acredito que temporariamente. "

- Não pode ser, Lilian e Tiago estão... – ela se recusava a falar.

- Infelizmente sim – respondeu com pesar.

- E se eu entendi bem, acha que Sirius os entregou para Voldemort.

- Tudo leva a crer que sim, até onde sei ele era o fiel do segredo, portando somente ele poderia informar...

- Não, isso é loucura, ele nunca os entregaria. Ele preferiria morrer ao trair sua família. Onde ele está? – Ela interrompeu desacreditada.

- Sirius foi quem entrou na casa e achou os Potter, só sabemos que ele saiu e foi atrás de Pettigrew. Ele explodiu uma rua matando trouxas e o próprio Pedro, de quem só restou um dedo. Aurores chegaram e o prenderam, agora ele está em Azkaban – ele disse entregando um jornal bruxo o "Profeta Diário", onde na primeira página havia uma foto em movimento de Sirius, os cabelos negros sobre olhos claros, parecia furioso.

- Dumbledore isso é completamente impossível, ele nunca faria isso, nunca! Não pode acreditar nisso, já falou com ele? – Ela não podia acreditar, não era verdade

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- Dumbledore isso é completamente impossível, ele nunca faria isso, nunca! Não pode acreditar nisso, já falou com ele? – Ela não podia acreditar, não era verdade.

- Não me permitiram.

- E o garoto, Harry.

- Está na casa dos tios trouxas...

- Lilian e Tiago...

- Um funeral foi feito onde moravam, Godric's Hollow. Posso te levar lá se quiser, sei como eram próximos – ela negou com a cabeça, tentando absorver o que acabara de saber. – Tudo bem, não se preocupe irei descobrir o que aconteceu, também acho que Sirius é inocente, mas preciso ter certeza. Preciso voltar agora, se cuide.

Ele encostou no ombro dela sussurrando um "sinto muito" e aparatou. Nick não podia acreditar, não queria. Seus amigos mortos, Sirius preso por algo que tinha certeza que ele não fez, tudo isso e ela não podia fazer nada. Desceu as escadas para encontrar seus irmãos.

- Está tudo bem irmã? – Perguntou Kol ao ver o olhar triste dela.

- Não... eu preciso ir. Avise a todos que tive que ir, mas voltarei em alguns dias.

Dessa forma ela saiu, pegou um avião até Londres e de lá foi para Godric's Hollow. A cidade era pequena mas tinha seu charme. Ela foi em direção ao cemitério, na lápide onde mais haviam flores. Ali estava os nomes de Lilian e Tiago cravados em mármore. Ela caiu de joelhos contra o chão firme, lágrimas escorreram de seus olhos como rios. Apoiou a mão na lápide deixando o buque de rosas brancas que havia comprado.

- Eu sinto muito, vocês não mereciam ter um fim como esse. Ainda quero conhecer seu filho, Harry...

- Nick... é você?

Ela se virou surpresa, reconheceu aquela voz, ali estava um homem alto, de cabelos loiro escuros, olhos tristes, e cicatrizes de arranhões no rosto... Remo Lupin.

- Remo... – ela disse secando as lágrimas dos olhos. Ele a abraçou apertado. – Eu não acredito... Lilian e Tiago...

- Eu sei, eu também não... e Sirius...

- Não acha que ele...

- Acho que não, mas não posso garantir, só queria poder conversar com ele...

Os dois se abraçaram e ficaram na frente da lápide fria, os olhos molhados pelas lágrimas que se recusavam parar de escorrer. Nick abriu a garrafa de Bourbon que trouxera, estendeu a sua frente.

- Às melhores pessoas, amigos e pais que já existirão, descansem em paz...

Ela bebeu um gole em homenagem a eles, Remo fez o mesmo. Eles ficaram mais uma hora ali antes de sair, conversaram um pouco antes de precisarem se despedir.

- Foi ótimo te rever Remo, se precisar de qualquer coisa não hesite em me chamar, certo? E fique bem.

- Você também, Nick. Espero te ver em breve.

Com um último abraço apertado de saudade e lamento, cada um seguiu seu rumo. Nick voltou para New Orleans desejando poder ver Sirius, falar com ele e saber o que aconteceu de verdade. Mal sabia que em breve tudo voltaria à tona, dessa vez, a verdade.

Nick MikaelsonOnde histórias criam vida. Descubra agora